Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro, acusadas de envolvimento na morte da própria mãe, a empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, de 55 anos, passam por audiência de instrução nesta terça-feira (22), no Tocantins. Deise foi morta em dezembro de 2025, e o corpo foi encontrado no Rio Santa Tereza, no sul do estado, no início de janeiro.
Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), o crime teria sido planejado em meio a disputas patrimoniais envolvendo o controle de uma fábrica da família e o processo de divórcio da vítima. Além das duas filhas, o marido de Deise, José Roberto Ribeiro, e o genro Mateus Viana de Oliveira respondem à ação penal. As responsabilidades ainda serão analisadas pela Justiça.
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Audiência está marcada para esta terça-feira
O Tribunal de Justiça do Tocantins confirmou que a audiência de instrução do processo está marcada para esta terça-feira (22). Nessa fase, testemunhas podem ser ouvidas, provas são submetidas ao contraditório e os acusados podem prestar depoimento.
A etapa não representa o julgamento definitivo do caso. Ao final da primeira fase do processo, caberá à Justiça avaliar os elementos apresentados pela acusação e pelas defesas e decidir sobre o prosseguimento da ação.
Déborah e Roberta foram indiciadas por feminicídio pela Polícia Civil. O MPTO apresentou denúncia contra quatro integrantes da família em abril deste ano.
Polícia apontou interesse financeiro como possível motivação
As investigações da Polícia Civil apontaram que as filhas dependiam financeiramente da mãe para manter determinado padrão de vida e que conflitos familiares envolvendo dinheiro teriam antecedido o crime.
Segundo o delegado João Paulo Sousa Ribeiro, responsável pela investigação, as filhas enxergariam a mãe como um obstáculo para terem maior controle sobre o patrimônio e os negócios da família.
Essa é a linha apresentada pela investigação e pela acusação. A definição sobre a responsabilidade criminal das rés caberá à Justiça após a análise das provas e das versões apresentadas pelas defesas.
MP aponta disputa por fábrica e processo de divórcio
De acordo com a acusação do Ministério Público, o crime teria relação com disputas patrimoniais pelo controle de uma fábrica pertencente à família.
O MPTO também sustenta que o planejamento estaria relacionado à tentativa de impedir que Deise concluísse o processo de divórcio.
Além de Déborah e Roberta, José Roberto Ribeiro, marido da vítima, e Mateus Viana de Oliveira, namorado de Déborah, respondem à ação penal.
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Deise foi morta em área rural de Peixe
Deise foi levada para uma área rural próxima à Vila Quixaba, no município de Peixe, no sul do Tocantins, onde foi morta a facadas, segundo a investigação.
Depois do crime, o corpo da empresária foi jogado no Rio Santa Tereza. Inicialmente, ela foi considerada desaparecida.
O corpo foi localizado no rio em 1º de janeiro de 2026, dando início a uma investigação que posteriormente chegou aos familiares da vítima.
Celular teria sido usado para simular que vítima estava viva
Um dos elementos apurados pela Polícia Civil envolve um aparelho celular adquirido antes do assassinato e cadastrado no nome de Deise.
Segundo a investigação, o telefone teria sido utilizado pelas filhas para enviar mensagens a familiares se passando pela empresária. A suspeita é de que a estratégia buscava criar a impressão de que Deise havia ido embora voluntariamente e, assim, atrasar as buscas.
A polícia também analisou informações técnicas de torres de telefonia e conexões de internet. De acordo com os investigadores, esses dados indicariam a presença das duas filhas na região onde o crime ocorreu.
Pai das acusadas responde em liberdade
José Roberto Ribeiro, marido de Deise e pai das duas acusadas, foi indiciado por suspeita de atrapalhar a investigação e eliminar registros considerados relevantes.
A Polícia Civil afirmou, porém, que não encontrou indícios de participação dele diretamente na morte da empresária.
Segundo os autos, José teria apagado mensagens e ocultado o veículo que, conforme a investigação, foi utilizado pelas filhas para transportar o corpo.
Ele chegou a ser preso em fevereiro, mas foi solto em abril e responde ao processo em liberdade. Mateus Viana de Oliveira também responde em liberdade.
Defesa diz que acusação não representa condenação
A defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que a audiência de instrução é uma etapa importante para confrontar as provas reunidas durante a investigação e esclarecer os fatos perante o Judiciário.
Os advogados ressaltaram que a existência da acusação não significa condenação e defenderam que a eventual responsabilidade penal somente seja definida após a análise de todo o conjunto de provas produzido no processo.
A defesa também afirmou que seguirá atuando de forma técnica e respeitando a memória da vítima e as instituições.
Entenda o contexto
Deise Carmem de Oliveira Ribeiro tinha 55 anos e era empresária. Ela desapareceu no fim de dezembro de 2025 e foi encontrada morta no Rio Santa Tereza em 1º de janeiro deste ano.
A investigação levou à prisão de duas filhas e do marido da vítima em fevereiro. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia contra quatro familiares, incluindo o genro Mateus Viana.
Nesta terça-feira (22), o processo entra em uma nova etapa com a audiência de instrução. O procedimento permitirá a produção e o confronto de provas antes das próximas decisões judiciais sobre o caso.
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