Filho de Fux chamou Vorcaro de “irmão” e ofereceu “tapete vermelho” ao banqueiro em mensagens

Diálogos apreendidos pela PF mostram aproximação entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro por mais de um ano, com encontros, tratativas profissionais, convites para o Carnaval e contato com a secretária do ministro do STF
Redação NC News
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Novas mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro ampliam o mapa de relações do ex-dono do Banco Master com pessoas próximas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre maio de 2024 e agosto de 2025, o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, manteve contato frequente com o banqueiro, segundo registros apreendidos pela Polícia Federal.

As conversas mostram uma relação marcada por tratamento informal, encontros presenciais, reuniões profissionais e convites para eventos. Em determinado momento, Rodrigo chama Vorcaro de “irmão”. Em outro, ao combinar uma reunião no escritório, afirma que colocaria um “tapete vermelho” para receber o empresário.

Os registros também mostram Rodrigo orientando Vorcaro a encaminhar informações sobre um evento em Londres para a secretária de seu pai no Supremo. O conteúdo das mensagens, porém, não permite concluir que Luiz Fux tenha participado de qualquer negociação ou que tenha cometido irregularidade.

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A aproximação entre Rodrigo Fux e Vorcaro

As conversas começaram em maio de 2024 e seguiram por mais de um ano. Logo nos primeiros contatos, os dois já demonstravam intimidade.

Rodrigo tratava Vorcaro de maneira informal e os dois combinavam encontros para almoços, cafés e até charutos. Em uma das mensagens, o advogado pergunta se o banqueiro estaria em São Paulo e sugere que os dois se encontrem.

Em novembro daquele ano, a relação ganhou também um componente profissional. Vorcaro procurou Rodrigo e escreveu: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”.

O filho de Fux respondeu que seria um prazer ajudar e marcou uma conversa por videoconferência. Na sequência, Vorcaro enviou um documento ao advogado, que afirmou que iria analisá-lo.

As mensagens, entretanto, não esclarecem qual era o caso nem o conteúdo do documento enviado pelo ex-banqueiro.

“Tapete vermelho, irmão”

Em dezembro de 2024, os dois tentaram marcar uma reunião no escritório de Rodrigo Fux, no Rio de Janeiro.

Vorcaro informou que só poderia comparecer às 14h. Rodrigo então disse que mudaria outro compromisso para conseguir recebê-lo.

Depois de confirmar o encontro, o advogado escreveu:

“Tapete vermelho, irmão.”

Vorcaro respondeu:

“Valeu irmão!”

O diálogo é um dos registros que demonstram o grau de proximidade entre os dois. Em outras conversas, Rodrigo também utiliza expressões como “irmão” e “meu amigo” para se dirigir ao ex-banqueiro.

Encontro em Brasília e mensagens sobre Londres

A relação continuou em 2025, inclusive com encontros e tentativas de reuniões em Brasília.

Em fevereiro, Rodrigo informou que estava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que poderia deixar o tribunal para encontrar Vorcaro. O banqueiro enviou um endereço no Lago Sul, e o advogado respondeu que chegaria ao local às 17h30.

As mensagens, isoladamente, não permitem confirmar se esse encontro efetivamente ocorreu.

Em março, entretanto, os dois voltaram a combinar uma reunião em Brasília. Rodrigo disse que precisava “alinhar algumas questões” com Vorcaro.

Pouco depois, surgiu uma conversa envolvendo uma viagem a Londres.

Rodrigo perguntou ao banqueiro qual era a data do evento e pediu que as informações fossem encaminhadas para seu próprio e-mail. Na mesma mensagem, solicitou que o material também fosse enviado para Patrícia, secretária de seu pai, no Supremo Tribunal Federal, com cópia para ele.

O endereço fornecido por Rodrigo tinha domínio institucional do STF.

Vorcaro respondeu que pediria o envio das informações.

O episódio é um dos pontos mais sensíveis do conjunto de mensagens porque demonstra que uma tratativa relacionada a um compromisso envolvendo o ministro Luiz Fux passou pelo filho do magistrado e chegou a uma funcionária de seu gabinete.

Ainda assim, os diálogos divulgados não mostram qual foi o conteúdo do evento, se Luiz Fux participou ou se houve qualquer atuação do ministro em benefício de Vorcaro.

Convites para o Carnaval

A relação entre os dois também ultrapassava as conversas profissionais.

Em fevereiro de 2025, Vorcaro ofereceu a Rodrigo acesso a uma área reservada de um camarote no Carnaval do Rio de Janeiro.

O banqueiro chegou a perguntar quem Rodrigo gostaria de levar e afirmou que poderia convidar familiares e amigos.

Rodrigo enviou os dados necessários para os convites dele, da esposa e de outros familiares e convidados. Vorcaro também afirmou que os kits do camarote seriam enviados para a residência do advogado.

Dias depois, Rodrigo confirmou que havia recebido os convites por e-mail.

Em outra conversa, o filho de Fux perguntou se Vorcaro estaria em determinado camarote e disse que pretendia encontrá-lo durante o Carnaval.

A aproximação já havia sido revelada anteriormente, quando documentos mostraram que Rodrigo Fux esteve no camarote VIP de Vorcaro na Marquês de Sapucaí durante o Desfile das Campeãs de 2025. Na ocasião, Rodrigo afirmou que houve uma tentativa de aproximação comercial, mas que ela não evoluiu.

Relação ocorreu durante crise do Banco Master

Um dos pontos que chama atenção nas mensagens é o período em que a aproximação profissional ocorreu.

O contato de novembro de 2024, quando Vorcaro pediu ajuda a Rodrigo para um caso, aconteceu durante uma fase de dificuldades de liquidez enfrentadas pelo Banco Master.

Segundo relatório do Banco Central citado pelo UOL, naquele mês o banco passou a ter dificuldades para rolar integralmente os vencimentos de suas captações.

As mensagens não revelam, contudo, se o assunto discutido entre Vorcaro e Rodrigo tinha relação direta com os problemas financeiros do banco.

Também não há, no material divulgado, comprovação de que Rodrigo tenha efetivamente assumido qualquer caso para o ex-banqueiro.

Mensagens também registram aprovação do BRB

A comunicação entre os dois permaneceu ativa em 2025.

Em junho, Rodrigo enviou uma mensagem parabenizando Vorcaro pela “aprovação”. Naquele dia, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia aprovado a operação de compra de 58% do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Rodrigo escreveu:

“Parabéns pela aprovação!”

A mensagem foi acompanhada de um emoji de soco.

O registro, porém, não traz uma resposta de Vorcaro nem esclarece se a mensagem estava diretamente relacionada à operação do BRB.

Em agosto, o contato continuava. Rodrigo perguntou a Vorcaro se ele ainda tinha interesse em determinada questão, mas o trecho divulgado não esclarece a que “movimentação” ou interesse o advogado se referia.

O que diz a defesa de Rodrigo Fux

A defesa do advogado nega que tenha existido uma relação profissional efetiva entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro.

Em nota, a Fux Advogados afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.

Segundo a defesa, houve uma tentativa de aproximação comercial feita por Vorcaro e seus sócios, mas ela não chegou a se concretizar.

A assessoria também afirmou que, quando alguém procura Luiz Fux por meio do escritório ou de seus sócios, a orientação é encaminhar o contato pelos canais oficiais do Supremo.

A defesa declarou ainda que Rodrigo Fux nunca celebrou contrato, recebeu valores ou foi contratado para atuar em processos que estivessem prestes a chegar ao STF ou que já tramitassem na Corte.

O ministro Luiz Fux foi procurado por meio da assessoria do Supremo, mas não havia se manifestado até a publicação das informações consultadas.

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Entenda O Contexto

As mensagens envolvendo Rodrigo Fux surgem em um dos momentos mais delicados da crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal. O celular de Daniel Vorcaro passou a ser uma das principais fontes de informação sobre a rede de contatos construída pelo ex-banqueiro antes da liquidação da instituição.

O material entregue pela Polícia Federal aos ministros do STF reúne conversas com pessoas próximas a diferentes integrantes da Corte. Além de Rodrigo Fux, mensagens divulgadas nesta terça-feira (15) também mencionaram Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, e um advogado ligado ao ministro André Mendonça.

No caso de Rodrigo Fux, a particularidade está na duração e na frequência dos contatos. As mensagens registram encontros, reuniões, convites para eventos, tentativas de aproximação comercial e uma orientação para que informações sobre um compromisso em Londres fossem encaminhadas à secretária de Luiz Fux no STF.

Isso, por si só, não prova que Luiz Fux tenha participado de negociações com Vorcaro, recebido vantagem ou interferido em decisões judiciais em favor do Banco Master.

Também não está comprovado que Rodrigo Fux tenha efetivamente prestado serviços jurídicos ao banqueiro. A própria defesa afirma que a tentativa de aproximação comercial não resultou em contrato ou pagamento.

O episódio, porém, ganha peso político e institucional porque Luiz Fux integra o Supremo e porque a relação entre seu filho e Vorcaro passou a ser utilizada por aliados de Alexandre de Moraes para questionar a participação do ministro em discussões relacionadas ao caso.

A questão central, portanto, não é apenas a existência dos encontros, que está documentada nas mensagens, mas qual era a natureza das tratativas, o que foi discutido e se algum contato com pessoas ligadas ao STF resultou em benefício para Vorcaro ou para o Banco Master.

Essas respostas não estão estabelecidas pelo conteúdo divulgado até agora e dependem da análise completa dos documentos e, eventualmente, de novas investigações.

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