Sam Altman admite erro sobre adoção da IA e diz que mudança será mais lenta que o esperado

CEO da OpenAI afirma que subestimou a força dos hábitos e da “inércia” econômica e social na transformação provocada pela inteligência artificial
Redação NC News
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O CEO da OpenAI, Sam Altman, admitiu que errou ao estimar a velocidade com que a inteligência artificial seria incorporada ao cotidiano de empresas e trabalhadores. Segundo ele, a tecnologia avançou mais rapidamente do que a capacidade das pessoas e da economia de mudar hábitos.

A avaliação foi feita durante conversa com o empresário e podcaster David Senra. Altman afirmou que a própria experiência com ferramentas da OpenAI mostra o tamanho do desafio: mesmo tendo acesso a sistemas avançados, ele ainda utiliza o computador de maneira semelhante ao que fazia há duas décadas.

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Entenda O Que Sam Altman Reconheceu

Altman afirmou que a indústria de tecnologia foi otimista demais ao prever a velocidade da transformação provocada pela IA.

Na avaliação do executivo, o problema não está necessariamente na capacidade dos sistemas, mas na dificuldade de modificar comportamentos construídos durante anos.

Ele citou a chamada inércia econômica e social como um dos principais motivos para a adoção ocorrer em um ritmo mais lento do que o esperado.

A ideia é simples: mesmo quando uma tecnologia nova oferece recursos melhores, pessoas e empresas continuam utilizando ferramentas e processos antigos porque já estão acostumadas com eles.

Até Altman Continua Usando Hábitos Antigos

Um dos exemplos mais curiosos apresentados pelo próprio CEO da OpenAI é sua rotina de trabalho.

Altman afirmou que, mesmo utilizando ferramentas como o Codex, ainda mantém práticas antigas, como copiar informações entre diferentes aplicativos, lidar com e-mails da maneira tradicional e administrar tarefas com métodos que já utilizava há anos.

Para ele, isso mostra que a mudança não depende apenas da existência de uma tecnologia melhor.

É necessário que o usuário perceba uma vantagem suficientemente grande para abandonar o método ao qual já está acostumado.

O “Momento Iphone” Da Inteligência Artificial Ainda Não Chegou

Altman comparou o atual estágio da inteligência artificial ao período anterior à popularização do iPhone.

Segundo ele, diversas peças tecnológicas já estão disponíveis, mas ainda falta um produto ou uma experiência capaz de mudar completamente a maneira como as pessoas interagem com computadores.

A comparação sugere que a IA já possui capacidade técnica para transformar rotinas, mas ainda não encontrou, em escala, uma interface tão intuitiva e indispensável quanto o smartphone se tornou.

O próprio executivo reconhece que essa transformação pode levar mais tempo do que imaginava.

Empresas Também Terão De Mudar O Jeito De Trabalhar

A mudança também passa pelo ambiente corporativo.

Empresas podem adotar ferramentas de inteligência artificial sem necessariamente alterar processos internos. Com isso, a tecnologia acaba funcionando como uma camada adicional sobre métodos antigos, em vez de substituir a lógica de trabalho.

A avaliação de Altman é especialmente relevante para a OpenAI, que aposta na expansão do uso de IA por empresas e profissionais.

A adoção, portanto, não depende apenas de modelos mais inteligentes. Ela exige mudanças na maneira como pessoas trabalham, tomam decisões e organizam suas atividades.

Altman Também Reconhece Erros Nas Previsões

A declaração representa uma revisão importante no discurso sobre a velocidade da transformação provocada pela IA.

O executivo reconhece que houve excesso de otimismo em relação ao cronograma de adoção. A tecnologia pode avançar em ritmo acelerado, enquanto mudanças econômicas e comportamentais acontecem de forma muito mais gradual.

Essa diferença ajuda a explicar por que o desenvolvimento dos modelos pode parecer muito mais rápido do que a transformação efetiva de empresas e profissões.

Openai Quer Se Concentrar Em Modelos E Infraestrutura

Enquanto reconhece que a adoção pode ser mais lenta, Altman mantém uma visão ambiciosa sobre o futuro da tecnologia.

Ele afirmou que a prioridade da OpenAI está no desenvolvimento de modelos mais inteligentes e na expansão da capacidade computacional necessária para oferecê-los em larga escala.

Isso envolve uma cadeia que passa por chips, data centers, energia, logística e infraestrutura, tornando a expansão da IA também um gigantesco projeto econômico.

A estratégia da empresa é concentrar recursos em inteligência artificial, trabalho baseado em conhecimento e descobertas científicas, evitando dispersão em produtos considerados menos estratégicos.

Os Dois Riscos Que Mais Preocupam O Executivo

Altman também apontou dois riscos que considera especialmente importantes no avanço da inteligência artificial: perda de controle sobre sistemas muito poderosos e concentração excessiva de poder.

Na avaliação dele, não seria desejável que poucas empresas, pessoas ou sistemas de IA acumulassem influência desproporcional sobre o futuro.

Para o executivo, o desenvolvimento da tecnologia deve continuar mantendo os seres humanos no centro das decisões.

Entenda O Contexto

A declaração de Sam Altman coloca em perspectiva uma das principais contradições do atual avanço da inteligência artificial: os sistemas evoluem rapidamente, mas a sociedade não muda na mesma velocidade.

O CEO da OpenAI reconheceu que subestimou essa resistência e afirmou que a adoção será mais gradual do que algumas previsões indicavam. A própria rotina de Altman é usada como exemplo, já que ele admite continuar trabalhando com métodos antigos apesar de ter acesso às ferramentas mais avançadas da empresa.

A avaliação indica que a próxima grande transformação da IA dependerá menos apenas de modelos mais poderosos e mais da capacidade de criar produtos que façam pessoas e empresas realmente abandonarem velhos hábitos.

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