Lula deve levar defesa da soberania nacional ao centro de discurso na ONU

Presidente abre o debate entre chefes de Estado na terça-feira (22), em Nova York; expectativa é de uma fala sobre multilateralismo, interferência externa, conflitos internacionais, meio ambiente e regulação de plataformas digitais
Redação NC News
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve colocar a defesa da soberania nacional entre os principais pontos de seu discurso na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), em Nova York. A expectativa é que o brasileiro também defenda o multilateralismo e rejeite interferências externas em decisões internas dos países.

A fala ainda está em elaboração e ocorre em um momento de novas tensões entre Brasil e Estados Unidos. Apesar desse cenário, a previsão é que Lula não cite diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, ao abordar soberania e relações internacionais.

Soberania deve ser um dos eixos da fala de Lula

A mensagem que vem sendo preparada pelo governo parte da defesa de que cada país deve ter autonomia para tomar suas próprias decisões políticas, econômicas e institucionais, sem interferência estrangeira.

O tema ganhou espaço recorrente nos discursos de Lula em 2026. No pronunciamento pelo 7 de Setembro, o presidente associou soberania à proteção do território, das riquezas naturais, das decisões comerciais e da capacidade tecnológica brasileira.

Na ONU, a abordagem deve ganhar dimensão internacional. Além da soberania, Lula deverá defender o fortalecimento de organismos multilaterais como espaço para negociação entre os países e resolução de conflitos.

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Brasil e Estados Unidos vivem momento de tensão

O discurso acontece em meio a divergências recentes entre Brasília e Washington. Questões comerciais, decisões envolvendo o Brasil e declarações de integrantes do governo norte-americano passaram a alimentar discussões sobre os limites da atuação externa em assuntos brasileiros.

O governo Lula tem respondido a esses episódios com uma mensagem centrada na autonomia do país. A posição brasileira é de que relações diplomáticas e comerciais devem ser construídas por meio do diálogo, sem que isso signifique aceitar interferência em decisões internas.

Essa linha já apareceu no pronunciamento presidencial do 7 de Setembro. Na ocasião, Lula afirmou que nenhum país estrangeiro deve determinar de quem o Brasil pode comprar ou para quem pode vender.

Trump não deve ser citado diretamente

Apesar das divergências com Washington, a expectativa é que Lula evite transformar o pronunciamento na ONU em uma resposta nominal a Donald Trump.

A estratégia prevista é tratar os temas de forma mais ampla, apresentando a defesa da soberania e do multilateralismo como princípios da política externa brasileira.

Trump falará logo depois de Lula na Assembleia Geral. A proximidade entre os dois discursos também abriu a possibilidade de um contato nos bastidores, embora não exista, até agora, uma reunião bilateral formalmente confirmada entre os presidentes.

Conflitos e corrida armamentista devem entrar no discurso

Questões internacionais também deverão ocupar parte importante da fala brasileira. Lula deve abordar conflitos em andamento, negociações de paz e os efeitos econômicos e humanitários das guerras.

A corrida armamentista e a disputa internacional por recursos naturais considerados estratégicos estão entre os assuntos que podem aparecer no pronunciamento.

A defesa do multilateralismo está ligada justamente à visão do governo brasileiro de que grandes crises internacionais devem ser discutidas em fóruns que reúnam diferentes países, em vez de serem conduzidas exclusivamente por decisões unilaterais.

Meio ambiente, inteligência artificial e plataformas digitais

A agenda ambiental também deve estar presente. O Brasil tem utilizado fóruns internacionais para defender medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, proteção das florestas e financiamento destinado à transição para uma economia de baixo carbono.

Outro eixo esperado envolve tecnologia. Regulação das plataformas digitais e inteligência artificial estão entre os temas que vêm aparecendo nas manifestações internacionais do governo brasileiro.

Lula já defendeu que os países tenham capacidade de estabelecer e fazer cumprir suas próprias regras também no ambiente digital. Em pronunciamentos anteriores na ONU, o presidente relacionou essa capacidade ao próprio conceito de soberania.

A proteção de crianças e mulheres também deverá integrar a agenda apresentada pelo Brasil durante a passagem por Nova York.

Lula abre sequência entre chefes de Estado

Como ocorre tradicionalmente no debate geral da Assembleia, o Brasil será o primeiro país a discursar entre os chefes de Estado. Lula embarca para Nova York no domingo (20) e deverá deixar a cidade depois de cumprir a agenda na terça-feira.

Logo depois da participação brasileira, será a vez de Trump ocupar a tribuna. A disposição da programação pode colocar os dois presidentes próximos nos bastidores da sede das Nações Unidas.

Lula já afirmou publicamente que gostaria de conversar com o norte-americano durante a passagem por Nova York. Até o momento, porém, não há confirmação de um encontro bilateral formal.

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Entenda o contexto

A defesa da soberania ganhou destaque na comunicação de Lula ao longo das últimas semanas. No 7 de Setembro, o presidente afirmou que riquezas como petróleo, água e minerais estratégicos devem ser utilizadas para desenvolver tecnologia, gerar empregos e ampliar a capacidade produtiva brasileira.

O tema também se conecta às relações entre Brasil e Estados Unidos. Os dois governos mantêm divergências em áreas comerciais e políticas, mas também preservam canais de negociação e diálogo.

Na Assembleia da ONU, Lula deverá ampliar essa mensagem para além da relação bilateral com Washington. A expectativa é apresentar soberania, multilateralismo e cooperação internacional como partes de uma mesma estratégia diplomática.

A viagem ainda poderá proporcionar um novo contato entre Lula e Trump. A possibilidade existe por causa da proximidade entre os horários dos discursos, mas nenhum encontro formal entre os dois está confirmado até agora.

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