O bebê William, de 7 meses e meio, participou das gravações de “Virgin River”, série da Netflix, e recebeu cachê como ator profissional. A mãe, Amanda Thompson, de 31 anos, decidiu guardar todo o dinheiro recebido pelo filho para ajudar a custear sua futura faculdade.
A experiência também abriu um debate sobre a participação de bebês em produções audiovisuais, os cuidados necessários nos sets de filmagem e os limites da exposição de crianças pequenas na indústria do entretenimento.
Do grupo de Facebook ao set de filmagem
Amanda vive nos Estados Unidos e mantém uma rotina comum com os quatro filhos. A mudança acontece quando ela encontra, em um grupo local do Facebook voltado a modelos, atores e figurantes, um anúncio procurando bebês da idade de William.
A inscrição, segundo ela, foi feita sem grandes expectativas.
“Achei que seria uma experiência divertida e diferente para a nossa família. Pensei que não custava nada inscrevê-lo e ver no que dava”, conta Amanda.
Pouco tempo depois, William é selecionado para participar de “Virgin River”, produção de sucesso da Netflix.
O bebê tinha 7 meses e meio quando entrou no set. Naturalmente, ele não compreendia o que estava acontecendo nem seguia marcações ou falas.
“Na idade dele, obviamente, ele não fazia ideia de que estava ‘atuando’. Ele estava apenas sendo ele mesmo. Para nós, a graça era viver algo completamente fora da nossa rotina”, afirma a mãe.
Cachê de cerca de R$ 2 mil por dia vai para a faculdade
A curiosidade do público se concentra também nos bastidores financeiros da participação. Segundo Amanda, William recebeu a chamada “tarifa para talentos especiais”, de pouco mais de US$ 360 por dia de gravação, o equivalente a cerca de R$ 2 mil.
O pagamento era feito pela diária de trabalho, mesmo quando o bebê permanecia menos tempo efetivamente no set.
Em um dos dias, por exemplo, mãe e filho ficaram no estúdio durante aproximadamente uma hora e meia. Ainda assim, a diária foi paga integralmente.
Ao todo, William participou de 13 dias de gravação. Considerando o valor aproximado de US$ 360 por diária, o total chega a mais de US$ 4,6 mil, ou cerca de R$ 26 mil na conversão utilizada pela família.
Amanda decidiu não utilizar o dinheiro. Em vez disso, abriu uma conta em nome do filho e direcionou todo o valor para uma reserva de longo prazo.
A intenção é utilizar o dinheiro para ajudar a pagar a faculdade de William quando ele chegar à vida adulta.
Ela reconhece que outras famílias podem usar parte da remuneração para cobrir gastos relacionados às gravações, como deslocamento, alimentação e tempo dedicado à produção. No caso da família, porém, a decisão foi preservar integralmente o cachê.
“Eu simplesmente não consigo justificar isso”, afirma.

Mãe acompanha bebê durante todo o trabalho
A experiência também envolveu uma série de cuidados para preservar a rotina de William durante as gravações.
Segundo Amanda, o bebê tinha períodos de descanso e permanecia acompanhado pela mãe durante todo o tempo. Enquanto as cenas eram produzidas, ela ficava próxima aos monitores e acompanhava o filho.
Era Amanda quem entregava William ao ator que contracenava com ele e também quem o recebia novamente após as gravações.
“Em nenhum momento ele ficou fora da minha vista”, relata.
A produção também disponibilizou um trailer com ar-condicionado para mãe e filho. O espaço era utilizado para que William pudesse dormir, mamar, brincar e descansar entre as cenas.
Uma enfermeira especializada em cuidados com bebês também acompanhava as gravações. A profissional monitorava sinais de cansaço ou desconforto e auxiliava a equipe na maneira adequada de segurar e cuidar das crianças.
“Ter uma profissional cuja função era cuidar exclusivamente do bem-estar das crianças me deixou muito mais tranquila”, afirma Amanda.

Participação viraliza e reacende debate sobre crianças na televisão
A história ganhou repercussão depois que Amanda compartilhou detalhes da experiência no TikTok. Um dos vídeos, no qual ela revela quanto o filho recebeu pela participação em uma série de televisão, ultrapassou 1,3 milhão de visualizações.
A repercussão provocou surpresa entre espectadores, muitos dos quais desconheciam que bebês podem participar de produções profissionais e receber remuneração.
O caso também chama atenção para a presença de crianças pequenas em produções audiovisuais. Bebês podem ser utilizados em cenas familiares e situações nas quais a naturalidade da interação é importante para a narrativa.
Ao mesmo tempo, a participação de crianças que ainda não têm capacidade de compreender ou consentir com o trabalho impõe responsabilidade ainda maior aos pais, responsáveis e produtores.
Regras específicas sobre duração das atividades, pausas, acompanhamento e condições de trabalho variam conforme a legislação local e as exigências aplicáveis a cada produção. Também permanecem em discussão questões relacionadas à exposição das crianças nas redes sociais, à proteção da remuneração e aos limites da transformação da infância em conteúdo.
No caso de William, Amanda afirma que a experiência foi positiva e que a rotina do bebê foi preservada. Ele continuou dormindo, mamando e brincando normalmente durante o período de gravações.
Por enquanto, o primeiro trabalho diante das câmeras é apenas uma história incomum na infância de William e cerca de R$ 26 mil guardados para o futuro. Caberá a ele, quando tiver idade para decidir, escolher se essa experiência ficará apenas como uma lembrança familiar ou se será o primeiro capítulo de uma carreira no entretenimento.