Governo do RJ exonera 6,1 mil comissionados e projeta economia de R$ 221 milhões

Medida atingiu cerca de 43% dos cargos em comissão existentes em março; governo afirma que parte dos exonerados sequer tinha acesso aos sistemas estaduais
Redação NC News
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O governo do Rio de Janeiro já exonerou 6.145 servidores comissionados desde março e projeta uma economia de R$ 221 milhões até o fim de 2026. A medida faz parte de uma reestruturação da administração estadual conduzida durante a gestão interina do desembargador Ricardo Couto.

O número representa cerca de 43% dos 14.340 cargos comissionados existentes no Estado em março. No mesmo período, foram registradas 2.496 novas nomeações, deixando aproximadamente 3,6 mil postos vagos.

Segundo o governo, uma parcela significativa dos funcionários desligados sequer possuía senha de acesso aos sistemas estaduais, como o SEI. A administração afirma que esses servidores eram considerados “fantasmas” e que alguns apareciam apenas uma vez por mês para assinar a folha de ponto.

Corte já supera 6 mil exonerações

As exonerações começaram depois que Ricardo Couto assumiu o governo estadual, em março.

Até 21 de agosto, eram 6.145 desligamentos, enquanto as novas nomeações chegaram a 2.496. A economia projetada considera apenas os cargos que permanecerão vagos.

A gestão afirma que o processo ainda não terminou.

Novas exonerações poderão ocorrer conforme forem concluídas auditorias realizadas pelo Gabinete de Segurança Institucional e pela Controladoria-Geral do Estado.

Governo diz ter encontrado funcionários sem acesso aos sistemas
Um dos pontos que mais chama atenção na medida é a situação de parte dos comissionados desligados.

Segundo o governo, muitos deles não tinham sequer acesso aos sistemas utilizados diariamente pelos servidores estaduais.

A administração classificou parte desses funcionários como “fantasmas”. A justificativa é que eles apareciam formalmente na folha, mas não desempenhavam atividades que exigissem acesso aos sistemas do Estado.

O governo afirma que a revisão da estrutura busca reduzir despesas e tornar a administração mais eficiente.

Quanto o Estado pretende economizar?

A projeção oficial é de uma economia de R$ 221 milhões até dezembro.

O cálculo considera os cargos que foram extintos ou permanecerão vagos depois das exonerações.

A medida faz parte de um pacote maior de ações para tentar melhorar as contas públicas do Rio, que começou 2026 com uma previsão de déficit de aproximadamente R$ 19 bilhões.

Além do corte de cargos, o governo trabalha com auditorias em contratos, aumento da arrecadação e renegociação de dívidas.

Número de secretarias também caiu

A reforma administrativa não ficou restrita aos cargos. O governo estadual também reduziu o número de secretarias de 32 para 28, por meio da fusão de algumas pastas.

Segundo a gestão, a reorganização busca diminuir custos e concentrar estruturas administrativas.

As nomeações feitas para o primeiro escalão desde março são, em sua maioria, de servidores de carreira, de acordo com o governo.

Os escolhidos também passam por avaliação do Gabinete de Segurança Institucional.

O que acontece agora?

O processo de revisão da máquina pública ainda não terminou. Auditorias continuam sendo realizadas e podem resultar em novas exonerações.

A administração também pretende avançar em outras medidas para melhorar a situação financeira do Estado. Entre elas estão a renegociação de aproximadamente R$ 26 bilhões em dívidas e a adesão ao programa federal Propag, que, segundo o governo, deve gerar economia de R$ 3,1 bilhões em 2026.

A estratégia é tentar transformar o corte de despesas em uma recuperação mais duradoura das contas estaduais.

Por que a situação financeira do Rio preocupa?

O Rio de Janeiro tem histórico de dificuldades fiscais e forte dependência de receitas como royalties do petróleo.

A atual gestão trabalha para reverter o déficit previsto para 2026 e terminar o ano com resultado positivo.

O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, afirmou nesta semana que o governo trabalha com a possibilidade de encerrar o ano com superávit de até R$ 5 bilhões, embora tenha reconhecido que a meta é ambiciosa.

Nesse cenário, o corte dos cargos comissionados é apenas uma das frentes adotadas pelo governo.

Entenda o contexto

A onda de exonerações começou depois que Ricardo Couto assumiu interinamente o governo do Rio, em março.

Desde então, a administração iniciou uma revisão da estrutura estadual, com cortes de cargos, fusão de secretarias e auditorias.

O governo afirma que encontrou 6.145 comissionados que foram exonerados, sendo que parte deles sequer tinha acesso aos sistemas estaduais.

A economia estimada com os cargos que continuarão vagos chega a R$ 221 milhões até dezembro.

A medida ocorre em um momento de forte pressão sobre as contas públicas fluminenses. A expectativa do governo é que a redução de despesas, combinada com aumento de arrecadação e renegociação de dívidas, ajude o Estado a terminar 2026 em situação fiscal melhor do que a prevista inicialmente.

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