O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou nesta segunda-feira (24) que não teme perder votos após as declarações feitas contra parte dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band.
Em entrevista ao NC News, Renan foi questionado se a fala poderia prejudicar sua candidatura. A resposta foi direta:
“Não se perde o que não vai ter.”
O candidato explicou que não pretende adotar um discurso mais moderado apenas para tentar conquistar votos de pessoas que já estão alinhadas com Lula.
Renan faz distinção entre os eleitores de Lula
Apesar das críticas, Renan afirmou que não coloca todos os eleitores de Lula no mesmo grupo.
Segundo ele, pretende conquistar votos de pessoas que dependem de programas sociais e vivem em regiões onde, segundo sua avaliação, a criminalidade é um problema grave.
“O eleitor do Lula, eu citei bem claro, tirando a pessoa que está no Bolsa Família, nos interiores, sendo vítima da criminalidade, e que é, em grande medida, refém do Lula, eu quero o voto dela.”
Na sequência, o candidato direcionou suas críticas a outro grupo: eleitores urbanos que possuem renda própria e optam conscientemente por votar no petismo.
“Agora, uma pessoa, num ambiente urbano, que tem o seu salário próprio e vota de maneira consciente no petismo, sabendo do número galopante de violência que nós temos, sabendo da crise econômica, essa pessoa é irresponsável.”
Para Renan, esse eleitor estaria contribuindo para um cenário que prejudica principalmente as novas gerações.
“Essa pessoa está rifando o futuro dos mais jovens, essa pessoa está tornando a nossa vida mais insegura por um fetiche ideológico.”
O candidato afirmou que, politicamente, pretende fazer oposição a essas pessoas, mas ressaltou que isso não significaria deixar de governar para elas caso seja eleito.
“Isso não quer dizer que quando eu governar, eu não vou governar por essa pessoa. Eu estou falando que eu estou numa democracia, existe situação e existe oposição. Eu sou oposição a essas pessoas.”
Candidato volta a atacar Lula
Durante a entrevista, Renan também retomou uma das críticas feitas no debate presidencial: a proposta de redução da jornada de trabalho defendida por Lula.
O candidato classificou como enganosa a ideia de reduzir a jornada sem considerar os impactos econômicos envolvidos.
“Eu fui ao vivo e falei, olha, isso é mentira do Lula. Os demais candidatos não vão.”
Para Renan, a eleição deveria levar empresários e trabalhadores a analisar quais propostas podem beneficiar os dois grupos.
“O único cara que está falando algo que é bom para o trabalhador e algo que é bom para o empresário é esse Renan. Tenho que apoiar ele.”
O candidato também defendeu uma campanha mais agressiva e afirmou que não pretende suavizar suas posições para evitar desgaste.
“Se a situação brasileira é dramática, não vai ser sendo calma e plástico que eu vou resolver ela.”
Renan fala sobre Banco Master
Outro tema citado durante a entrevista foi o Banco Master.
Renan fez uma acusação sobre a formação do cenário eleitoral e afirmou que a disputa presidencial teria sido construída para favorecer Lula ou Flávio Bolsonaro (PL).
“Essa eleição foi construída pelo Banco Master, e é bem claro, pelo Banco Master, para fazer com que o Lula ou o Flávio vençam, porque ambos estiveram, em alguma medida, na folha de pagamento do Master.”
A afirmação foi feita pelo candidato durante a entrevista e representa uma acusação de Renan Santos, não uma conclusão estabelecida pela Justiça.
Ele classificou o atual cenário como uma “eleição da impunidade” e criticou adversários que, segundo ele, evitam entrevistas coletivas e debates.
“Eles não querem fazer coletiva. Eles não querem ouvir ninguém. Eles não querem participar de debate. Eles querem que as pessoas fiquem calmas, quietas.”
Defesa de uma imprensa mais ativa
Renan também afirmou que a imprensa possui papel central durante uma eleição ao questionar candidatos e confrontar suas propostas.
“O que a imprensa está fazendo aqui comigo é o trabalho sério da democracia de poder escrutinar e avaliar um candidato que tem opiniões.”
A declaração ocorreu um dia após o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band, que reuniu candidatos à Presidência e foi marcado por propostas e confrontos entre os participantes.
ENTENDA O CONTEXTO
Durante o debate, Renan Santos adotou uma postura de oposição direta a Lula e afirmou que não desejava o voto de parte dos eleitores do presidente.
Após a repercussão, o candidato explicou que sua declaração não se referia a todos os apoiadores do petista. Ele afirmou querer conquistar votos de beneficiários do Bolsa Família e de pessoas que, segundo sua avaliação, são afetadas pela criminalidade e dependem de políticas sociais.
A crítica mais dura, segundo Renan, é direcionada principalmente a eleitores urbanos que possuem renda própria e escolhem conscientemente votar no PT.
Em vez de recuar diante da possibilidade de perder votos, o candidato diz que pretende manter o tom combativo durante a campanha.
A estratégia coloca Renan Santos em uma posição de confronto direto com Lula e com parte do eleitorado petista justamente em um momento em que os candidatos começam a definir suas estratégias para a disputa presidencial de 2026.