Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões; entenda o que aconteceu

Grupo Gennius, controlador do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, pediu proteção à Justiça após acumular R$ 265,2 milhões em dívidas; empresa cita pandemia, juros altos e avanço do delivery entre os motivos da crise
Redação NC News
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A tradicional rede de restaurantes Habib’s entrou em recuperação judicial em meio a uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado pelo Grupo Gennius, controlador também das marcas Ragazzo e Tendall Grill, à Justiça de São Paulo.

A decisão judicial foi concedida na segunda-feira (24) e nomeou a KPMG como administradora judicial do processo. Com a recuperação, o grupo passa a ter proteção contra uma série de ações de cobrança enquanto tenta reorganizar as finanças e apresentar uma proposta para os credores.

A situação chama atenção porque o Habib’s é uma das maiores redes brasileiras de alimentação e está presente no país há quase quatro décadas. Segundo a empresa, as lojas continuam funcionando normalmente e o objetivo do processo é preservar a operação e permitir a reorganização do negócio no longo prazo.

 

O que levou o Habib’s à recuperação judicial?

Segundo os argumentos apresentados pelo Grupo Gennius no processo, a crise foi construída ao longo dos últimos anos e ganhou força com uma combinação de fatores.

A empresa cita os impactos provocados pela pandemia de Covid-19, que afetou especialmente restaurantes e estabelecimentos localizados em grandes centros urbanos.

Outro problema apontado foi a transformação no comportamento do consumidor. O avanço dos aplicativos de delivery mudou a dinâmica do setor de alimentação e reduziu a importância do movimento presencial em determinadas unidades.

A companhia também aponta o aumento dos juros como um dos fatores que pressionaram suas finanças. De acordo com o grupo, a Selic saiu de aproximadamente 4% para perto de 15%, encarecendo a captação de recursos e a rolagem das dívidas.

 

A crise já vinha sendo negociada

O pedido de recuperação judicial não surgiu de forma repentina.

No fim de junho, o Grupo Gennius havia procurado o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Santo Amaro, em São Paulo, para tentar negociar suas dívidas diretamente com os credores.

Na sequência, a empresa conseguiu uma proteção judicial temporária que suspendeu cobranças e execuções enquanto buscava uma solução negociada.

A tentativa, porém, não foi suficiente para resolver o problema financeiro. Diante da dificuldade de chegar a um acordo com os credores, o grupo decidiu recorrer à recuperação judicial como mecanismo para reorganizar o passivo.

 

O que muda para os credores?

Com a decisão, ações de execução de dívidas contra o grupo ficam suspensas, dando à empresa um período para organizar sua situação financeira sem enfrentar uma corrida de credores para receber individualmente.

A Justiça também determinou que determinados credores não interrompam contratos com o grupo simplesmente por causa do pedido de recuperação judicial.

Por outro lado, o juiz não autorizou a liberação de determinados recebíveis bancários que haviam sido entregues como garantia fiduciária. Esse tipo de operação envolve créditos ou ativos cedidos ao credor como garantia do pagamento de uma dívida.

 

Quase 180 empresas estão envolvidas

O processo tem uma dimensão maior do que apenas as lojas que levam o nome Habib’s.

Ao todo, 178 pessoas jurídicas do Grupo Gennius foram incluídas no pedido, além dos sócios Alberto Saraiva e Belchior Saraiva.

Entre as empresas estão franqueadoras, holdings, sociedades operacionais, unidades da rede Tendall Grill e centenas de operações ligadas às marcas do grupo.

O processo envolve 119 lojas Habib’s e 26 lojas Ragazzo, além de seis unidades da Tendall e outras empresas ligadas à estrutura do conglomerado.

 

E agora? Habib’s pode falir?

Não. O pedido de recuperação judicial não significa que a empresa faliu.

O objetivo desse mecanismo é justamente permitir que uma companhia em dificuldade financeira reorganize suas dívidas e tente continuar funcionando.

Agora, o Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de reestruturação. É nesse documento que a empresa deverá apresentar aos credores como pretende reorganizar seus débitos e manter a operação.

Se o processo não avançar de acordo com as regras previstas na recuperação judicial, a companhia poderá enfrentar consequências mais graves, inclusive um eventual processo de falência.

 

O que o grupo pretende fazer?

No pedido apresentado à Justiça, o Grupo Gennius indica que pretende promover uma reorganização societária, rever sua estrutura e buscar novas oportunidades de expansão.

A empresa também prevê a abertura de unidades em mercados considerados estratégicos e uma maior aposta em restaurantes com estrutura voltada ao delivery.

A estratégia mostra uma tentativa de adaptar o modelo de negócios às mudanças no comportamento do consumidor, justamente um dos fatores que o próprio grupo aponta como responsáveis pela deterioração das operações nos últimos anos.

ENTENDA O CONTEXTO

O Habib’s nasceu em 1987, em São Paulo, e se tornou uma das marcas mais conhecidas do setor de alimentação no país.

A recuperação judicial acontece depois de meses de tentativas de negociação com credores e de medidas judiciais para preservar o caixa da companhia.

Agora, a questão central é saber se o grupo conseguirá transformar a proteção judicial em uma reestruturação financeira capaz de manter as marcas funcionando e recuperar a capacidade de crescimento.

Por enquanto, segundo a empresa, as operações seguem normalmente e os clientes continuam sendo atendidos nas unidades.

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