Um momento de emoção marcou a formatura do advogado Jhon Polanski, de Florianópolis, em Santa Catarina. Autista nível 2 de suporte, ele participou da cerimônia de colação de grau acompanhado de seu cão de assistência, Yoda Sheldon, que permaneceu ao lado do tutor durante todo o evento.
Da raça american staffordshire terrier, Yoda chamou atenção pela forma como acompanhou o comportamento de Jhon durante a solenidade. Em determinado momento, o cão percebeu sinais de ansiedade do tutor, manteve contato visual imediato e ficou atento à situação.
Jhon respondeu com um gesto manual sutil, indicando ao animal que estava tudo sob controle. Depois do sinal, Yoda voltou a relaxar, mostrando a sintonia desenvolvida entre os dois.
O registro da cerimônia ganhou repercussão justamente por mostrar uma relação que vai muito além da companhia de um animal de estimação.
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Cão passa por treinamento especializado
Ao compartilhar o momento, Jhon destacou que um cão de assistência não deve ser confundido com um pet comum ou com um animal utilizado simplesmente para oferecer conforto emocional.
Segundo o tutor, a preparação desses animais começa ainda nos primeiros dias de vida. Os filhotes passam por avaliações de temperamento baseadas em padrões internacionais para identificar aqueles que apresentam características consideradas adequadas para o trabalho.
A preparação é feita por profissionais especializados e segue uma rotina rigorosa. O objetivo é fazer com que o animal consiga reconhecer situações específicas e responder de maneira adequada às necessidades da pessoa que acompanha.
“A formação não acontece de um dia para o outro: durante os dois primeiros anos, o cão deve ser treinado diariamente”, explicou Jhon.
De acordo com ele, depois desse período, o animal precisa passar por uma avaliação pública para demonstrar que está apto a exercer a função. Somente após essa etapa são expedidas as credenciais correspondentes.
Confira o vídeo:
Ter um cão de assistência exige responsabilidade
A preparação não termina quando o animal conclui o treinamento. Para receber um cão de assistência, o tutor também precisa cumprir uma série de exigências e demonstrar que possui condições para garantir os cuidados necessários ao animal.
No caso de Jhon, foi necessário apresentar laudo médico, registrar o microchip do cão, informar o pedigree e os dados do profissional responsável pelo treinamento.
Também houve exigências relacionadas à manutenção do animal, incluindo plano de saúde veterinário e comprovação de capacidade financeira para arcar com os custos necessários ao longo da vida do cão.
A intenção, segundo o tutor, é garantir que o animal tenha acompanhamento adequado e que a relação de assistência seja mantida de forma responsável.
Não é apenas colocar um colete no animal
Jhon também fez um alerta sobre a banalização do uso de cães de assistência. Segundo ele, o simples fato de um animal utilizar um colete ou acompanhar uma pessoa que afirma precisar de apoio não transforma automaticamente o cão em um animal de serviço.
“Portanto, não basta colocar um colete no animal ou afirmar que ele presta apoio emocional”, afirmou.
A diferença está principalmente na preparação e na função desempenhada pelo animal. Cães de assistência são treinados para executar tarefas ou respostas específicas relacionadas às necessidades de seus tutores.
No caso de Yoda Sheldon, a sintonia com Jhon ficou evidente durante a formatura. O cão permaneceu atento ao comportamento do tutor e reagiu quando percebeu uma mudança, mas também soube relaxar depois que recebeu o sinal de que não havia mais necessidade de intervenção.
Uma parceria construída diariamente
A relação entre Jhon e Yoda é resultado de anos de treinamento e convivência. Para que um cão consiga atuar em ambientes públicos e acompanhar seu tutor em diferentes situações, é necessário desenvolver não apenas obediência, mas também controle comportamental e capacidade de concentração.
A cena registrada durante a colação de grau acabou simbolizando justamente essa parceria. Enquanto Jhon recebia o diploma, Yoda permanecia atento ao tutor, preparado para agir caso fosse necessário.
Para o advogado, a presença do cão em um momento tão importante de sua vida representa também o resultado de todo o processo de preparação e da relação construída entre os dois.
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Entenda O Contexto
Cães de assistência são animais preparados para auxiliar pessoas com deficiência por meio de tarefas e respostas específicas. O treinamento é diferente do adestramento tradicional e exige preparação especializada, controle comportamental e adaptação às necessidades individuais do tutor. Por isso, esses animais precisam conseguir atuar em diferentes ambientes sem perder a concentração ou reagir de maneira inadequada a estímulos externos.
Também existe uma diferença entre cão de assistência e animal de apoio emocional. O cão de assistência é treinado para desempenhar funções específicas relacionadas à deficiência de seu tutor, enquanto o animal de apoio emocional tem como principal função oferecer conforto e companhia. A presença de um colete, por si só, não determina a categoria ou a capacidade de um animal.
No caso de Jhon Polanski, Yoda Sheldon acompanha o tutor em sua rotina e foi preparado para reconhecer situações em que pode ser necessário oferecer assistência. A cena durante a formatura mostra uma dessas interações: o cão percebeu sinais de ansiedade, estabeleceu contato visual e aguardou a resposta de Jhon antes de voltar a relaxar.
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