Ervas cultivadas no interior do ES viram chás premiados com ouro na França

Produção orgânica de Santa Maria de Jetibá abastece empresa que cria blends autorais para clínicas, hotéis e cafeterias; dois produtos receberam medalha de ouro em concurso internacional realizado em Paris.
Redação NC News
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Ervas, flores, frutas e especiarias cultivadas de forma orgânica em uma propriedade rural de Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do Espírito Santo, estão atravessando fronteiras. Os ingredientes produzidos no município, conhecido pela forte presença da cultura pomerana e pela produção de ovos, são transformados em chás especiais que já conquistaram reconhecimento internacional.

Dois blends feitos com ingredientes capixabas receberam medalha de ouro no concurso internacional Teas of the World 2025, realizado em Paris, na França. A competição reuniu mais de 300 produtos.

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Entenda o que aconteceu

Os ingredientes que ajudam a compor os chás premiados são cultivados em propriedades rurais do Espírito Santo. Uma delas é a de Selene Tesch, em Alto de Santa Maria, distrito de Santa Maria de Jetibá.

A agricultora trabalha há 35 anos com produção orgânica e cultiva centenas de espécies de ervas, flores e temperos, além de cerca de 120 variedades de hortaliças, frutas e legumes.

A produção anual da propriedade chega a aproximadamente 20 toneladas de alimentos orgânicos.

Parte das plantas cultivadas no local, como hibisco, alfazema, espinheira-santa, arnica, bálsamo, graviola e perpétua, também é utilizada na produção de chás e infusões.

Como as ervas são cultivadas

A produção é feita sem o uso de agrotóxicos. Segundo Selene, o manejo do solo e o respeito ao ciclo natural das culturas são fundamentais para manter a produção.

A agricultora utiliza técnicas como rotação de culturas e adequação das épocas de plantio para reduzir a ocorrência de pragas.

A propriedade também comercializa parte dos produtos diretamente aos consumidores e em feiras orgânicas da Grande Vitória.

Da colheita à desidratação

Depois da colheita, as ervas, flores, frutas e especiarias passam por uma seleção antes de seguir para a etapa de desidratação.

O processo é realizado em estufas com temperatura controlada, que varia de acordo com o tipo de ingrediente.

As folhas podem ser desidratadas em temperaturas de até 60 °C, enquanto as frutas passam por aquecimento entre 70 °C e 80 °C.

A técnica permite preparar os ingredientes para o armazenamento e para a etapa seguinte da produção.

Ingredientes ganham novas combinações

Depois de desidratados, os ingredientes podem ser armazenados inteiros ou triturados, dependendo da finalidade.

Parte deles segue para empresas especializadas na criação de chás e infusões. É nesse momento que diferentes ervas, flores, frutas e especiarias são combinadas para formar os chamados blends.

Em Vitória, a empresária Bárbara Borges desenvolve as receitas e define as proporções de cada ingrediente de acordo com a proposta do produto.

É dessa combinação entre a produção no campo e o desenvolvimento das receitas que surgem os chás especiais.

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Chás capixabas conquistam medalha de ouro

O reconhecimento internacional veio no Teas of the World 2025, concurso realizado em Paris, na França.

Ao todo, mais de 300 produtos participaram da competição. A empresa capixaba conquistou duas medalhas de ouro com blends produzidos a partir de ingredientes brasileiros.

Os produtos foram avaliados por especialistas em gastronomia francesa e em chá, que analisaram aspectos como aroma, sabor, corpo e experiência sensorial.

Para Bárbara, o resultado também representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido no campo.

“Foram especialistas em gastronomia francesa e em chá que avaliaram o equilíbrio dos blends, considerando aroma, sabor, corpo e toda a experiência sensorial.”

Produção capixaba chega a outros estados

O trabalho não ficou restrito ao Espírito Santo. Os produtos chegam a consumidores e empresas de estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, além do próprio Espírito Santo.

A empresa também desenvolve projetos personalizados para clínicas, hotéis, cafeterias e outras empresas que desejam oferecer chás dentro de experiências específicas para seus clientes.

A proposta inclui desde a seleção dos ingredientes até a criação das combinações.

Uma cadeia que começa no campo

Apesar de reunir fornecedores de diferentes regiões do país, a empresa mantém os ingredientes produzidos no Espírito Santo como uma das bases de seus blends.

A produção orgânica de Santa Maria de Jetibá, portanto, percorre diferentes etapas antes de chegar à xícara: começa no cultivo das ervas e flores, passa pela colheita e desidratação, segue para a seleção e combinação dos ingredientes e termina em produtos que chegaram a uma competição internacional em Paris.

Entenda o contexto

Santa Maria de Jetibá reúne características que ajudam a explicar a força da produção rural local. O município é conhecido pela influência da cultura pomerana, pela produção de ovos e também pela agricultura orgânica.

Nesse cenário, propriedades rurais produzem uma grande variedade de alimentos, ervas, flores e temperos que podem ganhar novos usos quando chegam a outras etapas da cadeia produtiva.

No caso dos chás premiados, os ingredientes cultivados no campo capixaba passaram a integrar receitas autorais desenvolvidas em Vitória e chegaram ao mercado em diferentes estados brasileiros.

O reconhecimento em Paris acrescentou uma dimensão internacional a essa cadeia, colocando os ingredientes produzidos no Espírito Santo entre os produtos premiados no concurso.

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