Ibovespa agosto fecha em alta de 1,92% com salto da Petrobras

Ibovespa sobe quase 2% em agosto impulsionado por alta no preço do petróleo e reajuste do QAV, refletindo no desempenho da Petrobras.
Redação NC News
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O Ibovespa sobe 1,92% e alcança 180.817,62 pontos, embalado pela desaceleração do PIB e pelo rali das ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo.

PIB mais fraco acende aposta em corte da Selic

O movimento começa com a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto do segundo trimestre, que cresce 0,5% frente aos três meses anteriores. O número supera a expectativa de 0,4%, mas confirma perda de fôlego da economia, depois de uma expansão de 1,1% no início do ano.

A leitura de investidores é direta: uma economia que desacelera, mesmo com algum crescimento, aumenta a pressão para que o Banco Central reduza os juros. A Selic permanece em patamar elevado, entre 14% e 14,75% ao ano no segundo trimestre, o que freia crédito, consumo e investimentos.

Nos contratos futuros de juros, a curva embute agora uma queda de 0,5 ponto percentual na Selic até abril de 2027. Esse ajuste reforça a migração de recursos para a renda variável e ajuda a explicar por que o Ibovespa Brasil reage com força nesta semana.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que a economia ainda encontra sustentação em alguns pilares. “Esse conjunto de fatores tem evitado uma perda de fôlego mais intensa e mantido o PIB em alta, ainda que em ritmo mais moderado”, afirma.

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Agro puxa o PIB; consumo sente juros altos

Os dados do IBGE mostram que a agropecuária segue como motor relevante, com crescimento de 2,8% no trimestre. O setor de serviços, que responde pela maior fatia do PIB, avança 0,2%, enquanto a indústria tem alta tímida de 0,1%.

O quadro confirma uma economia que não para, mas anda devagar. Segmentos dependentes de crédito, como comércio de bens duráveis, construção e varejo voltado às famílias, sentem o peso dos juros de dois dígitos. Empresas mais alavancadas também sofrem com o custo financeiro elevado.

A combinação de PIB positivo, porém mais fraco, e perspectiva de alívio gradual na Selic melhora a percepção de risco dos ativos brasileiros. Para quem acompanha o Ibovespa como funciona, o recado é que o índice responde menos ao dado isolado e mais à trajetória esperada de crescimento e juros.

Petrobras dispara e puxa o índice

No pregão, Petrobras assume o papel de protagonista. As ações ordinárias e preferenciais avançam 2,47%, cotadas a 46,13 reais, e tornam-se um dos principais motores da alta do Ibovespa B3. O papel se beneficia de dois vetores simultâneos.

De um lado, o preço do petróleo sobe no mercado internacional, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que aumenta o prêmio de risco sobre as commodities energéticas. De outro, a própria estatal anuncia reajuste de 13,9% no preço do querosene de aviação vendido às distribuidoras.

O aumento, equivalente a 68 centavos por litro, faz o QAV acumular alta de 53,3% neste ano em relação a dezembro passado, ou 1,94 real por litro. A decisão reforça a percepção de capacidade da empresa de repassar custos e preservar margens, o que costuma agradar acionistas, mas pressiona companhias aéreas e, na ponta final, o consumidor.

“A alta do petróleo no mercado internacional favorece as empresas do setor, que têm peso relevante no Ibovespa”, resume Gustavo Assis, CEO da Asset. O comentário ajuda a explicar por que o desempenho de poucas blue chips consegue mexer com o índice inteiro.

Bolsa em alta, dólar em queda

Enquanto as ações sobem, o câmbio se movimenta na direção oposta. O dólar recua 0,77%, para 5,14 reais, aliviando parte da pressão inflacionária e barateando importações de insumos e bens de capital. Para empresas exportadoras, porém, a moeda mais fraca significa receita menor em reais.

Na prática, a sessão oferece um retrato complexo. O investidor que mantém posição em Ibovespa futuro monitora ao mesmo tempo a queda dos juros projetados, o alívio no câmbio e o impacto de choque de petróleo. Em comum, todos os elementos convergem para um dia de maior apetite ao risco na Bolsa brasileira.

Setores ligados a energia e agropecuária tendem a sair ganhando desse ambiente. Empresas dependentes de consumo doméstico ainda encaram juros altos e crédito caro, mesmo com a sinalização de cortes à frente. No pano de fundo, a guerra que sustenta o petróleo em patamar elevado segue como risco relevante para os preços e para o humor do mercado.

Claudia Moreno prevê que a desaceleração do PIB continua, com a Selic ainda em nível restritivo, embora em trajetória de queda. A avaliação é compartilhada por gestores que veem espaço para mais entrada de capital estrangeiro na B3, desde que o cenário externo não piore e a política doméstica não crie novos ruídos.

Para o investidor pessoa física, o recado de hoje é ambíguo. A alta de quase 2% do Ibovespa anima e reforça a atratividade da renda variável, mas também expõe a sensibilidade do índice a choques de commodities e decisões de política monetária. A volatilidade permanece no radar.

Os próximos capítulos dependem das próximas leituras de inflação e do tom adotado pelo Banco Central em suas comunicações. Se a desaceleração da atividade se confirmar sem nova pressão inflacionária, a agenda de cortes na Selic tende a ganhar força. Nesse cenário, ações ligadas a juros, construção e varejo podem, enfim, dividir o protagonismo com Petrobras e o setor de commodities na composição do Ibovespa empresas.

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