Depois das canetas para emagrecer, indústria testa “canetas” para ganhar músculos

Mais de 40 substâncias estão em desenvolvimento no mundo para combater a perda de massa muscular; as candidatas mais avançadas atuam sobre proteínas que funcionam como um “freio” do crescimento muscular.
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O sucesso das chamadas canetas emagrecedoras abriu uma nova frente de pesquisa na indústria farmacêutica: medicamentos capazes de preservar ou aumentar a massa muscular.

Segundo as informações apresentadas na pauta, há pelo menos 40 substâncias candidatas em testes no mundo. E há uma diferença importante: elas não são esteroides anabolizantes.

As pesquisas mais avançadas buscam interferir em proteínas como a miostatina e a activina, que participam dos mecanismos que limitam o crescimento dos músculos.

O músculo tem um “freio” natural

De forma simplificada, a miostatina atua como uma espécie de freio biológico para o crescimento muscular. A ideia dos novos medicamentos é bloquear ou modificar esse mecanismo para favorecer a manutenção ou o aumento da massa muscular.

É justamente aí que está uma das principais apostas da indústria: encontrar uma forma de combater a perda muscular sem recorrer a hormônios anabolizantes.

Mas ainda existe um longo caminho entre uma substância promissora nos testes e um medicamento disponível nas farmácias.

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Quando essas novas drogas podem chegar?

A expectativa apresentada na pauta é que, se forem aprovadas nos Estados Unidos, as primeiras opções possam chegar ao Brasil por volta de 2028 ou 2029.

Isso, porém, depende dos resultados dos estudos, das aprovações regulatórias e de questões relacionadas à segurança e à eficácia.

Ou seja: não se trata de uma nova “caneta para músculos” já disponível para o consumidor brasileiro.

Exercício continua sendo fundamental

Apesar do avanço das pesquisas, especialistas fazem um alerta importante: nenhum medicamento substitui a atividade física.

É o exercício que estimula os músculos e é fundamental para preservar força e funcionalidade.

Por isso, a possível chegada desses medicamentos não significa que academia, caminhada, musculação ou outras atividades físicas perderão importância.

A discussão é justamente outra: como a medicina poderá ajudar pessoas que apresentam perda significativa de massa muscular ou dificuldade para preservá-la.

O que pode mudar?

Se essas pesquisas forem bem-sucedidas e os medicamentos forem aprovados, uma nova categoria de tratamentos poderá surgir.

O interesse é especialmente grande diante do envelhecimento da população e de doenças ou condições que podem provocar perda de massa muscular.

Mas a promessa precisa ser tratada com cautela. Ainda existem estudos em andamento e não há garantia de que todas as substâncias em teste chegarão ao mercado.

Entenda o contexto

A mesma indústria que avançou rapidamente no desenvolvimento de medicamentos para controle do peso agora investe em uma questão complementar: o que acontece com os músculos durante o processo de emagrecimento e envelhecimento?

A nova geração de pesquisas tenta atuar diretamente nos mecanismos biológicos relacionados à massa muscular.

Se os resultados confirmarem segurança e eficácia, os primeiros medicamentos poderão representar uma mudança importante na forma de tratar a perda muscular.

Mas, por enquanto, a regra continua sendo simples: não existe medicamento capaz de substituir o estímulo provocado pelo exercício.

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