O governo do presidente Donald Trump retomou a construção de um muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, desta vez em uma extensa área da região de Big Bend, no oeste do Texas. Os primeiros painéis começaram a ser instalados em um trecho de aproximadamente 76 quilômetros no Condado de Hudspeth.
A obra faz parte de um plano de US$ 46 bilhões para ampliar a infraestrutura de segurança na fronteira sul americana, com muros, barreiras, estradas de acesso e equipamentos de vigilância. A iniciativa avança em uma região onde moradores, proprietários de terras, ambientalistas e autoridades locais têm questionado os impactos do projeto.
Novo muro terá painéis de aço de cerca de 9 metros
O trecho em construção é conhecido como Big Bend 1 e terá cerca de 47 milhas, o equivalente a 76 quilômetros. A instalação dos painéis começou nesta semana no Condado de Hudspeth.
A estrutura utiliza grandes pilares de aço com aproximadamente 9 metros de altura. A região de Big Bend possui cinco áreas previstas para projetos de infraestrutura de fronteira, distribuídas por uma faixa que se estende por centenas de quilômetros no oeste do Texas.
O governo americano afirma que as barreiras fazem parte de sua estratégia para dificultar travessias irregulares e reforçar o combate ao tráfico de drogas e outras atividades ilícitas na fronteira com o México.
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Obra faz parte de projeto bilionário
A retomada da construção em Big Bend está inserida em um projeto de US$ 46 bilhões destinado à infraestrutura da fronteira dos Estados Unidos com o México.
A proposta não se limita à instalação de barreiras físicas. O planejamento inclui estradas para patrulhamento, câmeras, sensores, iluminação e outros equipamentos de monitoramento.
Trump transformou a ampliação do muro em uma das principais bandeiras de sua política migratória. Desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, seu governo retomou projetos de barreiras em diferentes pontos da fronteira.
Big Bend concentra centenas de quilômetros de projetos
A área de Big Bend se estende pelo extremo oeste do Texas e inclui regiões desérticas, propriedades privadas e áreas ambientalmente sensíveis próximas à divisa com o México.
Os projetos planejados para a região abrangem aproximadamente 800 quilômetros, desde áreas de Hudspeth, ao sul de El Paso, até as proximidades do Lago Amistad.
A construção iniciada agora, porém, não deve ser confundida com outro projeto de infraestrutura próximo ao Parque Nacional Big Bend que chegou a ser suspenso após críticas e negociações com grupos contrários às intervenções.
Moradores e ambientalistas contestam projeto
A expansão das barreiras enfrenta resistência de proprietários rurais, ambientalistas, empresários e moradores. Entre as preocupações apresentadas estão possíveis impactos ambientais, interferências em propriedades privadas, riscos relacionados ao escoamento da água e consequências para o turismo.
Grupos indígenas também apontam preocupação com locais considerados culturalmente e historicamente importantes na região.
Parte dos opositores questiona ainda a necessidade de grandes barreiras físicas em Big Bend, argumentando que a região possui terreno remoto e historicamente registra uma parcela pequena das travessias irregulares da fronteira sudoeste.
O governo, por outro lado, sustenta que as obras são necessárias para fechar áreas consideradas vulneráveis e ampliar a capacidade de fiscalização ao longo de toda a divisa.
Parque Nacional deve ter monitoramento tecnológico
A atual etapa de construção não prevê a instalação do mesmo paredão de aço dentro do Parque Nacional Big Bend.
Para a área protegida, a estratégia apresentada pelas autoridades americanas inclui recursos como câmeras, sensores e barreiras para impedir a passagem de veículos, além de outras estruturas de monitoramento.
A diferenciação ganhou importância após a forte reação provocada por planos anteriores de infraestrutura dentro e nos arredores do parque.
Construção avança em outras partes da fronteira
As obras no Texas fazem parte de uma expansão que também alcança pontos da Califórnia e do Arizona. O objetivo declarado do governo Trump é preencher trechos ainda sem barreiras e complementar estruturas existentes.
Segundo a agência americana responsável pela proteção das fronteiras, aproximadamente 200 milhas — cerca de 322 quilômetros — de novas barreiras já foram construídas desde o início do segundo mandato de Trump.
A conclusão das principais estruturas físicas está prevista para os próximos anos, enquanto equipamentos eletrônicos de vigilância devem continuar sendo instalados posteriormente.
O avanço do projeto, no entanto, deverá continuar acompanhado por disputas judiciais e questionamentos sobre propriedades privadas, proteção ambiental e os efeitos das estruturas nas comunidades próximas à fronteira.
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Entenda o contexto
A construção de um muro na fronteira com o México se tornou uma das propostas mais conhecidas de Donald Trump desde sua primeira campanha presidencial. Durante seu primeiro mandato, o governo construiu ou substituiu barreiras em diferentes trechos da divisa, mas o projeto não foi concluído em toda a extensão pretendida.
Com o retorno de Trump à Casa Branca em 2025, a política migratória voltou a ser endurecida. Além da retomada das obras na fronteira, o governo ampliou ações de fiscalização e deportação e adotou novas medidas relacionadas à entrada e permanência de estrangeiros no país.
A nova frente de construção em Big Bend mostra que o governo pretende levar as barreiras físicas também a áreas remotas do Texas. Ao mesmo tempo, a resistência local e as ações judiciais indicam que a execução do projeto continuará sendo disputada em algumas regiões.
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