Professores da rede pública de São Paulo estão sendo alvo de tentativas de golpe por meio do WhatsApp. Os criminosos entram em contato com as vítimas oferecendo supostas oportunidades de emprego em escolas e, durante a abordagem, tentam obter um código enviado ao celular.
Uma das vítimas é a professora Maiara Cecília, que atua como professora de educação infantil. Ela conta que recebeu uma ligação pelo WhatsApp e foi informada de que os responsáveis pela abordagem seriam assessores ligados ao grupo do Estado.
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Segundo Maiara, os suspeitos disseram que poderiam incluí-la em um grupo onde seriam divulgadas ofertas de emprego em escolas públicas e particulares. Para realizar a suposta inclusão, porém, afirmaram que seria necessário fornecer um código enviado ao telefone.
A professora desconfiou da abordagem e não forneceu nenhum código. Segundo ela, os suspeitos chegaram a tentar enviar três ou quatro códigos e disseram que voltariam a entrar em contato.
Maiara bloqueou o número e alertou outros participantes de um grupo relacionado à rede estadual. Após o aviso, outras pessoas também relataram ter recebido ligações semelhantes, com a mesma tentativa de obter um código enviado ao celular.

O caso se repete
Outra vítima é o professor Felipe Araújo, professor de História que também recebeu uma ligação com uma suposta proposta de emprego. De acordo com o relato, o homem que fez o contato afirmou falar em nome de uma escola e disse que ele havia sido indicado para uma vaga.
O suspeito pediu autorização para enviar informações sobre o emprego pelo WhatsApp e, em seguida, afirmou que encaminharia um código para incluí-lo em um grupo.
O código chegou a ser enviado, mas a vítima percebeu que havia algo errado ao receber uma mensagem do próprio WhatsApp alertando para que o código não fosse compartilhado com ninguém. Ele então pesquisou a informação e questionou o suspeito sobre quem teria feito a indicação para a vaga.
Mesmo após a insistência, ele se recusou a fornecer o código. Segundo o relato, o homem chegou a se exaltar durante a conversa, o que reforçou a suspeita de que se tratava de um golpe.
Depois do episódio, outros integrantes do grupo de professores também relataram abordagens semelhantes, utilizando o mesmo número e com ofertas de emprego. Segundo a vítima, a maioria das pessoas desconfiou e não compartilhou os códigos recebidos.
O caso chama atenção para um tipo de golpe que tenta utilizar falsas oportunidades de emprego para conseguir acesso às contas das vítimas.
Risco de golpe
Para o advogado Flávio Torresi, uma falsa oferta de emprego pode envolver diferentes tipos de crime, dependendo da forma como a fraude é praticada.
Além dos possíveis crimes, o especialista destaca que algumas características da abordagem podem servir como sinais de alerta para quem recebe uma proposta de emprego inesperada.
Entre os principais indícios estão pedidos de pagamento antecipado, promessas de salários muito acima do mercado e pressão para que a pessoa tome uma decisão imediatamente.
Outra recomendação é ter cuidado com os dados pessoais fornecidos durante processos seletivos. Documentos, senhas, informações bancárias e códigos recebidos pelo celular não devem ser compartilhados sem que a origem da solicitação seja confirmada.
O especialista também orienta que o candidato pesquise a empresa, verifique os canais oficiais e procure informações sobre quem está oferecendo a vaga antes de fornecer qualquer dado.
Golpes digitais
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 2,2 milhões de Boletins de Ocorrência por estelionato em meios digitais foram registrados em 2025, o equivalente a uma média de 258 ocorrências por hora no país. Segundo o órgão, 64% dos primeiros contatos feitos por golpistas acontecem por meio de aplicativos.
O WhatsApp aparece entre os principais meios utilizados em tentativas de fraude. Entre as pessoas que relataram ter sofrido golpes ou tentativas de golpe, pesquisa da Febraban apontou crescimento dos casos envolvendo criminosos que se passam por conhecidos para pedir dinheiro pelo aplicativo.
Nesse tipo de abordagem, os criminosos podem tentar obter o código de segurança enviado pelo WhatsApp para cadastrar a conta da vítima em outro aparelho. Por isso, a recomendação é não compartilhar códigos recebidos pelo aplicativo ou por SMS com terceiros.
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Secretaria Municipal de Educação orienta professores
Enviada ao NC NEWS, a Secretaria Municipal de Educação informou que orienta professores e demais profissionais a consultarem informações sobre vagas, concursos e processos seletivos exclusivamente pelos canais oficiais da Prefeitura de São Paulo e da Pasta.
“Mensagens ou abordagens suspeitas que solicitem dados pessoais, códigos recebidos por celular, pagamentos ou acesso a links devem ser ignorados.”
A pasta também orienta que, em caso de tentativa de golpe, a vítima registre um Boletim de Ocorrência (B.O.) e guarde as informações que possam contribuir com a apuração, como números de telefone, mensagens, prints e demais registros da abordagem.
Segundo a Secretaria, outros questionamentos devem ser encaminhados à Secretaria de Segurança Pública (SSP), responsável pelas orientações e pela consulta de registros de Boletins de Ocorrência.
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