O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, escolheu a segurança pública como principal bandeira durante visita à comunidade Tavares Bastos, na Zona Sul do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (25). Ao conhecer uma das poucas favelas pacificadas da capital fluminense, o governador de Minas Gerais afirmou que o modelo mostra que o Brasil tem solução, mas fez duras críticas ao governo Lula por, segundo ele, não enfrentar o principal problema do país: o domínio de territórios pelo crime organizado.
Para Zema, a recuperação de comunidades controladas por facções deve ser a prioridade de qualquer política nacional de segurança.
“Como que nós vamos ter segurança pública num país se os territórios continuam sendo controlados pelo crime organizado?”, questionou.
Zema usa favela pacificada como exemplo
Durante a visita, o governador afirmou ter ficado impressionado com a realidade da comunidade e defendeu que o combate ao crime precisa ser seguido pela presença permanente do Estado.
Segundo ele, primeiro é necessário que as forças de segurança retomem o território e, depois, que o poder público chegue com educação, saúde, assistência social e oportunidades para a população.
Zema disse que a principal reclamação dos moradores foi a falta de cursos profissionalizantes, atividades para jovens e projetos sociais.
“O que eles pedem aqui não é algo complexo. São cursos, atividades para crianças, jovens e idosos. Coisas simples que o Estado deveria estar oferecendo”, afirmou.
Ao defender sua experiência administrativa em Minas Gerais, Zema afirmou que a melhoria dos serviços públicos depende de uma gestão mais eficiente dos recursos.
O governador citou cortes de gastos e combate à corrupção realizados durante sua gestão e aproveitou para fazer uma das declarações mais fortes da visita.
“O Brasil não é um país fracassado. O Brasil é sim um país roubado.”
Segundo ele, o desperdício de recursos públicos impede investimentos em áreas essenciais, especialmente nas regiões mais pobres do país.
Críticas a Lula e à PEC da Segurança
Ao falar sobre segurança pública, Zema voltou a criticar o governo federal e afirmou que a PEC da Segurança Pública apresentada pelo presidente Lula não enfrenta o problema central da criminalidade.
Para o pré-candidato, o país não conseguirá reduzir a violência enquanto facções criminosas continuarem exercendo controle sobre comunidades inteiras.
Ele também criticou o sistema de audiências de custódia e defendeu regras mais duras para criminosos reincidentes.
“A polícia prende, a Justiça solta. Será que esse sistema vai deter a criminalidade? Não vai.”
Segundo Zema, governadores do Sul e do Sudeste apresentaram propostas ao Ministério da Justiça para endurecer o tratamento a criminosos reincidentes, mas nenhuma delas teria sido acolhida pelo governo federal.
Regularização fundiária e dignidade
Além da segurança, Zema destacou a importância da regularização fundiária para moradores de comunidades. O governador afirmou que ter a escritura da própria casa representa segurança jurídica e dignidade para milhões de brasileiros.
Segundo ele, sua gestão em Minas foi responsável pela maior distribuição de títulos de propriedade da história do estado.
A visita à Tavares Bastos faz parte da agenda de pré-campanha do governador mineiro, que tem buscado reforçar seu discurso de gestão, combate ao crime organizado e presença do Estado em áreas vulneráveis do país.