Candidatos do PT em Minas Gerais estão cobrando mudanças na distribuição dos recursos destinados às campanhas eleitorais deste ano. Um dos postulantes, Ramsés de Castro, que concorre a uma vaga de deputado federal, afirma que pode abandonar a disputa caso o partido não reveja os valores destinados às candidaturas.
Ramsés comunicou à legenda que pretende oficializar a retirada da candidatura ainda nesta semana se não receber um valor que considere “justo e razoável” para financiar a campanha. Ele está entre os 25 candidatos petistas em Minas que afirmam não ter recebido recursos do fundo eleitoral.
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Segundo o grupo, o problema está na diferença entre os valores destinados aos candidatos. A proposta apresentada é estabelecer um piso de R$ 80 mil para cada candidatura.
Candidatos reclamam de desigualdade
Os petistas afirmam que algumas campanhas poderão receber mais de R$ 2 milhões, enquanto outras teriam acesso a cerca de R$ 35 mil. Há ainda candidatos que, segundo o grupo, não receberam nenhum recurso.
Ramsés defende que a legislação eleitoral seja alterada para estabelecer critérios que impeçam uma distribuição considerada desigual entre os candidatos.
“Já era esperado que a direção do PT buscasse diminuir essa desigualdade entre os candidatos, mas a direção não está fazendo isso. Pelo contrário, a direção está reforçando essa desigualdade”, afirmou.
Outro candidato que reclama da falta de estrutura é Vinícius Venades, que disputa uma vaga de deputado estadual. Para ele, uma campanha precisa de recursos mínimos para funcionar.
“Não se faz campanha sem material, sem deslocamento, sem equipe e sem condições básicas”, declarou.
Venades afirma, porém, que o movimento não representa um rompimento com o PT. Segundo ele, a intenção é buscar uma solução coletiva e questionar decisões tomadas pela direção e pela tesouraria da legenda.
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Manifesto foi entregue a Lula
O grupo chegou a entregar um manifesto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a passagem dele por Belo Horizonte, no sábado (29).
Os candidatos dizem que buscam chamar a atenção para a distribuição dos recursos e pressionar por uma solução antes do avanço da campanha eleitoral.
Internamente, parte dos petistas direciona as reclamações à tesoureira nacional do partido, Gleide Andrade, que também é candidata ao Congresso por Minas Gerais.
Segundo os candidatos, a campanha de Gleide terá R$ 1,267 milhão do fundo partidário. A assessoria da petista foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização.
Grupo descarta retirada em massa
Uma das possibilidades discutidas internamente é a retirada de várias candidaturas. A medida poderia criar dificuldades para o PT cumprir o percentual mínimo de 30% de candidaturas de cada sexo nas chapas proporcionais.
Venades, no entanto, afirma que o grupo não pretende provocar prejuízos ao partido durante as eleições. A intenção, segundo ele, é garantir condições mais equilibradas para os candidatos.
“Nossa posição é firme, mas é de diálogo. Nós somos do time do Lula, da Marília, da Áurea Carolina e do Patrus. Não estamos contra o PT. Estamos lutando para que o PT seja coerente com a sua própria história”, afirmou.
Para o candidato, a discussão está relacionada à busca por maior igualdade dentro da própria legenda.