A economia será um dos principais campos de disputa na eleição para o governo do Rio de Janeiro em 2026. Os candidatos apresentam propostas bastante diferentes para enfrentar os problemas fiscais do estado, atrair investimentos, gerar empregos e reduzir a dependência das receitas do petróleo.
Entre as ideias estão desde cortes de despesas, auditorias e revisão de benefícios fiscais até medidas de maior intervenção estatal, como criação de bancos públicos, reestatização de empresas e suspensão de pagamentos da dívida.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. As propostas foram reunidas a partir dos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No caso de Eduardo Paes (PSD), que ainda não havia apresentado o plano ao TSE, foram consideradas declarações dadas em entrevistas, sabatinas e publicações do candidato.
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O Rio de Janeiro possui uma economia fortemente ligada ao petróleo e aos royalties, enquanto o próximo governo terá de lidar com desafios relacionados às contas públicas, infraestrutura, geração de empregos e atração de investimentos.
As estratégias apresentadas pelos candidatos seguem caminhos diferentes.
Alguns defendem uma máquina pública menor, revisão de gastos e maior participação do setor privado. Outros apostam no fortalecimento do Estado, em bancos públicos, reestatizações e ampliação dos investimentos sociais.
André Marinho Propõe Cortar Desperdícios E Criar Fundo Soberano
O candidato André Marinho (Novo) concentra sua proposta econômica na redução de desperdícios, recuperação de receitas e diminuição da dependência dos royalties do petróleo.
Entre as ideias está a criação da Lei de Eficiência na Gestão (LEGE-RJ), com metas para cada secretaria e permanência dos gestores vinculada aos resultados.
Marinho também propõe catalogar cerca de 8,5 mil imóveis estaduais abandonados e vender ou conceder parte desse patrimônio. A estimativa apresentada em seu plano é obter entre R$ 10 bilhões e R$ 11 bilhões em quatro anos.

Outra medida é auditar todos os benefícios fiscais concedidos pelo estado.
O candidato também defende a criação de um Fundo Soberano do Rio, que receberia parte dos royalties e aplicaria os recursos para gerar uma fonte permanente de financiamento para áreas como educação, ciência e infraestrutura.
Garotinho Quer Revisar Incentivos E Ampliar Microcrédito
Anthony Garotinho (Republicanos) propõe uma revisão dos incentivos fiscais e a criação de uma regra para impedir que obras e programas permanentes sejam iniciados sem estudos prévios sobre custos, manutenção e fonte de recursos.
O candidato também pretende regionalizar os incentivos para estimular empresas fora da Região Metropolitana, especialmente na Baixada Fluminense e no Norte e Noroeste do estado.

Na área de crédito, a proposta prevê utilizar a estrutura da AgeRio para oferecer microcrédito produtivo a pequenos negócios, cooperativas, mulheres empreendedoras, turismo e inovação.
Garotinho ainda defende que os royalties do petróleo sejam direcionados prioritariamente para investimentos capazes de gerar emprego e renda.
Busnello Defende Auditoria Da Folha E Limite Para Gastos
Coronel Busnello (Missão) coloca a responsabilidade fiscal no centro de seu programa.
A proposta prevê auditoria permanente da folha do funcionalismo para identificar pagamentos indevidos e possíveis acúmulos irregulares.
O candidato também propõe gatilhos automáticos de contenção quando os gastos com pessoal ultrapassarem 49% da Receita Corrente Líquida.
Na infraestrutura, pretende utilizar o Fundo Soberano como garantia para parcerias público-privadas e concessões, além de destinar imóveis públicos ociosos para venda, concessão ou leilão.
Outra proposta é criar um portal único para licenciamento, com prazo máximo de 60 dias para resposta.
Cyro Garcia Defende Reestatizações E Mudança Na Dívida
Cyro Garcia (PSTU) apresenta uma das propostas de maior intervenção estatal.
O candidato defende a ruptura com o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e a suspensão e auditoria da dívida pública estadual.
Também propõe a reestatização de serviços como SuperVia, MetrôRio e Cedae, além do fim das Organizações Sociais e terceirizações na saúde.
Na área tributária, o programa prevê impostos sobre grandes fortunas e grandes corporações.
O candidato também defende redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução salarial e auxílio emergencial de um salário mínimo para desempregados.
Douglas Ruas Quer Facilitar Investimentos E Condicionar Incentivos
Douglas Ruas (PL) aposta na redução da burocracia e na atração de investimentos.
Uma das principais propostas é o programa Investe Aqui, que reuniria órgãos estaduais em um balcão único para acelerar processos relacionados à implantação de empresas e projetos.

O candidato também propõe simplificar os incentivos fiscais e estabelecer metas de geração de empregos. Empresas que não cumprirem as contrapartidas poderão ter os benefícios devolvidos.
Na geração de renda, o plano prevê iniciativas para autônomos, jovens, mulheres, turismo, agropecuária e economia criativa.
Entre elas está o Meu Primeiro Emprego, que combina formação técnica e incentivos à contratação.
Eduardo Paes Prioriza Ambiente De Negócios E Investimentos
Eduardo Paes (PSD) ainda não havia apresentado plano de governo ao TSE, mas suas declarações públicas indicam foco na reorganização do estado e na criação de um ambiente mais favorável aos investimentos.
O candidato defende menos burocracia, maior previsibilidade e segurança jurídica para empresas.
Entre os setores considerados estratégicos estão petróleo e gás, turismo, energia, logística, inovação, cultura e indústria.

Paes também cita o potencial do Sul Fluminense para a expansão da indústria automobilística e defende a transformação do Rio em um polo de energia, turismo e tecnologia.
Outra proposta é recuperar os 32 mil quilômetros de rodovias estaduais, com o argumento de reduzir custos de transporte e facilitar o escoamento da produção.
Juliete Pantoja Propõe Mais Participação Do Estado
Juliete Pantoja (UP) defende uma ampliação da participação direta do Estado na economia.
O programa prevê auditoria da dívida pública e suspensão dos pagamentos enquanto forem analisadas possíveis irregularidades.
A candidata também quer revisar benefícios fiscais concedidos a grandes empresas e aumentar a cobrança de grandes devedores.
Outra proposta é criar um banco estadual para oferecer crédito a pequenos comerciantes, cooperativas e moradores de periferias.
Na geração de empregos, o programa prevê frentes emergenciais de trabalho coordenadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado (EMOP), com atuação em obras de saneamento, habitação, urbanização e transporte.
Luan Monteiro Defende Estatizações E Cancelamento De Dívidas
Luan Monteiro (PCO) apresenta uma proposta baseada em uma transformação ampla do modelo econômico.
O programa prevê o cancelamento das dívidas com bancos e grandes credores, além da revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal e de regras de controle de despesas.
O candidato também defende a estatização de reservas minerais, refinarias e empresas privatizadas.
Na área tributária, propõe retirar impostos sobre consumo e salários e concentrar a arrecadação sobre grandes fortunas e ganhos de grandes grupos econômicos.
O plano também prevê a criação de um banco estatal único e reajuste emergencial de 50% nos salários. O próprio programa, porém, ressalta que boa parte das propostas é de âmbito federal e não detalha medidas específicas para o governo fluminense.
William Siri Defende Reindustrialização E Banco Público
William Siri (PSOL) propõe utilizar o Estado como indutor do desenvolvimento econômico.
O candidato defende a redução de cargos comissionados, reorganização de secretarias e limitação de contratações temporárias e terceirizações.
Na área financeira, propõe negociar juros menores e prazos mais longos para a dívida estadual e realizar auditorias em dívidas, concessões e contratos.
A principal proposta de desenvolvimento é a criação do BADERJ, banco público voltado ao financiamento de projetos de reindustrialização, infraestrutura, saúde, transição energética e inovação.
O programa também prevê triplicar as matrículas do Ensino Médio Técnico e colocar 30 CIEPs em funcionamento no primeiro ano.
O Que Muda Para O Eleitor
A comparação mostra que os candidatos partem de diagnósticos semelhantes, mas apresentam soluções bastante diferentes.
Enquanto alguns apostam em redução de despesas, revisão de incentivos fiscais, privatizações e atração de capital privado, outros defendem mais presença estatal, reestatizações, bancos públicos e ampliação dos investimentos sociais.
A dependência dos royalties do petróleo também aparece como um dos principais desafios. As propostas variam entre investir parte dessa receita para criar uma reserva de longo prazo e utilizar os recursos diretamente em infraestrutura, emprego e desenvolvimento regional.
Para o eleitor, a diferença estará principalmente na forma como cada candidato pretende equilibrar as contas do estado sem comprometer investimentos e serviços públicos.
Entenda O Contexto
A economia aparece como um dos principais temas da eleição para o governo do Rio de Janeiro em 2026 porque o próximo governador terá de conciliar contas públicas, investimentos, geração de empregos e a forte dependência das receitas do petróleo. Os candidatos apresentam projetos que vão de uma agenda de redução de gastos, revisão de incentivos fiscais e atração de empresas até propostas de maior intervenção estatal, com bancos públicos, reestatizações e ampliação de programas sociais. Eduardo Paes ainda não havia registrado um plano de governo no TSE quando as propostas foram reunidas, por isso suas posições foram levantadas a partir de entrevistas, sabatinas e publicações. O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro.
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