O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento que analisa, nesta terça-feira (15), a possibilidade de abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes no âmbito do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A decisão ocorre horas depois de novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro trazerem referências ao filho de Nunes Marques, Kevin Marques, e a pagamentos que chegariam a R$ 500 mil mensais. Kevin nega ter qualquer relação com o Banco Master ou com Vorcaro e afirma que os valores que recebeu da empresa Consult Inteligência Tributária foram referentes a serviços jurídicos.
A situação acrescenta mais um elemento de tensão à sessão considerada uma das mais delicadas da história recente do Supremo.
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Nunes Marques fica fora da votação
A decisão de Nunes Marques ocorre no mesmo dia em que o plenário do STF analisa o relatório produzido a partir de informações da Polícia Federal sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.
O ministro havia indicado anteriormente a colegas que poderia se declarar impedido. A confirmação veio após a divulgação das novas mensagens encontradas no aparelho do ex-banqueiro.
Com o impedimento, Nunes Marques não participará da votação sobre os desdobramentos das acusações e das mensagens envolvendo Moraes.
Filho de Nunes Marques aparece em mensagens
O afastamento ocorre após a divulgação de conversas nas quais o nome de Kevin Marques aparece associado a uma referência de R$ 500 mil por mês.
Em uma conversa de julho de 2025, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, encaminhou a Vorcaro o contato de Kevin e escreveu uma mensagem questionando se o pagamento mensal de R$ 500 mil seria mantido.
Em outra conversa, Rennó voltou a mencionar o contato de Kevin no contexto de pagamentos.
O material, entretanto, não comprova que Kevin tenha recebido os R$ 500 mil citados nas mensagens.
O advogado afirma que nunca trabalhou para o Banco Master e que os R$ 281,6 mil recebidos da Consult Inteligência Tributária correspondem a serviços jurídicos prestados à empresa. A Consult, por sua vez, recebeu aproximadamente R$ 6,6 milhões do Banco Master no período analisado.
Ministro já havia sido citado no caso
A situação envolvendo Nunes Marques não se limita às mensagens sobre seu filho.
Outros diálogos extraídos do celular de Vorcaro também fizeram referência ao próprio ministro, incluindo uma conversa relacionada à organização de uma viagem para cinco pessoas. Em outro conjunto de mensagens, aparece ainda uma mulher identificada como Rayanna fazendo referência a um suposto encontro com o magistrado.
Nunes Marques nega irregularidades e afirmou que nunca votou a favor do Banco Master. Também declarou que seu filho não recebeu dinheiro de Vorcaro.
A divulgação desse material elevou a pressão para que o ministro não participasse do julgamento desta terça-feira.
O que está em julgamento
O plenário do STF analisa se existem elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação sobre Alexandre de Moraes a partir do material relacionado a Daniel Vorcaro.
A sessão foi convocada pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, que assumiu a condução do caso após o procedimento inicialmente conduzido por André Mendonça.
O relatório reúne informações obtidas durante a investigação da Polícia Federal, incluindo documentos e registros encontrados no aparelho de Vorcaro. Moraes contesta as acusações e afirma que o material contém mensagens que nunca existiram e interpretações distorcidas.
O julgamento, portanto, não representa uma condenação de Moraes. O que está em discussão é se o conjunto de informações apresentado é suficiente para justificar uma investigação formal.
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Entenda O Contexto
A decisão de Kassio Nunes Marques de se declarar impedido reduz o número de ministros que participarão da análise do caso envolvendo Alexandre de Moraes. O afastamento ocorre depois que o celular de Daniel Vorcaro passou a revelar novas informações sobre relações entre o ex-banqueiro e pessoas próximas a integrantes do Supremo.
O ponto mais sensível das novas revelações é a menção ao filho de Nunes Marques em conversas sobre pagamentos de R$ 500 mil mensais. Até o momento, porém, a existência da mensagem não comprova que o valor tenha sido efetivamente pago a Kevin Marques. O advogado também nega qualquer relação com o Banco Master.
A Consult Inteligência Tributária, empresa com a qual Kevin manteve relação profissional, recebeu milhões de reais do Banco Master. Kevin afirma que os valores que recebeu da companhia foram decorrentes de serviços jurídicos e não tiveram qualquer relação com o banco ou com sua atuação no STF.
O próprio Nunes Marques também nega ter recebido vantagens ou ter atuado em favor do Banco Master. Com a declaração de impedimento, o ministro optou por não participar da decisão que envolve Moraes.
A sessão desta terça-feira ocorre em meio a uma disputa institucional mais ampla dentro do Supremo. De um lado, estão as acusações e questionamentos sobre a relação de Moraes com Vorcaro; de outro, surgem informações sobre relações de outros integrantes da Corte ou de seus familiares com pessoas ligadas ao ex-banqueiro.
O julgamento, portanto, vai além da situação individual de Moraes. Ele coloca em discussão os limites para relações entre ministros do STF, seus familiares, advogados, empresários e partes interessadas em processos que podem chegar à Corte.
Até que novas provas sejam apresentadas, é necessário distinguir mensagens, contatos e relações profissionais de eventuais ilícitos. A existência de uma conversa ou de um pagamento, isoladamente, não demonstra compra de decisão judicial, tráfico de influência ou qualquer outro crime.
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