O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar na eleição estadual de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental neste domingo (20), segundo pesquisa de boca de urna divulgada pela televisão pública alemã. A legenda aparece com 37% dos votos, à frente do Partido Social-Democrata (SPD), que registra 35,5%.
O resultado representa mais um avanço estadual da AfD e aumenta a pressão política sobre o chanceler Friedrich Merz. A União Democrata Cristã (CDU), partido do chefe de governo, aparece com apenas 5,5% dos votos, pouco acima da cláusula de barreira de 5% exigida para representação no Parlamento estadual.
AfD chega a 37% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
As primeiras projeções colocam a AfD na liderança de uma disputa apertada com os social-democratas. Enquanto a legenda de extrema direita registra 37%, o SPD aparece logo atrás, com 35,5%.
A votação ocorreu em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, estado predominantemente rural localizado no nordeste da Alemanha e que fazia parte da antiga Alemanha Oriental.
Apesar da liderança nas urnas, o resultado não significa automaticamente que a AfD assumirá o governo estadual. Os principais partidos alemães mantêm a posição de não formar coalizões com a legenda, o que pode permitir a construção de outra maioria parlamentar.
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Partido de Merz tem resultado historicamente baixo
A CDU, de Friedrich Merz, aparece com 5,5% dos votos na pesquisa de boca de urna, desempenho que deixa a legenda próxima do limite mínimo necessário para entrar no Parlamento estadual.
Se o resultado for confirmado, será o pior desempenho da CDU em uma eleição estadual desde 1949.
Merz classificou o cenário como um “desastre”, mas indicou que pretende continuar à frente do governo e manter sua agenda política.
AfD já havia liderado eleição na Saxônia-Anhalt
O desempenho deste domingo ocorre duas semanas depois de outra votação estadual em que a AfD terminou na primeira colocação.
Na Saxônia-Anhalt, em 6 de setembro, o partido recebeu cerca de 44% dos votos, resultado que ampliou sua representação regional e consolidou o crescimento observado principalmente nos estados do leste alemão.
Assim como ocorre agora em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a primeira colocação não garante automaticamente o comando do governo. A formação de uma maioria parlamentar depende das negociações entre os partidos representados na Assembleia estadual.
AfD também cresce em Berlim
Além da votação em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os eleitores de Berlim também foram às urnas neste domingo.
Na capital alemã, a pesquisa de boca de urna indica o partido A Esquerda (Die Linke) na liderança, com 24,5%. A CDU aparece com aproximadamente 20%, enquanto a AfD chega a 16%.
O resultado mostra cenários diferentes nas duas eleições: enquanto a AfD lidera no estado do nordeste, a esquerda aparece em primeiro lugar na capital.
Outros partidos descartam acordo com a AfD
Mesmo com o crescimento eleitoral, a AfD enfrenta dificuldades para transformar a primeira colocação em controle dos governos estaduais.
Isso ocorre porque as principais legendas alemãs mantêm uma política de isolamento político da sigla e descartam formar coalizões com ela. A estratégia é conhecida na política alemã como uma barreira contra alianças com a extrema direita.
Na prática, o partido pode conquistar a maior bancada sem necessariamente reunir os votos necessários para eleger o chefe do governo estadual.
Resultado aumenta pressão sobre Friedrich Merz
As eleições estaduais são acompanhadas nacionalmente porque funcionam como um indicador do apoio aos principais partidos alemães e da força política do governo federal.
Para Merz, o resultado representa um novo desafio depois do avanço da AfD na Saxônia-Anhalt. A queda da CDU em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também intensifica o debate interno sobre a estratégia adotada pelo partido diante do crescimento da legenda de extrema direita.
O chanceler convocou dirigentes partidários para discutir os próximos passos após a divulgação dos resultados.
AfD ampliou espaço na política alemã
Criada em 2013 inicialmente como uma força crítica à política econômica da União Europeia, a AfD mudou seu perfil ao longo dos anos e passou a concentrar sua atuação principalmente em imigração, segurança e críticas à integração europeia.
O partido defende regras mais rígidas para imigração e deportação de estrangeiros sem direito de permanência no país, além de mudanças na relação da Alemanha com a União Europeia e uma reaproximação energética com a Rússia.
O crescimento da legenda nos estados do leste transformou a AfD em uma das principais forças da política alemã e tornou a estratégia dos demais partidos em relação à sigla um dos temas centrais do debate nacional.
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Entenda o contexto
A AfD vem ampliando sua presença eleitoral na Alemanha, especialmente nos estados que integravam a antiga Alemanha Oriental. Em 6 de setembro, a legenda terminou em primeiro lugar na Saxônia-Anhalt, com cerca de 44% dos votos.
Duas semanas depois, as pesquisas de boca de urna em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental voltaram a colocar o partido na liderança, desta vez com 37%. O SPD aparece próximo, com 35,5%, enquanto a CDU registra 5,5%.
Os números ainda dependem da apuração definitiva. Além disso, terminar em primeiro lugar não significa necessariamente assumir o governo estadual, já que a Alemanha adota um sistema parlamentar e a formação do Executivo depende da capacidade de reunir uma maioria no Parlamento.
Os principais partidos continuam descartando alianças com a AfD. Dessa forma, as negociações posteriores à eleição serão determinantes para definir quem comandará Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
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