O caminho do dinheiro: investigação das UPAs de Palmas chega a empresa em São Paulo

A investigação busca esclarecer o percurso do dinheiro público desde os repasses para a gestão das UPAs até os destinatários finais.
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Milhões de reais destinados ao atendimento de urgência e emergência em Palmas, no Tocantins, estão no centro de uma nova frente da Operação Falsa Emergência. A Polícia Civil quer esclarecer como foram utilizados os recursos repassados para a gestão das UPAs Norte e Sul da capital e quem recebeu os valores ao longo da execução do contrato.

O NC News teve acesso aos documentos, que detalham os novos caminhos da apuração e os pedidos de busca e apreensão. Entre os alvos estão a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, responsável pela gestão das duas unidades, o provedor Emerson Ricardo Netto, a procuradora Maria Luiza Ferreira de Barba e a Medic360 Serviços Médicos Ltda, com sede em São Paulo.

Segundo os autos, a Medic360 recebeu aproximadamente R$ 6,4 milhões durante a execução da parceria. A Polícia Civil agora busca esclarecer a origem e a finalidade desses pagamentos e verificar se os valores correspondem aos serviços efetivamente prestados.

A nova etapa representa uma mudança no foco da apuração. Depois de investigar suspeitas relacionadas à contratação da entidade para administrar as UPAs, os investigadores passaram a acompanhar o percurso do dinheiro: quanto foi repassado, como foi movimentado e quais empresas e pessoas receberam os pagamentos.

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De acordo com os documentos, somente a primeira parcela transferida à entidade ultrapassou R$ 11,5 milhões. A apuração aponta dificuldades para obter uma prestação de contas detalhada sobre a utilização desse montante. A entidade teria informado aos investigadores que parte da documentação ainda estava sendo finalizada ou não estava disponível.

As dúvidas também chegaram à Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (SEMUS). Conforme relatado na representação, a pasta informou que, até julho deste ano, ainda não havia recebido a prestação de contas referente ao primeiro mês de execução do contrato. Para os investigadores, a ausência desses registros dificulta a análise da aplicação do dinheiro público.

Outro ponto analisado é a quantidade de documentos apresentados até então para demonstrar a utilização dos recursos. De acordo com a apuração, o material reunido seria formado principalmente por registros administrativos e relatórios resumidos dos atendimentos realizados nas unidades, considerados insuficientes para esclarecer a destinação do montante transferido.

Com os mandados de busca e apreensão, a Polícia Civil pretende reunir documentos, computadores, celulares e registros financeiros que possam ajudar a reconstruir a movimentação dos recursos.

A investigação busca esclarecer o percurso do dinheiro público desde os repasses para a gestão das UPAs até os destinatários finais. As suspeitas ainda são apuradas e deverão ser confrontadas com as provas reunidas no inquérito e com as manifestações dos envolvidos.

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