Lula reage à disputa apertada com Flávio e reforça ofensiva eleitoral a poucas semanas da eleição

Pesquisa Datafolha mostra presidente com 39% e senador com 36% no primeiro turno; campanhas intensificam ataques, voto útil e ações voltadas ao custo de vida
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A corrida presidencial de 2026 entrou em uma nova fase a pouco mais de duas semanas do primeiro turno. A nova pesquisa Datafolha colocou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 39% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL), diferença que está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

No segundo turno, o levantamento também aponta empate técnico: Lula aparece com 46%, enquanto Flávio tem 44%. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 15 e 17 de setembro e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.

O resultado ocorre em um momento de intensificação das campanhas. Lula passou a reforçar ataques contra o adversário e a destacar medidas relacionadas ao custo de vida, enquanto Flávio ampliou a exploração eleitoral de temas como segurança pública, economia e a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

O cenário também é acompanhado por análises sobre a reação do presidente à aproximação de Flávio nas pesquisas e sobre o impacto eleitoral de medidas anunciadas pelo governo, como o reajuste do Bolsa Família. Oficialmente, o governo afirma que a correção de 15,04% recompõe o poder de compra das famílias diante da inflação acumulada desde 2023.

VEJA TAMBÉM

Governo enviou Orçamento de 2027 sem reajuste do Bolsa Família; aumento veio 17 dias depois

Datafolha mostra disputa mais próxima

A pesquisa divulgada na quinta-feira (17) mostra que a diferença entre Lula e Flávio caiu para três pontos percentuais no primeiro turno. Na rodada anterior, realizada uma semana antes, Lula tinha 39%, enquanto Flávio aparecia com 35%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Por isso, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.

Atrás dos dois principais nomes aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1% cada. Brancos e nulos somam 6%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam responder.

No segundo turno, Lula registra 46%, contra 44% de Flávio. O resultado também está dentro da margem de erro.

Outro dado relevante é a rejeição. Lula e Flávio aparecem com 47% cada entre os eleitores que dizem não votar de jeito nenhum nos respectivos candidatos. O índice era de 46% para os dois uma semana antes.

A pesquisa não representa previsão do resultado eleitoral. Ela registra a intenção de voto dos entrevistados no período em que o levantamento foi realizado.

Custo de vida vira centro da disputa

Um dos principais pontos de atenção das campanhas passou a ser a economia doméstica.

A equipe de Lula vem monitorando os temas que mais aparecem entre eleitores críticos ao governo. Entre eles estão os preços dos alimentos e a percepção sobre o custo de vida.

Durante agenda em Ceilândia (DF), no dia 16 de setembro, Lula reconheceu que o custo de vida ainda era uma questão a ser enfrentada e voltou a comparar a inflação dos alimentos durante seu governo com a registrada na gestão Jair Bolsonaro.

O presidente também tem prometido zerar, em um eventual novo mandato, os impostos federais incidentes sobre produtos que integram a cesta básica.

A estratégia busca responder a uma das principais vulnerabilidades apontadas nas pesquisas: a percepção econômica das famílias, especialmente entre eleitores de menor renda.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, vem utilizando o custo de vida como argumento contra o governo. A campanha do senador tem explorado preços de alimentos e dificuldades financeiras de famílias e empresas para sustentar a avaliação de que a situação econômica do país precisa mudar.

A disputa, portanto, passou a combinar propostas e resultados econômicos com uma guerra de narrativas sobre quem é responsável pelo custo de vida observado atualmente.

Bolsa Família terá aumento antes do primeiro turno

Nesse cenário, uma das medidas de maior impacto direto anunciadas pelo governo é o reajuste do Bolsa Família.

O valor mínimo garantido por família passará de R$ 600 para R$ 691, uma correção de 15,04%. O novo valor começa a valer na folha de outubro, com pagamentos a partir de 19 de outubro.

O governo afirma que o reajuste foi calculado com base na inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. A mudança foi oficializada pelo Decreto nº 13.120, publicado em 17 de setembro.

A correção também altera os benefícios adicionais. O Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante. O Benefício Primeira Infância sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança, enquanto o Benefício Variável Familiar passa de R$ 50 para R$ 58 por integrante que se enquadre nas regras.

O benefício médio estimado também aumenta, de R$ 675 para aproximadamente R$ 777.

A proximidade entre o reajuste e o calendário eleitoral chamou atenção no ambiente político. A medida passou a ser analisada também sob a perspectiva de seu possível impacto eleitoral. Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social sustenta que se trata de uma recomposição prevista na legislação para preservar o poder de compra dos beneficiários.

A legislação do programa permite a atualização dos valores pela inflação e estabelece que os benefícios podem ser corrigidos em intervalos de, no máximo, 24 meses, sem redução dos valores.

Campanhas partem para o voto útil

Com a aproximação entre os dois principais candidatos, Lula e Flávio também passaram a mirar o chamado voto útil.

A lógica é convencer eleitores de candidatos que aparecem com percentuais menores nas pesquisas a concentrar seus votos em um dos dois nomes que lideram a disputa.

Segundo levantamento do Datafolha, Cury, Caiado, Renan Santos e Zema somam juntos 15% das intenções de voto no primeiro turno. É justamente esse eleitorado que passa a ser disputado pelas duas campanhas na reta final.

A estratégia não é exclusiva de Lula. Flávio também passou a intensificar a mensagem de que a eleição está concentrada entre os dois polos e busca atrair eleitores de direita que ainda apoiam outros candidatos.

A pesquisa mostra ainda diferenças importantes entre os grupos sociais.

Lula aparece à frente entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, com 46%, contra 29% de Flávio. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, o cenário se inverte: Flávio registra 44%, enquanto Lula tem 28%.

Entre os evangélicos, Flávio aparece com 48%, ante 26% de Lula. Entre católicos, Lula tem 43%, contra 32% do adversário.

No Nordeste, o presidente marca 56%, contra 26% de Flávio. No Sul, o senador tem 45%, contra 27% de Lula. No Sudeste, Flávio registra 37%, enquanto Lula tem 34%, dentro do empate técnico considerando a margem de erro.

Esses recortes ajudam a explicar por que as duas campanhas passaram a concentrar esforços em públicos diferentes e, ao mesmo tempo, disputar eleitores ainda sem uma escolha definitiva.

Ataques entram na reta final da campanha

A disputa também ficou mais agressiva no campo da comunicação eleitoral.

A campanha de Lula passou a veicular peças que associam Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master e a outros episódios relacionados ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia é aumentar a exposição negativa do adversário e questionar sua trajetória política.

Flávio, por sua vez, tem utilizado a crise envolvendo o STF para atacar Lula e ministros indicados durante os governos petistas. Em agenda no Ceará, o senador voltou a criticar o atual governo e associou sua campanha à promessa de mudança política e institucional.

As duas campanhas também passaram a explorar diretamente a crise envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

O tema ganhou espaço na disputa depois que documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal passaram a integrar as discussões políticas e institucionais. Lula e Flávio vêm utilizando episódios relacionados ao caso para atingir o adversário, embora as responsabilidades individuais e as circunstâncias de cada episódio ainda sejam objeto de apuração.

Ao mesmo tempo, o ambiente eleitoral passou a ser marcado por maior pressão sobre os dois candidatos. Com índices de rejeição semelhantes, ambos precisam ampliar a votação sem perder os eleitores que já formam suas bases tradicionais.

Uma eleição concentrada em dois polos

A combinação entre pesquisa apertada, aumento da rejeição e concentração dos votos em dois candidatos alterou o ritmo da campanha.

Lula tenta preservar sua liderança numérica e recuperar desempenho em segmentos nos quais tradicionalmente possui vantagem, especialmente eleitores de menor renda e do Nordeste. O reajuste do Bolsa Família e o discurso sobre redução do custo de vida fazem parte dessa estratégia de comunicação.

Flávio busca transformar a aproximação registrada nas pesquisas em uma demonstração de força eleitoral. Para isso, a campanha explora a crise do STF, críticas ao governo federal, segurança pública, preços e a mobilização do eleitorado de direita.

Nenhuma dessas estratégias, isoladamente, permite concluir qual será o resultado das urnas. A pesquisa mede o cenário no período da coleta e está sujeita a mudanças até o dia da votação.

O que os dados mostram é que a distância entre os dois principais candidatos diminuiu nas últimas rodadas, enquanto as campanhas passaram a disputar de forma mais direta os eleitores dos demais concorrentes e os segmentos sociais em que ainda existe maior espaço para mudança de voto.

LEIA TAMBÉM

Bolsa Família vai subir para R$ 691 em outubro; veja quem recebe, quanto aumenta e quando começa o pagamento

Entenda O Contexto

A eleição presidencial de 2026 entrou na reta final com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados nos principais cenários do Datafolha. No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio com 36%. No segundo, são 46% contra 44%. A pesquisa foi realizada entre 15 e 17 de setembro, ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Nesse ambiente, as duas campanhas intensificaram a comunicação eleitoral. Lula passou a enfatizar o custo de vida, os preços dos alimentos, a redução de impostos sobre a cesta básica e políticas de transferência de renda. Flávio, por sua vez, tem explorado críticas à economia, segurança pública e a crise envolvendo o STF e o Banco Master.

O Bolsa Família entrou no centro desse cenário depois que o governo anunciou uma correção de 15,04% nos benefícios. O valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691 a partir da folha de outubro, enquanto o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. O governo afirma que a atualização recompõe a inflação acumulada desde 2023 e está prevista na legislação do programa.

A proximidade do reajuste com a eleição alimentou interpretações políticas sobre a medida. O aumento passou a ser analisado também como parte do contexto eleitoral diante da aproximação de Flávio nas pesquisas. Essa é uma interpretação sobre o impacto político da medida; a justificativa oficial do governo é a recomposição do poder de compra dos beneficiários pela inflação.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, as campanhas entram agora em uma fase de maior exposição, com disputa pelo voto útil, ataques diretos, divulgação de resultados de governo e tentativa de consolidar os respectivos eleitorados. Os próximos levantamentos ainda poderão apresentar alterações, e pesquisas eleitorais não constituem previsão do resultado final.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS

Teto da cabine de Boeing 737 desaba durante voo no Irã; passageiros precisam trocar de avião

Quem é Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP alvo de operação que investiga infiltração do PCC

Corinthians perde em casa, Memphis desperdiça pênalti e Timão cai na Libertadores

Carregar Comentários