O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (19) que pretende vencer as eleições de 2026 para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso. A declaração foi feita durante um ato de campanha em Florianópolis, Santa Catarina, e surgiu como resposta à promessa de Flávio Bolsonaro de libertar o pai caso chegue à Presidência.
Bolsonaro foi condenado definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Atualmente, cumpre a pena em prisão domiciliar por razões de saúde. Flávio, candidato do PL à Presidência, já afirmou que pretende conceder anistia aos condenados no caso se vencer a eleição.
Lula contrapõe promessa feita por Flávio Bolsonaro
Durante o discurso em Santa Catarina, Lula citou diretamente a proposta apresentada pelo principal adversário eleitoral.
“A ideia do outro [Flávio Bolsonaro]: ‘Eu quero ganhar as eleições para tirar meu pai da cadeia’. E eu quero ganhar para manter ele na cadeia”, declarou.
A fala transforma a situação jurídica de Jair Bolsonaro em mais um ponto explícito de contraste entre as campanhas de Lula e Flávio. De um lado, o senador promete buscar a libertação dos condenados pela trama golpista; do outro, Lula defende a manutenção da condenação aplicada pelo Supremo.
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Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses
Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF em setembro de 2025. A pena foi fixada em 27 anos e três meses de prisão.
O Supremo considerou o ex-presidente culpado pelos crimes de organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
A condenação tornou-se definitiva em novembro de 2025, quando se encerrou a possibilidade de recursos dentro daquela ação penal. Bolsonaro começou então a cumprir a pena.
Prisão domiciliar foi concedida por razões de saúde
Depois de passar por problemas de saúde e internação, Bolsonaro recebeu autorização para cumprir a pena temporariamente em casa. Posteriormente, o STF manteve a prisão domiciliar humanitária.
A medida não representa revogação nem redução da condenação. O ex-presidente continua cumprindo a pena imposta pela Justiça, mas fora de uma unidade prisional.
O regime também possui restrições. Visitas e atividades de caráter político-eleitoral passaram a ser controladas judicialmente, e decisões do Supremo limitaram a possibilidade de Bolsonaro utilizar terceiros para divulgar manifestações políticas.
Flávio promete anistia caso seja eleito
Flávio Bolsonaro tem colocado a situação do pai entre os temas de sua campanha presidencial. O senador já afirmou publicamente que pretende conceder anistia aos condenados no processo da trama golpista caso seja eleito.
Durante sabatina na campanha, o candidato afirmou que pretende adotar a medida ainda durante a transição para o novo governo, caso vença a eleição.
Uma eventual anistia, porém, dependeria dos instrumentos jurídicos e políticos disponíveis. O alcance de qualquer medida dessa natureza poderia ser contestado judicialmente e dependeria de seu formato.
Disputa eleitoral incorpora situação jurídica do ex-presidente
Jair Bolsonaro não disputa as eleições de 2026, mas continua presente na campanha por meio da candidatura do filho. Flávio utiliza o legado político do pai e mantém a condenação como um dos pontos de confronto com seus adversários.
Lula, por sua vez, passou a citar com frequência a condenação do ex-presidente ao defender a responsabilização dos envolvidos na tentativa de impedir a transição de poder após as eleições de 2022.
A declaração deste sábado deixa esse contraste ainda mais explícito: enquanto Flávio apresenta a libertação do pai como compromisso político, Lula afirma que pretende preservar a situação definida pela condenação judicial.
STF rejeitou recursos contra condenação
Depois da condenação, a defesa de Bolsonaro apresentou recursos para tentar rever a decisão. O Supremo rejeitou as medidas e reconheceu o trânsito em julgado da ação.
Em maio deste ano, os advogados apresentaram uma revisão criminal, instrumento previsto para questionar condenações definitivas em situações específicas.
O pedido não suspende automaticamente a pena. Enquanto não houver uma nova decisão judicial que modifique a condenação, Bolsonaro continua submetido à pena fixada pelo STF.
Campanha em Santa Catarina também teve outros temas
A declaração ocorreu durante a passagem de Lula por Florianópolis neste sábado. O presidente participou de ato eleitoral acompanhado de aliados e também abordou outros assuntos da campanha.
Entre os temas apresentados estavam segurança pública, participação das mulheres na política, soberania nacional e as apostas on-line. Lula voltou a afirmar que deseja restringir fortemente o funcionamento das bets no país.
A disputa com Flávio Bolsonaro, porém, apareceu de forma direta quando Lula comparou os objetivos dos dois candidatos em relação ao futuro de Jair Bolsonaro.
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Entenda o contexto
Jair Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O STF fixou pena de 27 anos e três meses e apontou o ex-presidente como líder da organização criminosa envolvida na articulação golpista.
A condenação tornou-se definitiva em novembro daquele ano. Bolsonaro inicialmente cumpriu pena em unidade de custódia e, após problemas de saúde, recebeu prisão domiciliar humanitária, condição mantida pelo Supremo em decisões posteriores.
Flávio Bolsonaro assumiu a candidatura presidencial do PL e passou a defender publicamente uma anistia para o pai e para outros condenados no mesmo processo. Lula, candidato à reeleição, faz o movimento oposto e usa a responsabilização judicial dos envolvidos como parte de seu discurso eleitoral.
A frase dita neste sábado, portanto, reforça um contraste já presente na campanha: os candidatos divergem diretamente sobre como o Estado deve tratar a condenação de Jair Bolsonaro. A manutenção ou eventual alteração da situação jurídica do ex-presidente, no entanto, também está submetida às regras constitucionais e às decisões do Judiciário.
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