Amapá proíbe queimadas até o fim de novembro após alta nos focos de calor

Restrição ao uso do fogo vale em todo o estado durante o período de estiagem; operação de combate aos incêndios mobiliza mais de 750 bombeiros.
Redação NC News
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O Amapá proibiu o uso do fogo até o fim de novembro como medida para reduzir o risco de queimadas e incêndios florestais durante o período mais seco do ano. A restrição alcança áreas urbanas e rurais e ocorre em meio ao aumento dos focos de calor e às condições climáticas favoráveis à propagação das chamas.

A preocupação também está relacionada à possibilidade de condições mais secas e temperaturas acima da média na Amazônia no segundo semestre de 2026. A Defesa Civil do Amapá já vinha acompanhando prognósticos que apontavam probabilidade superior a 80% de estabelecimento do El Niño, fenômeno historicamente associado à redução das chuvas em partes da Região Norte.

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Entenda o que aconteceu

O período de restrição foi estabelecido como uma forma de prevenção diante do aumento do risco de incêndios. Durante a estiagem, a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação seca facilita o início e principalmente a propagação do fogo.

O Ibama explica que os estados podem estabelecer períodos próprios de proibição considerando fatores como umidade, temperatura, ventos e análises do risco de eventos climáticos extremos. O objetivo é justamente diminuir a possibilidade de incêndios florestais.

Aumento dos focos acende alerta

O crescimento dos focos de calor colocou as autoridades ambientais em alerta e reforçou a necessidade de medidas preventivas durante os próximos meses.

Além da destruição da vegetação e dos impactos sobre a fauna, incêndios de grandes proporções podem comprometer a qualidade do ar e atingir propriedades e comunidades próximas às áreas afetadas.

Mais de 750 bombeiros serão mobilizados

O Amapá também ampliou a estrutura de combate aos incêndios com a segunda fase da Operação Amapá Verde 2026, iniciada em setembro e prevista para seguir até 11 de dezembro.

Segundo o Governo do Estado, mais de 750 bombeiros serão mobilizados durante a operação, que reúne ações de prevenção, fiscalização e combate direto aos incêndios florestais. O investimento informado é de R$ 2,7 milhões em equipamentos, logística e mão de obra.

Equipes são enviadas para municípios do interior

Nesta etapa, militares foram distribuídos por municípios considerados estratégicos, incluindo Mazagão, Itaubal, Porto Grande, Ferreira Gomes, Pedra Branca do Amapari, Tartarugalzinho, Amapá, Calçoene, Oiapoque, Laranjal do Jari e Vitória do Jari.

As equipes contam com mochilas costais, sopradores, abafadores e veículos Auto Bomba Tanque Florestal. O trabalho também utiliza monitoramento por satélite para acelerar a identificação e a resposta às ocorrências.

Fiscalização contra queimadas é reforçada

Além do combate às chamas, a estratégia inclui fiscalização contra queimadas não autorizadas e outros crimes ambientais. A Polícia Civil também participa, ao longo de 2026, da Operação Protetor dos Biomas, iniciativa nacional voltada ao enfrentamento de desmatamento, incêndios e outras infrações ambientais.

A orientação é que a população evite qualquer prática capaz de iniciar incêndios durante o período crítico e comunique rapidamente às autoridades quando identificar focos de fogo.

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Existem exceções para uso controlado do fogo

A proibição não significa que qualquer uso do fogo seja automaticamente tratado da mesma forma. Normas ambientais podem prever situações excepcionais, incluindo determinadas práticas tradicionais e indígenas, ações de prevenção e combate a incêndios e controle fitossanitário autorizado.

Mesmo nesses casos, é necessário observar as regras e autorizações ambientais aplicáveis. O uso irregular do fogo pode resultar em responsabilização administrativa, civil e penal.

Entenda o contexto

A preparação para a temporada de incêndios começou antes do período mais crítico. Em junho, a Defesa Civil estadual informou que acompanhava projeções climáticas para o segundo semestre diante da possibilidade de formação do El Niño.

Historicamente, o fenômeno pode favorecer menos chuva e temperaturas mais altas em partes da Região Norte, aumentando o risco de redução do nível dos rios e queimadas. As autoridades ressaltam, porém, que a intensidade e a distribuição desses efeitos dependem da evolução das condições atmosféricas e oceânicas.

Com a chegada da estiagem, a estratégia do estado combina a restrição ao fogo, fiscalização, conscientização da população, monitoramento e reforço das equipes de combate. A Operação Amapá Verde deve permanecer ativa até dezembro, ultrapassando o período de proibição das queimadas.

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