Se Lula não gostou, que vá ao debate: Renan reage a Janja e nega misoginia após polêmica

Candidato do Missão diz que críticas à primeira-dama são políticas, afirma que Janja se tornou uma “agente política” e dispara: “Se é agente político, é suscetível a críticas”
Redação NC News
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O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, respondeu à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, após ser acusado por ela de misoginia por declarações feitas durante o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band no último domingo (23).

Em entrevista durante o ABDIB Fórum Eleições 2026, Renan negou que tenha criticado Janja por ela ser mulher e afirmou que suas declarações estão relacionadas à atuação pública e política da primeira-dama.

“Não, jamais. Na verdade, eu estou criticando ela e o marido dela. Se a Janja, se fosse uma primeira-dama discreta, que ficasse no papel institucional de primeira-dama, não seria alvo de crítica de ninguém”, disse.

Renan contesta acusação de misoginia e diz que Janja deve estar sujeita a críticas

Renan rejeitou a acusação de misoginia feita por Janja e afirmou que suas críticas são direcionadas à atuação política da primeira-dama, não ao fato de ela ser mulher. Segundo o candidato, Janja exerce influência no governo e participa ativamente do debate público, o que a torna suscetível a questionamentos e críticas, como qualquer outro agente político.

Renan afirmou ainda que não possui qualquer questão pessoal contra Janja, mas entende que sua participação ativa no debate público abre espaço para questionamentos.
Renan afirmou ainda que não possui qualquer questão pessoal contra Janja, mas entende que sua participação ativa no debate público abre espaço para questionamentos. Foto: Bruno Santos/NC News

O candidato também citou episódios envolvendo viagens internacionais e gastos da primeira-dama para argumentar que críticas a figuras públicas não podem ser automaticamente classificadas como ataques motivados por gênero. Na avaliação dele, tratar qualquer questionamento como misoginia criaria um precedente que impediria o debate político.

Renan afirmou ainda que Janja deve responder politicamente por suas posições e ações, já que, segundo ele, ocupa um espaço relevante na esfera pública. Ao comentar a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) às críticas dirigidas à primeira-dama, o candidato elevou o tom e declarou que, caso Lula discorde das acusações, deveria responder diretamente no debate público.

“Se o marido dela não gostou, ele que vá ao debate e faça a defesa dele e dela numa boa.”

O candidato também afirmou que ele e seu grupo político são frequentemente alvo de ataques do presidente e da primeira-dama e defendeu que Janja deve assumir as consequências da exposição política que, segundo ele, escolheu ter.

Renan questiona atuação de Janja na COP

Durante a entrevista, Renan também criticou a participação da primeira-dama em discussões relacionadas à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP). O candidato questionou a legitimidade da atuação de Janja no tema e mencionou alegações sobre sua relação com uma organização ligada ao evento.

As declarações sobre suposto lobby e contratos relacionados à COP foram feitas pelo candidato e não representam fatos comprovados.

Ao comentar o papel da primeira-dama, Renan afirmou que quem decide participar ativamente do debate público deve estar disposto a enfrentar críticas e cobranças.

“Mulheres não são desagradáveis. A Janja é desagradável.”

Ao rebater a acusação de misoginia, Renan sustentou que sua crítica foi direcionada ao comportamento político de Janja e não à sua condição de mulher. Para ilustrar o argumento, fez uma comparação com críticas dirigidas a outras pessoas e afirmou que discordâncias ou avaliações negativas não podem ser automaticamente enquadradas como preconceito.

O momento mais duro da entrevista ocorreu quando o candidato reforçou a avaliação pessoal que faz da primeira-dama.

Entenda o caso

A polêmica teve início durante o primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band no último domingo. Após o encontro, Janja reagiu às declarações de Renan Santos e o acusou de misoginia.

O candidato rejeitou a acusação e afirmou que suas falas devem ser entendidas como críticas políticas dirigidas a uma pessoa que, segundo ele, exerce influência e participação ativa no debate público nacional.

O episódio também motivou uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral. A existência da representação, porém, não significa que tenha sido comprovada qualquer irregularidade ou crime.

 

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