Skaf diz que Flávio Bolsonaro defende princípios da Fiesp, mas evita declarar apoio ao candidato

Presidente da Fiesp afirmou que há convergência entre as propostas do candidato do PL e as bandeiras defendidas pelo setor produtivo, mas disse que a entidade não “fulaniza” candidaturas
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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou  que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) defende princípios alinhados aos interesses do setor produtivo. Questionado diretamente sobre um eventual apoio ao senador, porém, Skaf evitou declarar apoio formal à candidatura.

A declaração ocorreu após a participação de Flávio em uma reunião com a diretoria da Fiesp, em São Paulo. Segundo Skaf, a entidade não apoia partidos nem toma posição por candidatos específicos, mas pode demonstrar simpatia por propostas consideradas importantes para a indústria.

“Esses princípios o candidato Flávio Bolsonaro defende”, disse o presidente da Federação

Paulo Skaf e Flávio Bolsonaro na sede da Fiesp nesta segunda-feira, 24. Foto: NCnews

Ao explicar sua posição, Skaf destacou que a Fiesp defende uma agenda econômica baseada em menor presença do Estado, maior competitividade, juros menores, responsabilidade fiscal, inovação, tecnologia e inteligência artificial.

“Esses princípios, o candidato Flávio Bolsonaro, ele defende esses mesmos princípios, e isso tem a nossa simpatia, disse.”

Na sequência, o presidente da Fiesp reforçou que a entidade não pretende transformar essa convergência em um apoio eleitoral formal.

“Nós não fulanizamos aqui. A Fiesp não é partidária e a Fiesp não fulaniza A, B ou C.”

A posição é semelhante à apresentada por Skaf após o encontro com Flávio: a entidade evita declarar apoio a uma candidatura, mas sinaliza proximidade com propostas defendidas pelo senador.

Competitividade da indústria entra no centro do discurso

Grande parte da fala de Skaf foi dedicada aos obstáculos enfrentados pela indústria brasileira.

O empresário citou a transferência de empresas brasileiras para o Paraguai e afirmou que cerca de 400 companhias teriam migrado para o país. O número mencionado por Skaf foi superior ao apresentado anteriormente por Flávio, que havia falado em aproximadamente 200 empresas.

Para Skaf, o problema não está no fato de uma empresa brasileira operar no exterior, mas na razão que leva uma companhia a deixar o país.

“Eu não tenho nenhum problema de uma empresa brasileira ir para o Paraguai. Agora, quando uma empresa brasileira vai para o Paraguai porque não tem competitividade no Brasil, isso me preocupa sim”, afirmou.

O presidente da Fiesp também criticou a entrada de produtos importados em condições que, na avaliação dele, prejudicam a produção nacional.

Entre os exemplos citados estão aumento das importações de carros chineses e cotas para entrada de automóveis sem impostos.

Skaf critica “oficialização de uma ilegalidade”

Outro ponto abordado pelo presidente da Fiesp foi o chamado “contrabando de bugigangas”, tema que também apareceu no encontro com Flávio.

Skaf afirmou que o modelo dificulta o controle sobre o que entra no país e classificou a prática como uma forma de “oficializar uma ilegalidade”.

A preocupação, segundo ele, está relacionada ao impacto dessas importações sobre a indústria e o emprego no Brasil.

O que Flávio defendeu na Fiesp

Flávio Bolsonaro participa de reunião quinzenal da Fiesp com representantes da diretoria da Federação em São Paulo

Durante a reunião, Flávio apresentou propostas voltadas à redução dos custos para empresas, ao aumento da segurança jurídica e ao estímulo aos investimentos. O candidato também defendeu maior autonomia para ministros com perfil técnico e afirmou que pretende atuar no Congresso para aprovar medidas consideradas prioritárias, especialmente na área econômica.

É nesse ponto que Skaf identifica a convergência com as bandeiras da Fiesp.

Para o empresário, o candidato que defender uma agenda de menor peso do Estado e maior competitividade terá a simpatia da entidade.

Fiesp não declara apoio formal

Apesar dos elogios a Flávio, Skaf fez questão de não transformar a declaração em um anúncio de apoio eleitoral.

A diferença é importante: Skaf reconheceu uma convergência de ideias com o candidato do PL, mas não afirmou que a Fiesp apoiará oficialmente sua candidatura à Presidência.

A entidade representa um setor que, segundo o próprio Skaf, responde por aproximadamente um quarto do PIB brasileiro, considerando o conjunto das atividades ligadas ao setor produtivo e à indústria.

“Com um quarto do PIB brasileiro, nós queremos o bem do Brasil.”
O que Skaf deixou claro

Flávio Bolsonaro defende princípios que, segundo Skaf, também são defendidos pela Fiesp;
A entidade simpatiza com propostas de menor Estado, responsabilidade fiscal e maior competitividade; Skaf criticou a perda de competitividade da indústria brasileira. O presidente da Fiesp também criticou o avanço das importações em condições que considera prejudiciais à produção nacional;

Entenda o contexto

A aproximação acontece em meio à agenda de Flávio Bolsonaro em São Paulo e à tentativa do candidato de ampliar o diálogo com empresários e setores do mercado. O senador esteve recentemente em compromissos ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A declaração de Skaf, portanto, produz um sinal político importante: há convergência entre parte da agenda econômica de Flávio e as pautas defendidas pela Fiesp, mas a entidade mantém, ao menos neste momento, a posição de não declarar apoio formal a um candidato.

O ponto central da fala foi justamente esse equilíbrio: elogiar as propostas sem transformar simpatia em endosso eleitoral.

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