Ex-dono da Reag entrega proposta de delação à PGR com foco em Daniel Vorcaro

João Carlos Mansur apresentou 17 anexos com informações sobre supostos desvios envolvendo fundos da Reag e o ex-dono do Banco Master; acordo ainda precisa ser assinado e homologado pelo STF.
Redação NC News
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O caso envolvendo o Banco Master e a Reag Investimentos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (26). O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada com informações que têm como principal alvo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo reportagem do UOL, Mansur apresentou 17 anexos à proposta, com documentos e relatos sobre operações financeiras que, segundo ele, teriam envolvido fundos administrados pela Reag.

O acordo ainda não foi formalmente assinado. Antes de produzir efeitos, a colaboração precisa avançar nas negociações e, posteriormente, ser analisada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é responsável pelo caso.

O que Mansur está oferecendo à investigação?

A proposta apresentada por Mansur reúne informações sobre operações financeiras realizadas por meio de fundos de investimento e aponta caminhos que poderiam ajudar investigadores a rastrear recursos relacionados ao Banco Master.

Segundo o relato apresentado à PGR, fundos ligados à Reag teriam sido utilizados para movimentar recursos do banco por meio de beneficiários que atuariam como laranjas e estruturas offshore.

Mansur também afirma ter informações sobre negociações que realizou diretamente com Vorcaro e sustenta que o ex-banqueiro teria conhecimento dos desvios investigados.

É importante destacar que essas afirmações fazem parte de uma proposta de delação que ainda não foi homologada pela Justiça.

R$ 40 milhões estão previstos como multa

Como parte da negociação, Mansur deverá pagar aproximadamente R$ 40 milhões em multas, valor equivalente ao que teria recebido da Reag durante o período em que a instituição operava.

Para a PGR, um dos principais interesses na colaboração é conseguir informações que permitam identificar o caminho do dinheiro e recuperar valores que teriam sido desviados.

A proposta também apresenta novos nomes de empresas e fundos que, segundo Mansur, teriam sido utilizados nas operações investigadas.

Um fundo nas Ilhas Cayman entra no relato

Entre os documentos apresentados pelo empresário está um anexo específico sobre Daniel Vorcaro.

Um dos casos citados envolve o Jaguar Multimarket Fund Ltd, registrado nas Ilhas Cayman. De acordo com Mansur, o Banco Master teria enviado cerca de R$ 494 milhões para o fundo.

Formalmente, o beneficiário do Jaguar seria Benjamim Botelho, apontado como parceiro de negócios do Master e ex-dono da Sefer, gestora que também aparece nas investigações.

Mansur, porém, afirma que o verdadeiro proprietário seria Vorcaro. A informação integra o conjunto de alegações que ainda deverá ser analisado pelas autoridades responsáveis pelo caso.

Como funcionaria o esquema investigado?

As investigações conduzidas por órgãos como a Polícia Federal e o Banco Central analisam uma estrutura que teria utilizado empresas, fundos de investimento e ativos financeiros para movimentar recursos.

Segundo as informações reunidas no caso, uma das suspeitas é que o Banco Master concedesse empréstimos a empresas recém-criadas, algumas sem operação econômica real.

Essas empresas, por sua vez, aplicariam os recursos em fundos administrados pela Reag.

O dinheiro poderia então circular rapidamente entre diferentes fundos e intermediários antes de ser utilizado na compra de ativos considerados de baixo ou nenhum valor econômico.

O problema estaria na superavaliação desses ativos.

Um dos exemplos citados na investigação envolve o fundo High Tower, que teria adquirido por R$ 850 milhões carteiras de crédito consideradas de baixo valor e registrado esses ativos por cerca de R$ 10 bilhões.

A operação teria como efeito inflar artificialmente o patrimônio registrado nos fundos.

Reag aparece em outras investigações

A situação de Mansur não começou com o caso Banco Master.

O empresário também foi alvo da Operação Carbono Oculto, investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado na economia formal.

A Reag apareceu nas investigações como uma estrutura que teria sido utilizada para movimentar recursos de origem suspeita.

Mansur também passou a ser investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master.

A própria Reag teve seu braço de administração de recursos posteriormente liquidado pelo Banco Central. Em janeiro de 2026, o BC determinou a liquidação da instituição, citando comprometimento da situação econômico-financeira e graves violações das normas do sistema financeiro.

Políticos também aparecem nos anexos

A proposta de delação também menciona Jaques Wagner (PT-BA) e ACM Neto (União-BA).

No caso de Wagner, Mansur relata uma situação envolvendo ingressos para um show da cantora Taylor Swift, realizado em São Paulo em 2023.

Segundo a reportagem, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria pedido a Mansur que providenciasse os ingressos, avaliados em R$ 63,3 mil, que acabaram sendo entregues ao senador.

Procurado, Wagner afirmou que a compra foi um pedido pessoal feito a um amigo para ajudá-lo a conseguir os ingressos e disse que não conhece Mansur nem teve relação com a Reag.

ACM Neto também aparece porque um fundo de sua propriedade, o Seattle 95, era administrado pela Reag.

O político afirmou que o fundo foi criado com recursos próprios de origem declarada e lícita e que as operações ocorreram dentro das regras do mercado financeiro.

E Daniel Vorcaro?

O nome de Daniel Vorcaro está no centro das investigações envolvendo o Banco Master.

O ex-banqueiro já havia negociado uma possível colaboração com as autoridades, mas as informações apresentadas anteriormente foram consideradas insuficientes pela PGR e pela Polícia Federal.

Agora, a delação de Mansur pode acrescentar novas informações ao caso.

Investigadores também voltaram a discutir a possibilidade de uma colaboração de Vorcaro, mas autoridades exigem informações mais completas sobre o funcionamento do esquema e principalmente sobre recursos e patrimônio mantidos no exterior.

Isso aumenta a importância da proposta apresentada pelo ex-dono da Reag.

O que acontece agora?

O próximo passo é a conclusão das negociações entre Mansur, PGR e Polícia Federal.

Depois da assinatura, o acordo deverá ser encaminhado ao STF para análise de sua validade e eventual homologação.

Se homologada, a colaboração poderá se transformar em uma importante fonte de informações para as investigações.

Mas existe uma diferença fundamental entre uma delação e uma condenação: os relatos apresentados pelo colaborador precisam ser comprovados por documentos, provas e outros elementos de investigação.

Por isso, as informações apresentadas por Mansur não significam, por si só, que as pessoas citadas tenham cometido crimes.

A expectativa das autoridades é justamente cruzar os relatos com documentos financeiros, registros de empresas, movimentações bancárias e outros elementos já obtidos nas investigações.

Entenda o contexto

O Banco Master, de Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de uma ampla investigação sobre suspeitas de fraudes e operações financeiras irregulares.

A Reag Investimentos, então comandada por João Carlos Mansur, também entrou no radar das autoridades por sua participação em operações envolvendo fundos.

Agora, Mansur tenta fechar um acordo de delação premiada com a PGR.

A proposta tem 17 anexos, prevê multa de aproximadamente R$ 40 milhões e concentra parte importante das informações em Daniel Vorcaro e em operações envolvendo fundos da Reag.

O acordo ainda não foi homologado.

Se for aceito pela Justiça e os relatos forem confirmados por outras provas, a colaboração poderá ampliar significativamente o mapa das investigações e ajudar as autoridades a identificar como o dinheiro circulava, quem participava das operações e onde os recursos podem ter sido destinados.

O caso, portanto, está longe de terminar — e a possível delação de Mansur pode abrir uma nova frente no cerco ao Banco Master.

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