O primeiro debate entre candidatos ao Senado pelo Amazonas nas eleições de 2026 reuniu nesta quinta-feira (17) Capitão Alberto Neto (PL), Eduardo Braga (MDB), Ismael Munduruku (Rede), Plínio Valério (PSDB), Professora Evany (PSOL) e Wilson Lima (União Brasil). O encontro foi promovido pela TV Norte Amazonas, emediado pelo apresentador Alex Sampaio. A exibição foi dividida em cinco blocos, os quatro primeiros com temas definidos e o último reservado às considerações finais.
Saúde, educação, infraestrutura, economia, segurança pública e desenvolvimento do estado estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos seis candidatos.
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Entenda o que aconteceu
A saúde pública foi um dos temas que mais gerou confronto. Alberto Neto e Wilson Lima discutiram o Sistema de Regulação (Sisreg), usado para organizar o acesso a consultas, exames e procedimentos na rede pública, com Alberto Neto classificando a fila de espera do sistema como “fila da morte” ao tratar da situação de pacientes que aguardam atendimento especializado.
Eduardo Braga também criticou a estrutura da saúde estadual e questionou Wilson Lima sobre investimentos e obras feitas durante sua gestão à frente do governo do Amazonas, incluindo a aplicação de recursos de emendas parlamentares destinados a unidades de saúde. Professora Evany abordou as dificuldades enfrentadas por usuários do SUS tanto em Manaus quanto no interior, enquanto Ismael Munduruku defendeu melhorias no atendimento para populações indígenas, ribeirinhas e do interior.
Educação, BR-319 e Zona Franca
Na educação, Alberto Neto questionou Wilson Lima sobre o desempenho do Amazonas no Enem, e o ex-governador atribuiu parte do resultado ao período das avaliações e à estiagem enfrentada pelo estado. A conectividade das escolas do interior também entrou no debate, com Alberto Neto defendendo sua ampliação como forma de melhorar o ensino.
A infraestrutura teve como principal ponto a BR-319: Eduardo Braga e Wilson Lima trocaram críticas sobre as condições da rodovia e sobre as pontes dos rios Curuçá e Autaz Mirim, que desabaram em 2022. Braga questionou a atuação de Wilson Lima como governador, e o ex-governador rebateu dizendo que o senador promete a recuperação da rodovia há décadas.
A Zona Franca de Manaus também apareceu em diferentes momentos, com Alberto Neto defendendo a atualização do planejamento urbano da cidade e apresentando propostas ligadas a fertilizantes, terras raras, tecnologia e inovação.
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STF e Banco Master entram no debate
Um dos momentos de maior confronto ocorreu entre Plínio Valério e Wilson Lima. Plínio questionou a posição de Wilson sobre um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em meio às discussões relacionadas ao caso do Banco Master. Segundo avaliação do próprio Plínio durante o debate, Wilson não respondeu diretamente à pergunta e direcionou a resposta para outros episódios envolvendo autoridades e processos políticos.
Plínio também retomou a compra de respiradores pelo governo do Amazonas na gestão de Wilson Lima, relacionando o episódio a um processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em críticas à atuação do ex-governador durante a pandemia.
Provocações locais e pauta indígena
Plínio Valério e Alberto Neto trocaram provocações envolvendo o prefeito de Manaus, Renato Júnior: questionado sobre seu projeto político, Alberto respondeu que Plínio deveria cobrar do prefeito a defesa dos incentivos fiscais e dos interesses da Zona Franca. Já Ismael Munduruku destacou a participação de povos indígenas na política e defendeu a presença de representantes indígenas nos espaços de decisão sobre desenvolvimento, infraestrutura e políticas públicas.
Entenda o contexto
O debate marcou a abertura da programação eleitoral do projeto NC Eleições 2026 no Amazonas e reuniu praticamente todo o espectro político do estado disputando as vagas ao Senado. A presença de um tema de repercussão nacional — a crise no STF e o caso Banco Master — ao lado de pautas locais, como a BR-319 e a Zona Franca de Manaus, mostra como a disputa amazonense deve equilibrar, nas próximas semanas, agenda estadual e o desdobramento da crise institucional em Brasília, que já atravessa as campanhas em outros estados.
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