A extrema direita conquistou uma vitória histórica na Alemanha neste domingo (6). A Alternativa para a Alemanha (AfD) foi a força mais votada nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt, no leste do país, com mais de 44% dos votos.
O resultado representa a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema direita vence uma eleição estadual na Alemanha. Apesar da votação expressiva, a AfD não alcançou sozinha a maioria necessária para formar o governo.
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Entenda o que aconteceu
A eleição colocou a AfD diante de seu maior resultado em uma disputa estadual alemã. A legenda obteve cerca de 44% dos votos, mais que o dobro dos 20,8% conquistados na eleição anterior, em 2021.
O resultado foi ainda mais significativo pela derrota da União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz. A legenda, que havia obtido 37,1% dos votos em 2021, caiu para aproximadamente 18,5% e terminou em segundo lugar.
A participação eleitoral também foi elevada. Cerca de 76,5% dos eleitores compareceram às urnas, segundo os dados divulgados após a votação.

AfD fica perto da maioria absoluta
Apesar da vitória expressiva, a AfD não conseguiu conquistar sozinha o número de cadeiras necessário para governar.
O Parlamento estadual da Saxônia-Anhalt tem 83 cadeiras, e são necessários 42 deputados para alcançar a maioria absoluta. Com o resultado, a AfD ficou a aproximadamente três cadeiras da maioria.
Isso significa que a legenda terá de negociar para tentar formar um governo ou depender de alguma forma de apoio parlamentar.
O problema é que os principais partidos alemães mantêm uma política de não formar coalizões com a AfD, o que pode dificultar a construção de uma maioria.
Vitória coloca Ulrich Siegmund no centro da política alemã
O principal candidato da AfD na eleição foi Ulrich Siegmund, de 35 anos, que conduziu uma campanha baseada em temas como imigração, segurança e críticas ao governo federal.
Após o resultado, Siegmund afirmou que os eleitores enviaram um sinal de que a situação política do país não pode continuar como está.
A estratégia da AfD conseguiu transformar a insatisfação com a política nacional em uma votação histórica no estado, especialmente em uma região da antiga Alemanha Oriental onde o partido possui uma das suas bases eleitorais mais fortes.

Derrota da CDU aumenta pressão sobre Friedrich Merz
O resultado também representa um duro golpe para o chanceler Friedrich Merz.
A CDU governava a Saxônia-Anhalt desde 2002 e havia terminado a eleição de 2021 como a principal força política do estado. A queda para cerca de 18,5% representa uma perda expressiva de apoio.
A derrota deve aumentar a pressão sobre Merz e sobre a estratégia nacional da CDU, especialmente porque a AfD vem ampliando sua presença eleitoral em diferentes regiões do país.
A votação também fortalece os setores do partido que defendem uma resposta mais dura ao crescimento da extrema direita.
Outros partidos terão papel decisivo
Com a AfD sem maioria absoluta, os demais partidos passam a ter papel fundamental na definição do próximo governo estadual.
Partidos como SPD, Os Verdes e Die Linke ficaram em torno de 9% cada, enquanto a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) conseguiu superar a cláusula de barreira de 5%.
A composição final do Parlamento determinará quais combinações serão matematicamente possíveis.
O cenário mais delicado está justamente na possibilidade de a AfD ser a maior bancada, mas não conseguir reunir aliados suficientes para assumir o governo.
Resultado quebra tabu na política alemã
A vitória da AfD tem um peso que ultrapassa a política regional.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, partidos de extrema direita não haviam conseguido vencer uma eleição estadual e ficar tão próximos de assumir o controle de um governo regional.
Por isso, o resultado é considerado uma quebra de tabu na política alemã.
A AfD já havia se consolidado como uma das principais forças de oposição no país, mas a vitória na Saxônia-Anhalt mostra que o partido conseguiu transformar seu crescimento eleitoral em domínio regional.
Imigração e insatisfação impulsionaram campanha
A campanha da AfD explorou temas que vêm provocando forte debate na Alemanha, especialmente imigração, segurança e insatisfação com o governo federal.
A legenda defende políticas mais rígidas para migrantes e refugiados e mantém posições que a colocam à direita dos partidos tradicionais.
O resultado também reflete uma insatisfação mais ampla com a política nacional. A percepção de que o governo não consegue responder a problemas econômicos e sociais ajudou a abrir espaço para a oposição de direita.
Próximas eleições serão observadas de perto
A vitória na Saxônia-Anhalt deve aumentar a atenção sobre as próximas eleições regionais alemãs.
O resultado mostra que a AfD possui condições de disputar o primeiro lugar mesmo fora de suas áreas tradicionais de influência e aumenta a pressão sobre os partidos tradicionais para conter o avanço da legenda.
A disputa pelo governo da Saxônia-Anhalt também servirá como teste para saber até onde os demais partidos estão dispostos a manter o isolamento político da AfD.
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Entenda O Contexto
A AfD surgiu em 2013 e, inicialmente, tinha como principal bandeira a oposição ao euro. Com o passar dos anos, o partido deslocou seu foco para temas como imigração, nacionalismo e críticas à integração europeia, tornando-se uma das principais forças da direita radical alemã.
O crescimento da legenda ganhou força principalmente no leste da Alemanha, região que fazia parte da antiga Alemanha Oriental. Nas eleições federais de 2025, a AfD já havia se consolidado como a principal força de oposição nacional, ampliando sua presença no Parlamento alemão.
A vitória na Saxônia-Anhalt representa, portanto, um novo estágio para o partido. Pela primeira vez no período pós-guerra, uma legenda de extrema direita vence uma eleição estadual alemã e fica próxima de formar um governo. A ausência de maioria absoluta, porém, mantém aberta a disputa sobre quem efetivamente comandará o estado.
O resultado também coloca Friedrich Merz diante de uma dificuldade política importante. A derrota da CDU mostra que o crescimento da AfD não está restrito à oposição ao governo federal, mas já produz consequências concretas na composição dos governos regionais.
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