ApexBrasil libera R$ 210 milhões para empresas afetadas pelas tarifas dos EUA

Plano pretende ajudar 5,3 mil empresas brasileiras a encontrar novos compradores e mercados diante das mudanças nas taxas de importação americanas
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras estão levando empresas a buscar alternativas para reduzir a dependência do mercado americano. Para ajudar nesse processo, a ApexBrasil estruturou um plano com R$ 210 milhões destinados à abertura de novos mercados internacionais.

A iniciativa pretende apoiar cerca de 5,3 mil empresas por meio de mais de 300 ações voltadas a 35 setores estratégicos da economia brasileira, incluindo alimentos e bebidas, calçados, couro, frutas, máquinas, equipamentos e diferentes segmentos da indústria.

VEJA TAMBÉM

Brasil e EUA retomam negociação sobre tarifaço após ligação entre Lula e Trump

Empresas buscam alternativas aos Estados Unidos

A estratégia da ApexBrasil é ampliar o número de destinos para os produtos brasileiros e diminuir os riscos provocados pela concentração das vendas em um único mercado.

O plano prevê reuniões de negócios, participação em feiras internacionais, conexão com compradores estrangeiros e consultorias especializadas. Empresas afetadas pelas tarifas americanas também poderão ter acesso a apoio financeiro por meio do chamado Bolsa Exportação.

Segundo a agência, a intenção não é abandonar os Estados Unidos, mas criar novas possibilidades enquanto o Brasil tenta preservar e ampliar o acesso ao mercado americano.

China, Europa e Ásia entram no radar

A ApexBrasil mapeou 36 mercados prioritários para a estratégia de diversificação.

Entre os destinos estão Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Índia, Indonésia, Cingapura e China.

A Europa também ganhou destaque diante das novas oportunidades comerciais relacionadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

A agência avalia que a abertura de novos canais pode tornar as empresas brasileiras menos vulneráveis a mudanças repentinas nas políticas comerciais de grandes parceiros.

Estados Unidos continuam sendo mercado importante

Apesar da estratégia de diversificação, a ApexBrasil afirma que o mercado americano continua sendo considerado estratégico.

O presidente da agência, Laudemir Müller, defende uma atuação simultânea: buscar novos compradores e, ao mesmo tempo, trabalhar para ampliar as exportações brasileiras que continuam viáveis nos Estados Unidos.

A ideia é evitar que empresas brasileiras percam relações comerciais construídas ao longo de anos por causa das novas barreiras tarifárias.

Exportações brasileiras já mostram mudança

Dados apresentados pela ApexBrasil indicam que as empresas apoiadas pela agência já possuem presença significativa em diferentes mercados.

No primeiro semestre de 2026, segundo os números apresentados no plano, as exportações brasileiras chegaram a aproximadamente US$ 220 bilhões, acima dos cerca de US$ 200 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Ao mesmo tempo, houve redução nas exportações para os Estados Unidos, enquanto outros destinos apresentaram crescimento.

Entre os destaques estão a China, com aumento de US$ 11,3 bilhões, a Índia, com alta de US$ 2,7 bilhões, e a Europa, com crescimento de US$ 3,1 bilhões, segundo os dados apresentados pela ApexBrasil.

Pequenas empresas também estão no foco

A estratégia não é voltada apenas para grandes exportadoras.

A ApexBrasil afirma que mais da metade das aproximadamente 24 mil empresas atendidas pela agência são pequenas ou médias empresas.

O objetivo é ajudar esses negócios desde a preparação para a exportação até a identificação de compradores internacionais.

Para a agência, entrar em um novo país exige conhecimento sobre legislação, certificações, hábitos dos consumidores, logística e condições de pagamento.

Entrar em outro mercado pode levar até dois anos

A abertura de um novo destino comercial não acontece de forma imediata.

Segundo Laudemir Müller, algumas empresas podem fechar negócios nos primeiros meses, mas a consolidação de uma operação internacional normalmente leva entre 12 e 24 meses, considerando prospecção, negociação, adequações técnicas e construção de relacionamento com compradores.

Por isso, a estratégia combina medidas de resultado rápido, como rodadas de negócios, com ações de médio e longo prazo.

Como as empresas podem participar

As empresas interessadas podem buscar as iniciativas da ApexBrasil diretamente ou por meio das 29 entidades setoriais parceiras.

Entre as informações solicitadas estão o produto exportado, o código correspondente da mercadoria e o tipo de apoio necessário.

A agência oferece ferramentas para identificar mercados com maior potencial, conectar empresas a compradores e auxiliar na preparação necessária para iniciar ou ampliar operações internacionais.

LEIA TAMBÉM

Trump abre espaço para negociar tarifaço com Lula, mas Planalto vê eleição no caminho

Entenda O Contexto

As tarifas americanas aumentaram a pressão sobre empresas brasileiras que dependem do mercado dos Estados Unidos, mas também aceleraram uma estratégia que já vinha sendo adotada pelo país: ampliar a presença dos produtos nacionais em diferentes regiões do mundo. A proposta da ApexBrasil é transformar essa necessidade em uma oportunidade de diversificação, aproximando empresas de compradores na Ásia, Europa, América do Norte e África.

O desafio é fazer com que essa expansão seja sustentável, já que conquistar um novo mercado exige adaptação de produtos, certificações, conhecimento das regras locais e construção de relações comerciais. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam sendo um parceiro importante, fazendo com que o Brasil trabalhe em duas frentes: preservar as vendas que continuam viáveis no mercado americano e abrir espaço para novos destinos.

AS MAIS LIDAS

PRF intercepta transporte irregular de pescado e cumpre mandado de prisão na BR-210 no Amapá

Cachoeira mais alta de MG é reaberta após interdição por risco e novas medidas de segurança

Receita Federal do Brasil libera Simples 2027 e muda CPF hoje

Carregar Comentários