A derrota do Cruzeiro para o Atlético-MG acabou tendo um efeito inesperado na eleição em Minas Gerais. O petista Ramsés de Castro anunciou nesta quarta-feira (2/9) a renúncia à candidatura a deputado federal, depois de ter condicionado publicamente sua permanência na disputa ao resultado do clássico pela semifinal da Copa do Brasil.
Além da questão esportiva, Castro vinha reclamando da falta de recursos para a campanha. No pedido apresentado à Justiça Eleitoral, o candidato afirmou que decidiu deixar a corrida eleitoral após tomar conhecimento de que não receberia recursos do Fundo Eleitoral por parte do Partido dos Trabalhadores.
A renúncia foi formalizada um dia depois de o Cruzeiro perder por 2 a 1 para o Atlético-MG e ser eliminado da competição. Antes da partida, o petista havia dito que protocolaria o pedido caso o rival saísse vencedor.
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Decisão foi anunciada antes do clássico
Na terça-feira (1º), antes da partida, Castro publicou nas redes sociais que havia colocado sua candidatura em xeque por causa do resultado do confronto entre os dois clubes.
“É a primeira vez na minha vida que eu coloco minha decisão condicionada a um jogo, mas eu pedi para Deus e me veio essa ideia. […] Se o Atlético vencer, logo depois do jogo eu já protocolo meu pedido de renúncia perante o site do TRE-MG”, afirmou.
Com a vitória do Atlético-MG por 2 a 1, o Cruzeiro acabou eliminado. Após o resultado, Castro confirmou a decisão e disse que “assim quis a Providência Divina”.
O pedido foi protocolado nesta quarta-feira e agora será analisado pela Justiça Eleitoral.
Falta de recursos também pesou na decisão
Apesar da relação com o clássico ter chamado atenção, a reclamação sobre dinheiro para a campanha já vinha sendo feita pelo candidato.
No documento encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Castro citou “indefinições” e “falta de informações” e afirmou ter tomado conhecimento de que não receberia recursos do Fundo Eleitoral do PT.
“Discordar das indefinições, falta de informações e principalmente por ter tido conhecimento, do não repasse do Fundo Eleitoral por parte do partido no qual sou filiado (Partido dos Trabalhadores)”, escreveu o candidato no pedido de renúncia.
A declaração faz parte da justificativa apresentada oficialmente à Justiça Eleitoral para a saída da disputa.
Reclamações expõem tensão dentro do PT em Minas
A situação de Ramsés de Castro ocorre em meio a uma crise interna envolvendo candidatos do PT em Minas Gerais. Segundo relatos divulgados durante a campanha, outros 25 petistas afirmam não ter recebido recursos do Fundo Eleitoral para financiar suas candidaturas.
A distribuição dos recursos passou a ser motivo de cobrança dentro do partido, com candidatos questionando os critérios utilizados para definir os repasses.
No caso de Castro, a ausência de recursos aparece entre os motivos apresentados para a renúncia, mas a decisão também foi vinculada por ele ao resultado do clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG.
O que acontece agora com a candidatura?
Com a renúncia, Ramsés de Castro deixa de disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. O pedido ainda precisa seguir os trâmites da Justiça Eleitoral para que a situação da candidatura seja oficialmente atualizada.
A saída ocorre durante o período de campanha e em meio à discussão sobre a distribuição dos recursos partidários entre os candidatos do PT em Minas.
A decisão também ganhou repercussão por uma circunstância incomum: antes mesmo do jogo, o próprio candidato anunciou que o resultado do clássico seria determinante para sua permanência na eleição.
Entenda o contexto
Ramsés de Castro não é o único candidato petista em Minas Gerais a reclamar da falta de recursos para a campanha. A distribuição do Fundo Eleitoral se tornou um ponto de tensão entre integrantes da legenda, especialmente entre aqueles que afirmam estar disputando a eleição sem o financiamento esperado.
No caso de Castro, a questão financeira se somou a uma decisão pessoal anunciada publicamente antes de um dos principais clássicos do futebol mineiro.
Com a vitória do Atlético-MG por 2 a 1, o Cruzeiro foi eliminado, e o candidato cumpriu a promessa feita antes da partida: protocolou a renúncia à candidatura no dia seguinte.