Antes mesmo de transformar Aquaman em um dos personagens mais conhecidos de sua carreira, Jason Momoa já usava sua projeção em Hollywood para defender causas ligadas ao Havaí. Em 2019, uma dessas manifestações produziu uma cena que voltou a representar bem a relação do ator com o ativismo: ele transformou comentários sobre o próprio corpo em espaço para protestar contra a construção de um gigantesco telescópio em Mauna Kea.
Na época, fotos de Momoa sem camisa haviam provocado comentários nas redes sociais sobre seu chamado “dad bod” — expressão usada para descrever um corpo masculino menos definido. Durante a mobilização havaiana, o ator decidiu responder com humor.
Em um vídeo, Momoa levantou a camiseta, mostrou a barriga e chamou atenção para uma mensagem escrita no corpo. Em vez de discutir apenas sua aparência, direcionou a conversa para o Thirty Meter Telescope (TMT), projeto que enfrenta resistência de parte da população nativa do Havaí.
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“E aí, o que acham desse corpo de papai?”
A resposta de Momoa ocorreu em agosto de 2019, quando o ator estava envolvido nas manifestações contra a construção do TMT em Mauna Kea.
Ao ser filmado, ele levantou a camiseta e ironizou os comentários que vinha recebendo sobre seu físico.
“E aí, o que acham desse corpo de papai?”, brincou Jason Momoa ao mostrar a barriga durante o protesto.
A brincadeira fazia referência direta ao debate que havia surgido nas redes depois que imagens de férias do ator provocaram comparações entre seu corpo naquele momento e o físico extremamente definido exibido em produções como Aquaman.
Mas Momoa aproveitou a atenção para levar a discussão de volta ao assunto que pretendia divulgar.
Mensagem estava escrita no corpo do ator
Na barriga de Momoa estava escrita uma equação resumindo sua posição sobre a disputa.
“TMT + Ilhas Canárias = descoberta”, dizia a mensagem exibida por Jason Momoa.
A referência às Ilhas Canárias não era aleatória. O Observatório Roque de los Muchachos, na ilha espanhola de La Palma, já havia sido escolhido pelo consórcio responsável pelo TMT como principal alternativa caso a instalação no Havaí não pudesse avançar.
Assim, ao exibir a frase, Momoa defendia que o projeto científico fosse transferido para outro local em vez de construído em Mauna Kea.
Momoa deixou claro que não era contra a astronomia
Em suas manifestações públicas, Momoa procurou diferenciar a oposição à localização escolhida de uma rejeição à ciência.
Em uma publicação feita naquele período, o ator afirmou apoiar tanto a ciência quanto a astronomia e lembrou a relação histórica dos povos polinésios com as estrelas e a navegação.
“Nós apoiamos a ciência. Mais importante, é astronomia, e também apoiamos isso”, escreveu Momoa ao defender a transferência do TMT.
A objeção do ator estava direcionada à construção do enorme equipamento em Mauna Kea, local de profundo significado cultural e espiritual para muitos havaianos nativos.
“Não vão construir isso aqui”
Momoa esteve pessoalmente em Mauna Kea com os filhos e participou das mobilizações ao lado dos chamados kiaʻi, os protetores da montanha.
Durante uma das visitas, deixou explícita sua posição contra o empreendimento naquele local.
“Há uma coisa que não vai acontecer: eles não vão construir isso aqui”, afirmou Jason Momoa durante a mobilização.
O ator também havia participado de mobilizações relacionadas ao projeto anos antes. Em 2015, ele já havia divulgado a expressão “We Are Mauna Kea” escrita sobre o corpo.
Por que Mauna Kea provoca tanta disputa?
Mauna Kea reúne condições excepcionais para observação astronômica e abriga há décadas diferentes instalações científicas.
Ao mesmo tempo, a montanha possui enorme importância cultural e espiritual para havaianos nativos. É justamente essa sobreposição entre ciência, território, meio ambiente e direitos indígenas que transformou o TMT em uma disputa que atravessa anos.
O Thirty Meter Telescope foi projetado como um observatório de nova geração com um espelho principal de 30 metros de diâmetro, capaz de observar o universo com um nível de detalhamento muito superior ao de muitos equipamentos atualmente disponíveis.
Seus responsáveis defendem o potencial científico do projeto. Já opositores questionam a escolha de Mauna Kea e o histórico de utilização da montanha para grandes instalações astronômicas.
Ator disse que não sairia da montanha
Durante a mobilização de 2019, Momoa reforçou que sua participação não seria apenas uma aparição rápida diante das câmeras.
“Nós não vamos a lugar nenhum. Eu não vou a lugar nenhum”, disse Momoa aos manifestantes em Mauna Kea.
Ele também afirmou que tentava usar sua exposição pública para mostrar ao mundo o que acontecia no território.
“Tentei fazer tudo o que podia para mostrar esses momentos ao redor do mundo para todos que amam suas terras”, afirmou o ator.
A presença de Momoa ajudou a ampliar a repercussão internacional da mobilização. Outros artistas ligados ao Havaí, entre eles Dwayne Johnson e Bruno Mars, também manifestaram apoio à proteção de Mauna Kea.
Ilhas Canárias realmente eram uma alternativa
A solução escrita na barriga de Momoa tinha fundamento no próprio planejamento do projeto.
Em 2016, o conselho responsável pelo TMT anunciou o Observatório Roque de los Muchachos, em La Palma, nas Ilhas Canárias, como a principal alternativa ao Havaí.
A possibilidade continuou sendo discutida nos anos seguintes e chegou a ganhar uma proposta financeira de grande porte do governo espanhol em 2026.
Sete anos depois, projeto voltou a enfrentar impasse
O episódio envolvendo Momoa aconteceu em 2019, mas a história do TMT está longe de ter terminado.
Em setembro de 2026, o governo espanhol apresentou uma proposta que previa até € 1 bilhão em financiamento para viabilizar a construção do telescópio no Observatório Roque de los Muchachos.
O consórcio internacional responsável pelo TMT, entretanto, informou neste mês que seus parceiros não conseguiram chegar ao consenso necessário para aceitar a oferta.
Com isso, justamente a alternativa defendida por Momoa sete anos atrás voltou ao centro da discussão, agora diante de um novo impasse sobre o futuro do megatelescópio.
Momoa volta a viver Duncan Idaho em 2026
Outra informação que ajuda a situar temporalmente a história é a relação de Momoa com Duna.
Quando o protesto ocorreu, o ator já havia sido escalado como Duncan Idaho no primeiro filme de Denis Villeneuve. O longa, porém, não chegou aos cinemas em dezembro de 2020, como chegou a ser previsto antes da pandemia.
Duna estreou em 2021. Agora, sete anos depois do protesto de Mauna Kea, Momoa retorna ao universo da franquia em Duna: Parte Três, previsto para chegar aos cinemas em dezembro de 2026.
O ator também mudou de personagem no universo da DC: depois de viver Aquaman, interpreta Lobo na nova fase da franquia.
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Entenda O Contexto
Em agosto de 2019, Jason Momoa participou ativamente das manifestações contra a instalação do Thirty Meter Telescope em Mauna Kea, no Havaí.
Naquele mesmo período, o ator vinha sendo alvo de comentários nas redes sociais por aparecer com o corpo menos definido do que o público estava acostumado a vê-lo em produções de Hollywood.
Momoa respondeu com humor, mostrou a barriga e aproveitou a atenção para divulgar sua posição sobre o TMT. A mensagem escrita no corpo defendia as Ilhas Canárias como alternativa para instalação do telescópio.
A possibilidade era real: La Palma havia sido selecionada anos antes como principal alternativa ao Havaí. Em setembro de 2026, porém, o consórcio do TMT informou que não conseguiu chegar a consenso para aceitar uma nova oferta espanhola de financiamento para instalar o projeto no arquipélago.
Assim, o vídeo de Momoa é verdadeiro, mas deve ser apresentado como um registro de 2019 — e não como uma manifestação ocorrida atualmente.
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