Piloto brasileiro procurado por tráfico morre na Colômbia após infecção grave

Márcio Uebel Hübner era procurado desde 2022 após pouso forçado com 656 quilos de cocaína e teria circulado entre Brasil, Venezuela e Colômbia
Redação NC News
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O piloto brasileiro Márcio Uebel Hübner, de 49 anos, morreu na Colômbia após ser encontrado em estado grave e identificado pelas autoridades como procurado pela Justiça brasileira. Ele estava internado e sob custódia policial quando o quadro de saúde se agravou.

Hübner era procurado desde 2022 por suspeita de envolvimento no transporte de 656 quilos de cocaína. Segundo informações obtidas pelo jornal colombiano El Tiempo, durante o período em que permaneceu foragido ele teria circulado entre Brasil, Venezuela e Colômbia e, nos últimos meses, atuado para uma estrutura ligada ao dissidente colombiano Iván “Mordisco”.

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Entenda o que aconteceu

Hübner foi levado por desconhecidos até um hospital na cidade de Inírida, capital do departamento colombiano de Guainía, depois de apresentar uma infecção avançada nas extremidades do corpo. Parte dos tecidos já apresentava necrose, segundo o El Tiempo.

O homem inicialmente chegou ao hospital como um paciente que precisava de atendimento médico. A situação mudou quando seus dados foram consultados pelas autoridades colombianas. Um alerta no sistema de Migração Colômbia indicou que ele era procurado internacionalmente.

Após a confirmação da identidade, policiais foram até o hospital e Hübner passou a ficar sob custódia da Polícia Nacional da Colômbia. O caso foi encaminhado à área internacional da Procuradoria-Geral colombiana, responsável pelas providências relacionadas ao pedido do Brasil.

A queda da aeronave com 656 quilos de cocaína

A origem da busca pelo piloto remonta a julho de 2022, quando uma aeronave carregada com aproximadamente 656 quilos de cocaína foi detectada pelas autoridades brasileiras.

O avião realizou um pouso forçado na região de Jales, no interior de São Paulo, e a droga foi apreendida. A investigação aberta a partir do episódio buscou identificar os responsáveis pela operação e pela logística utilizada para transportar a carga.

Segundo informações da notificação vermelha da Interpol obtidas pelo El Tiempo, Hübner foi identificado como piloto da aeronave e teria participação tanto na logística quanto na execução do transporte da cocaína.

O processo passou a envolver suspeitas dos crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. Em junho de 2026, o Primeiro Juizado Federal de Jales expediu uma ordem de prisão contra Hübner. No dia seguinte, o pedido foi comunicado internacionalmente por meio da Interpol.

Fuga levou piloto por três países

Durante os anos em que permaneceu fora do alcance da Justiça brasileira, Hübner teria se movimentado por um corredor envolvendo Brasil, Venezuela e Colômbia.

De acordo com informações obtidas pelo El Tiempo, fontes que conheciam o caso afirmaram que a experiência do brasileiro na aviação teria sido utilizada para transportar carregamentos de cocaína por essa região.

A apuração também aponta que, nos últimos meses, Hübner teria permanecido em uma área de selva na Venezuela, próxima à fronteira com o departamento colombiano de Guainía. Nesse período, ele teria ficado no entorno de integrantes ligados a uma estrutura das dissidências de Iván “Mordisco”.

Segundo as mesmas informações, o piloto teria participado da movimentação de cocaína em rotas entre Colômbia, Venezuela e Brasil.

Infecção provocou necrose e agravamento do quadro

O problema de saúde que levou Hübner a procurar atendimento começou com uma infecção nas extremidades do corpo.

A infecção avançou e provocou necrose em parte dos tecidos. O caso passou a ser descrito por pessoas relacionadas à ocorrência como uma infecção causada pela chamada “bactéria comedora de carne”.

No entanto, o El Tiempo ressalta que os documentos conhecidos até o momento não permitem estabelecer qual foi exatamente o diagnóstico médico. Portanto, a expressão “bactéria comedora de carne” deve ser entendida como uma denominação utilizada para descrever o quadro, e não como um diagnóstico confirmado publicamente.

Com a piora do estado de saúde, os médicos avaliavam a realização de uma intervenção cirúrgica. Posteriormente, segundo informações obtidas pelo jornal colombiano, o paciente apresentou falência de múltiplos órgãos.

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Piloto morreu cinco dias após ser identificado

Márcio Uebel Hübner morreu em 20 de agosto de 2026, no Hospital Renacer Intercultural, em Inírida.

Ele havia sido identificado pelas autoridades e colocado sob custódia cinco dias antes. A morte ocorreu antes que o pedido de extradição feito pelo Brasil pudesse ser executado.

Com a morte, Hübner não chegou a ser levado ao Brasil para responder ao processo relacionado ao transporte dos 656 quilos de cocaína apreendidos em 2022.

Ainda permanecem em aberto, segundo o El Tiempo, questões sobre o período em que o piloto permaneceu foragido, incluindo sua possível relação com uma empresa de aeronaves, os voos realizados entre os três países e a extensão dos contatos com estruturas ligadas às dissidências de Iván “Mordisco”.

Entenda o contexto

O caso conecta uma investigação brasileira de tráfico de drogas a uma rota internacional que passa por Brasil, Venezuela e Colômbia.

Hübner entrou no radar das autoridades brasileiras após o pouso forçado de uma aeronave com 656 quilos de cocaína, em 2022. Anos depois, sua localização foi identificada na Colômbia após ele procurar atendimento médico em estado grave.

A identificação ocorreu por meio dos sistemas de busca internacional e levou à prisão sob custódia hospitalar. A morte interrompeu o processo de extradição, mas deixou outras questões sobre os anos em que o brasileiro permaneceu foragido e sobre sua possível atuação em redes internacionais de tráfico.

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