Grupo Mateus corta 28 lojas e perde R$ 4,2 bi em um ano

Fechamento de lojas e demissões impactam fortemente o Grupo Mateus em seis estados brasileiros.
Redação NC News
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A fortuna de Ilson Mateus Rodrigues encolhe R$ 4,2 bilhões enquanto o Grupo Mateus fecha 28 lojas da bandeira Eletro Mateus e demite 6.673 funcionários em seis estados. A maior rede de supermercados do Maranhão, terceira do país, redesenha sua estratégia para priorizar rentabilidade e conter despesas.

Bilhões a menos e mudança de rota

O patrimônio estimado de Ilson Mateus, de 63 anos, cai de R$ 7,7 bilhões para R$ 3,5 bilhões no intervalo de um ano, conforme a lista mais recente de bilionários. A retração acompanha a piora de indicadores de lucro e vendas na companhia que ele fundou em Balsas, no sul do Maranhão.

O grupo, que atua em nove estados do Norte e Nordeste com cerca de 490 unidades, mantém crescimento robusto de vendas, mas sacrifica parte da margem no caminho. A reprecificação do negócio em Bolsa puxa para baixo a riqueza do fundador e de seus herdeiros, diretamente atrelada ao valor das ações.

Os filhos, Denilson Pinheiro Rodrigues e Ilson Mateus Rodrigues Junior, também veem o patrimônio recuar. Cada um passa de R$ 2,1 bilhões para R$ 1 bilhão, sinal de que o mercado reavalia o apetite pelo papel em meio a um plano de reestruturação duro e a pressões fiscais bilionárias.

28 lojas fechadas, 6,6 mil dispensados

No chão das lojas, a reviravolta aparece em números concretos. Entre o ano passado e o primeiro trimestre deste ano, o Grupo Mateus fecha 28 unidades da Eletro Mateus, bandeira voltada a eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. No mesmo período, o quadro de pessoal encolhe de 47,9 mil para 41,2 mil trabalhadores.

São 6.673 demissões, o equivalente a 13,9% da força de trabalho. As dispensas e fechamentos se espalham por Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia, estados onde o grupo costuma figurar entre os principais empregadores privados. A medida, admite a companhia em nota, “fez parte de um plano de otimização de portfólio”.

O discurso oficial é de ajuste para tempos mais apertados. A empresa informa que está revendo investimentos e expansão com critérios mais rígidos, concentrando recursos em unidades de supermercados e atacarejo que entregam retorno mais alto. Lojas consideradas pouco rentáveis deixam de ser prioridade, mesmo em mercados onde o Mateus construiu presença simbólica.

Receita cresce, lucro encolhe

O balanço mais recente traduz o choque de realidade. A receita líquida atinge R$ 9,85 bilhões no segundo trimestre, alta de 12,2% em relação ao mesmo período anterior. O lucro bruto sobe 10,4%, para R$ 2,31 bilhões, mostrando que o grupo continua vendendo mais e preservando parte da margem na gôndola.

O resultado final, porém, vem bem mais magro. O lucro líquido do trimestre fica em R$ 237 milhões, queda de 39,3% na comparação com um ano antes. As vendas nas mesmas lojas, indicador que elimina o efeito de aberturas e fechamentos, recuam 8%. Na prática, o Mateus precisa de mais esforço e mais volume para ganhar menos.

O cenário se complica com a cobrança de R$ 1,28 bilhão em autuação fiscal relacionada a créditos presumidos. O passivo pressiona o caixa e obriga a direção a adotar postura mais conservadora. Novos projetos passam por filtros adicionais e o ciclo de crescimento acelerado, que levou o grupo à Bolsa em uma oferta de R$ 4,6 bilhões, dá lugar a uma fase de consolidação.

Impacto social e blindagem política

As quase 7 mil demissões abalam mercados de trabalho já frágeis no interior nordestino. Em cidades médias do Maranhão e do Pará, trabalhadores relatam dificuldade para recolocação com salário semelhante. A redução de renda afeta o comércio local e pressiona prefeituras, que não dispõem de políticas robustas para amortecer o choque.

Ao mesmo tempo, o grupo tenta preservar sua imagem de investidor de longo prazo na região. Em inaugurações de supermercados, prefeitos se revezam em discursos de apoio. Em Caxias, o prefeito Gentil Neto celebra diante de funcionários e clientes: “Sextou com mais empreendimento na nossa cidade de Caxias, onde hoje nós estamos aqui entregando mais um supermercado Mateus”.

O tom é de parceria quase orgânica entre poder público e empresa. No mesmo evento, o prefeito reforça a aposta na presença do grupo: “O Grupo Mateus acredita no futuro de Caxias e também no nosso povo caxiense”. A mensagem tenta contrabalançar o impacto negativo das dispensas, reforçando a ideia de que, apesar dos cortes, a rede continua abrindo lojas e gerando empregos.

Do garimpo ao controle de um gigante

A trajetória de Ilson Mateus ajuda a dimensionar o momento atual. Antes de virar bilionário, ele trabalha como engraxate, operário de fábrica de cachaça e garimpeiro. Em Balsas, começa com uma mercearia de 50 metros quadrados e, a partir daí, constrói um império de R$ 43,5 bilhões em faturamento bruto no ano passado.

O discurso público do empresário mistura gestão e religiosidade. Em eventos internos, ele costuma lembrar a origem humilde e resumir a filosofia pessoal em frases curtas. “Quem somos nós?”, provoca funcionários, ao falar sobre a ascensão do grupo. Para ele, o Mateus é uma “bênção”, expressão repetida com frequência por sua fé evangélica.

Na prática, a bênção agora convive com decisões duras. A empresa garante que a reestruturação não é sinal de colapso, mas de maturidade. O desafio é provar aos investidores que o novo modelo, mais enxuto e seletivo, consegue recuperar o fôlego do lucro sem ampliar de novo o mapa de lojas deficitárias.

O que vem pela frente para o Grupo Mateus

Analistas veem o Mateus entrando em uma fase de varejo menos exuberante, marcada por juros ainda altos, consumo pressionado e guerra de preços entre grandes redes. A saída encontrada pelo grupo passa por escolhas mais frias: cortar onde dá prejuízo, reforçar formatos consolidados e evitar apostas arriscadas.

O sucesso dessa guinada vai determinar o futuro da fortuna da família Mateus. Se a estratégia de focar em rentabilidade vingar, o valor das ações pode se recuperar e devolver parte dos bilhões perdidos. Se o lucro seguir comprimido e a autuação fiscal pesar no balanço, o ciclo de aperto tende a se prolongar.

Nas cidades onde o logotipo azul do grupo domina esquinas e avenidas, os próximos meses vão mostrar se a fase de cortes foi um soluço ou o início de um novo padrão. Por enquanto, o Mateus segue grande, lucrativo e influente, mas menos exuberante que antes — e mais exposto às escolhas que faz na gôndola, no caixa e no contencioso fiscal.

Qual o impacto da demissão de 6,6 mil funcionários no Grupo Mateus?

A demissão de 6.673 funcionários, que reduz o quadro do Grupo Mateus de 47,9 mil para 41,2 mil pessoas, corta 13,9% da força de trabalho e provoca forte impacto social nas seis unidades da federação atingidas, com perda de renda local, fechamento de unidades Eletro Mateus e pressão sobre mercados de trabalho já frágeis.

Por que o fundador do Grupo Mateus viu sua fortuna cair R$ 4,2 bilhões em um ano?

A fortuna de Ilson Mateus cai R$ 4,2 bilhões em um ano, de R$ 7,7 bilhões para R$ 3,5 bilhões, porque a reestruturação do Grupo Mateus, a queda de 39,3% no lucro líquido, o recuo de 8% nas vendas das mesmas lojas e a autuação fiscal de R$ 1,28 bilhão provocam desvalorização das ações que compõem sua riqueza.

Quantas lojas o Grupo Mateus fechou recentemente e qual o motivo?

O Grupo Mateus fecha recentemente 28 lojas da bandeira Eletro Mateus, todas dedicadas a eletrodomésticos, eletrônicos e móveis, como parte explícita de um plano de “otimização de portfólio”, que busca cortar unidades pouco rentáveis, reduzir despesas operacionais e concentrar investimentos nas operações de supermercados e atacarejo mais lucrativas.

Quem são Ilson Junior e Denilson Rodrigues no contexto do Grupo Mateus?

Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues são filhos do fundador do Grupo Mateus, herdeiros e acionistas bilionários da rede, com patrimônio individual estimado em R$ 1 bilhão, redução em relação aos R$ 2,1 bilhões anteriores, e participam da sucessão e da governança de uma das maiores varejistas alimentares do país.

Qual a situação atual do patrimônio da família Mateus segundo a Forbes?

O patrimônio da família Mateus, segundo a lista mais recente de bilionários, soma R$ 5,5 bilhões diretamente atribuídos a Ilson Mateus, com R$ 3,5 bilhões, e a seus filhos Ilson Junior e Denilson, com R$ 1 bilhão cada, valor que representa perda total de R$ 6,4 bilhões em relação à estimativa do ano anterior.


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