A nova pesquisa presidencial da Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra um eleitorado que coloca integridade e compromisso democrático no centro da escolha e mantém a disputa nacional fortemente polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O levantamento, encomendado por veículos do Grupo Globo, ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em todo o país, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026.
Integridade pesa mais que ideologia na urna
Entre as características mais valorizadas em um candidato a presidente, 31% dos entrevistados apontam não estar envolvido com corrupção como requisito número um. Em seguida, 28% citam compromisso com a democracia. Ser duro no combate à violência e ao crime aparece em terceiro lugar, com 15%.
Esse recorte expõe uma hierarquia clara de prioridades. A experiência política, por exemplo, é citada por apenas 9%. Ser religioso aparece com 4%, enquanto ser crítico ao Supremo Tribunal Federal soma só 2%. A maior parte do eleitorado, portanto, demonstra preocupação com conduta e valores, mais do que com perfil ideológico ou alinhamentos institucionais específicos.
Quando a pergunta vira de lado e trata das razões para rejeitar um candidato, o padrão se repete. Estar envolvido com corrupção é o fator mais decisivo para o voto contra, com 40%. Em seguida vêm não ter compromisso com a democracia, com 21%, e ser fraco no combate à violência e ao crime, com 13%.
Os dados sugerem que candidatos associados a escândalos de corrupção ou a discursos percebidos como autoritários entram na campanha em desvantagem estrutural. Ao mesmo tempo, reforçam o espaço para discursos anticorrupção combinados com defesa explícita das regras do jogo democrático.
Polo lulista valoriza democracia; bolsonarista mira corrupção
A pesquisa detalha ainda como lulistas, bolsonaristas e independentes organizam essas prioridades. Entre eleitores identificados com Lula, a característica mais importante é compromisso com a democracia, citada por 29%. No grupo alinhado ao bolsonarismo, o topo da lista é não ter ligação com corrupção, com 41%.
Entre independentes, que tendem a decidir a eleição, 33% apontam ausência de envolvimento com corrupção como principal critério, e 26% destacam a defesa da democracia. A combinação indica que o espaço fora da polarização também está ancorado nesses dois eixos, e não em temas identitários ou religiosos.
Na prática, campanhas que tentarem deslocar o debate para pautas secundárias correm o risco de falar sozinhas. A pressão é para que presidenciáveis apresentem propostas concretas de integridade institucional, combate a desvio de recursos públicos e proteção a regras democráticas.
Lula lidera, Flávio encosta, Cury ocupa espaço do meio
No cenário de primeiro turno testado pela Quaest, Lula aparece com 37% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro vem em seguida, com 29%, consolidando a continuidade da disputa entre lulistas e bolsonaristas como eixo dominante da corrida presidencial.
Fora desse embate direto, Augusto Cury alcança 10% e se firma como principal alternativa na faixa intermediária do eleitorado. Renan Santos marca 3%, enquanto Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 1% cada.
A pesquisa também simula cinco cenários de segundo turno, todos com Lula: contra Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Caiado e Zema. Os números completos ainda servem como termômetro do potencial de crescimento e da rejeição de cada nome, informação crucial para negociações partidárias e montagem de frentes políticas nas próximas semanas.
O questionário inclui ainda perguntas sobre medo da volta da família Bolsonaro ao poder versus temor de um novo mandato de Lula, avaliação do governo atual, percepção da economia e interesse pela eleição. Esse conjunto deve orientar o discurso de campanha tanto no campo governista quanto na oposição.
Minas em disputa e radar sobre o Senado
Em Minas Gerais, a Quaest realiza pesquisa presencial para governo e Senado, com trabalho de campo entre os dias 4 e 7 de setembro e margem de erro de 3 pontos percentuais. A divulgação ocorre nesta semana e já movimenta bastidores em Belo Horizonte e Brasília.
No último levantamento conhecido para o governo mineiro, Cleitinho Azevedo lidera com 29% das intenções de voto, seguido por Patrus Ananias, com 11%, e Alexandre Kalil, com 10%. O quadro indica disputa fragmentada, com forte peso das alianças e do tempo de televisão na definição de quem chega competitivo à reta final.
Para o Senado, Marília Campos aparece na frente, com 15%. A cadeira mineira na Casa é estratégica para qualquer governo, tanto pela dimensão do colégio eleitoral quanto pela influência da bancada do estado em votações econômicas e de costumes.
Além da Quaest, uma pesquisa do Datafolha está programada para Minas, com entrevistas entre 8 e 11 de setembro. Os dois levantamentos, combinados, devem balizar reacomodações de chapas, recuos de candidaturas fracas e movimentos de aproximação com o Palácio do Planalto ou com a oposição federal.
Ruas aquecem a polarização em São Paulo
O clima de tensão institucional aparece também nas ruas. Em São Paulo, manifestações de 7 de setembro ganham novo eixo com o slogan “Fora Lula, Fora Moraes”, em referência ao presidente e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Lideranças de direita usam o feriado para testar a capacidade de mobilização e medir o engajamento à candidatura de Flávio Bolsonaro. O pastor Silas Malafaia, uma das vozes mais influentes desse campo, promete elevar o tom contra o ministro do STF. “Vai ser o meu mais duro discurso até hoje em tudo que é manifestação. Isso eu garanto”, afirma.
A radicalização retórica nas ruas dialoga diretamente com o que os eleitores declaram rejeitar na pesquisa: falta de compromisso com a democracia. Candidatos terão de calibrar a mensagem para agradar suas bases mais inflamadas sem afastar o eleitor moderado, que valoriza estabilidade institucional.
Com a sequência de pesquisas previstas e a intensificação dos atos políticos, a campanha entra em fase de ajustes finos. Estrategistas monitoram cada ponto percentual de intenção de voto e de rejeição para decidir onde investir tempo, recursos e alianças. O desempenho de Lula, Flávio Bolsonaro e das alternativas de centro nas próximas rodadas estatísticas deve definir quem realmente briga por vaga no segundo turno — e com qual narrativa.
O que a pesquisa Quaest mostra como mais importante para o eleitor?
A pesquisa Quaest mostra que 31% dos eleitores consideram não estar envolvido com corrupção o critério mais importante para escolher um presidente, 28% priorizam compromisso com a democracia e 15% valorizam ser duro no combate à violência e ao crime, sinalizando foco em integridade e defesa das instituições.
Quem lidera a disputa presidencial na pesquisa Quaest de hoje?
A pesquisa Quaest de hoje mostra Lula na liderança da corrida presidencial com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro com 29% e Augusto Cury com 10%, enquanto Renan Santos aparece com 3% e Ronaldo Caiado e Romeu Zema registram 1% cada.
Como está o cenário em Minas Gerais para governo e Senado?
O cenário em Minas Gerais, segundo o último levantamento conhecido da Quaest, tem Cleitinho Azevedo na frente para o governo, com 29%, seguido por Patrus Ananias, com 11%, e Alexandre Kalil, com 10%, enquanto para o Senado Marília Campos lidera com 15%, em quadro ainda aberto e sujeito a alianças.