Coreia do Norte lança dois mísseis em três horas; EUA descartam ameaça imediata

Projéteis foram disparados da região de Wonsan em direção ao mar; Coreia do Sul reforçou a vigilância, enquanto comando americano afirmou que lançamentos não representam ameaça imediata aos Estados Unidos ou aliados.
Redação NC News
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A Coreia do Norte lançou dois mísseis em um intervalo de aproximadamente três horas neste domingo (20), em mais uma demonstração militar que elevou a tensão na Península Coreana. Os disparos partiram da região de Wonsan, na costa leste do país, e seguiram em direção ao Mar do Leste, também conhecido como Mar do Japão.

O primeiro míssil balístico de curto alcance percorreu cerca de 450 quilômetros, segundo militares sul-coreanos. O segundo lançamento ocorreu pouco menos de três horas depois, também a partir da região de Wonsan, e o projétil percorreu mais de 600 quilômetros. Os Estados Unidos afirmaram que acompanham a situação, mas avaliaram que os lançamentos não representam ameaça imediata ao território americano ou aos aliados na região.

Dois lançamentos ocorreram em intervalo de três horas

O Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul detectou o primeiro lançamento por volta das 15h no horário local, equivalente às 3h pelo horário de Brasília.

O projétil foi identificado como um míssil balístico de curto alcance e percorreu aproximadamente 450 quilômetros antes de cair no mar.

Por volta das 17h50 no horário local, militares sul-coreanos identificaram um segundo lançamento. O segundo projétil percorreu mais de 600 quilômetros na mesma direção.

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Coreia do Sul reforçou monitoramento

Após os disparos, as Forças Armadas sul-coreanas informaram que reforçaram a vigilância diante da possibilidade de novos lançamentos.

Seul também compartilhou informações sobre os projéteis com Estados Unidos e Japão, países que mantêm mecanismos conjuntos de acompanhamento das atividades militares norte-coreanas.

O Conselho de Segurança Nacional da Coreia do Sul se reuniu para analisar a situação. O governo sul-coreano pediu que Pyongyang interrompa os lançamentos e afirmou que disparos de mísseis balísticos violam resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

EUA dizem não ver ameaça imediata

Os Estados Unidos informaram que estão acompanhando os lançamentos em coordenação com Coreia do Sul e Japão.

A avaliação inicial das forças americanas é de que os disparos não representam uma ameaça imediata ao território dos Estados Unidos, às tropas americanas posicionadas na região ou aos países aliados.

Washington, entretanto, reiterou seus compromissos de defesa com Seul e Tóquio e mantém o monitoramento das atividades militares norte-coreanas.

Japão também acompanhou os disparos

O governo japonês monitorou a trajetória dos projéteis e informou que os lançamentos ocorreram em direção ao mar na costa leste da Península Coreana.

As informações iniciais indicaram que os projéteis não atingiram território japonês. Autoridades acompanharam a situação para avaliar possíveis impactos sobre embarcações e aeronaves.

Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos mantêm um sistema de compartilhamento de informações sobre lançamentos norte-coreanos diante do avanço do programa de mísseis de Pyongyang.

Novos disparos ocorrem oito dias após outros testes

Os lançamentos deste domingo ocorreram oito dias depois de a Coreia do Norte realizar outra rodada de disparos em direção ao mar.

A sequência mantém elevada a tensão na região em meio às críticas de Pyongyang às atividades militares realizadas pelos Estados Unidos e seus aliados.

A Coreia do Norte afirma que o fortalecimento de seu arsenal é necessário para responder ao que considera ameaças militares de Washington, Seul e Tóquio. Os três países, por sua vez, afirmam que a cooperação defensiva é necessária diante dos programas nuclear e de mísseis norte-coreanos.

Lançamentos acontecem após nova disputa com a AIEA

Os testes também ocorreram depois de Pyongyang rejeitar uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relacionada ao programa nuclear norte-coreano.

A Coreia do Norte reafirmou nos últimos dias que não pretende abandonar seu arsenal nuclear e considera irreversível sua condição de Estado com armas nucleares.

A posição contrasta com as cobranças internacionais pela desnuclearização da Península Coreana e mantém um dos principais impasses diplomáticos envolvendo o país.

Pyongyang promete continuar ampliando arsenal

Autoridades norte-coreanas vêm defendendo publicamente a continuidade do desenvolvimento de armas nucleares e novos sistemas de mísseis.

Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong-un e uma das principais figuras do governo, afirmou recentemente que o status nuclear do país não está aberto a negociações nas condições atualmente apresentadas por outros países.

O vice-ministro da Defesa norte-coreano, Kim Kang Il, também relacionou a ampliação do arsenal à cooperação militar entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.

Diálogo entre Washington e Pyongyang segue sem avanço

Apesar das tensões, Estados Unidos e Coreia do Norte mantêm aberta a possibilidade de uma retomada das negociações.

O presidente americano Donald Trump já sinalizou interesse em voltar a conversar com Kim Jong-un. Os dois líderes realizaram três encontros durante o primeiro mandato de Trump, entre 2018 e 2019.

As negociações daquele período não produziram um acordo definitivo sobre o programa nuclear norte-coreano. Desde então, Pyongyang ampliou seu arsenal e reforçou relações estratégicas com Rússia e China.

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Entenda o contexto

A Coreia do Norte desenvolve há décadas programas nuclear e de mísseis balísticos e afirma que essas armas são necessárias para sua defesa diante da presença militar dos Estados Unidos na região.

Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão consideram o avanço do arsenal norte-coreano uma ameaça à segurança regional e ampliaram mecanismos de cooperação, exercícios conjuntos e compartilhamento de informações sobre lançamentos.

Pyongyang reage afirmando que essas atividades militares representam uma ameaça e usa o argumento para justificar o fortalecimento de suas próprias forças. Essa dinâmica mantém a Península Coreana em um ciclo de testes, exercícios militares, sanções e pressão diplomática.

Os dois lançamentos deste domingo acrescentam um novo episódio a esse cenário. Embora os Estados Unidos não tenham identificado ameaça imediata, Coreia do Sul e Japão mantêm a vigilância diante da possibilidade de novos testes.

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