Flávio ultrapassa Lula em pesquisas de segundo turno e acende alerta na campanha petista

Levantamentos recentes mostram o candidato do PL à frente do presidente, com força crescente entre mulheres, classe média e eleitores independentes — e um "medo" da continuidade do governo Lula que só cresce.
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O segundo turno hipotético entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) deixou de ser um empate confortável para o Planalto e passou a preocupar a campanha petista. Uma sequência de pesquisas recentes mostra o senador do PL numericamente à frente do presidente: Em setembro, a AtlasIntel mediu 46,4% a 46,2% — tecnicamente empatado, mas com Flávio na frente. A Futura/Conexão Política registrou 45,4% a 45%, e o Meio/Ideia apontou empate exato, com 46% para cada um.

A mais recente delas, da Quaest, mantém o padrão: 42% para Flávio contra 40% de Lula, dentro da margem de erro técnica, mas com o senador na frente.  Indecisos somam 5% e 13% dizem que não votariam em nenhum dos dois.

Onde Flávio está crescendo

Entre as mulheres, grupo que nos últimos anos se tornou um dos maiores desafios para o campo bolsonarista, Flávio Bolsonaro começa a recuperar terreno. No Sudeste, região que concentra quase metade dos eleitores brasileiros e costuma decidir eleições presidenciais, a virada é expressiva: onde Lula tinha uma pequena vantagem, agora é Flávio quem aparece na frente com folga.

Mas é na faixa da população que trabalha, paga contas e tenta melhorar de vida que o cenário mais chama atenção. Entre os brasileiros com renda de dois a cinco salários mínimos, Flávio abre vantagem de dez pontos percentuais. Trata-se justamente do eleitor que sente diretamente no bolso os efeitos da economia e que, em tese, seria um dos principais beneficiados pelas políticas do governo federal.

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As torneiras do governo abertas não estão surtindo efeito

Programas como o Minha Casa Minha Vida continuam funcionando, o crédito foi ampliado e o governo mantém uma série de ações voltadas para essa parcela da população. Ainda assim, esses benefícios não estão se traduzindo automaticamente em apoio eleitoral. O que a pesquisa sugere é que muitos eleitores estão separando a avaliação dos programas da decisão sobre em quem votar.

Os indecisos vão decidir as eleições

E é justamente entre os indecisos que Flávio leva maior vantagem. Entre os eleitores que não se identificam fortemente com nenhum dos dois lados, a diferença chega a dez pontos. É um sinal importante porque, historicamente, são esses brasileiros que costumam definir o resultado nas semanas finais de campanha.

Lula enfrenta um problema difícil de reverter

A desaprovação do governo segue na casa dos 50% e permanece praticamente parada. Em campanhas de reeleição, normalmente os presidentes tentam transformar a máquina pública, as entregas de governo e o crescimento econômico em ganho de popularidade. Até agora, isso não aconteceu de forma significativa.

Os números mostram que Lula mantém uma base fiel, mas encontra dificuldades para ampliar esse apoio além de quem já aprova sua gestão.

O medo do eleitor mudou de direção

Durante muito tempo, o principal obstáculo para os Bolsonaro foi a rejeição. Havia um receio considerável, especialmente entre as mulheres, sobre a volta da família ao poder. Esse sentimento continua existindo, mas perdeu intensidade.

Ao mesmo tempo, cresce o número de brasileiros que demonstram preocupação com a possibilidade de mais um mandato petista. O resultado é um cenário de equilíbrio inédito: entre as mulheres, o temor de uma nova gestão Bolsonaro e o receio de um novo governo Lula passaram a ocupar praticamente o mesmo espaço.

Na prática, isso significa que uma das principais barreiras eleitorais enfrentadas pelo bolsonarismo nos últimos anos deixou de ser uma vantagem exclusiva para Lula.

 

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