A Polícia Civil do Amapá investiga a origem e o destino de mais de R$ 2 milhões em dinheiro vivo apreendidos em uma residência localizada em um condomínio no bairro Marabaixo, na Zona Oeste de Macapá. A apreensão ocorreu na sexta-feira (18), durante a Operação Testa de Ferro.
Dois homens, identificados como Caio César Santos Pereira e Luis Felipe Amorim Ferreira, foram presos em flagrante e tiveram as prisões convertidas em preventivas. Além do dinheiro em espécie, a polícia conseguiu o bloqueio judicial de outros R$ 3 milhões e apreendeu dois veículos.
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Polícia tenta descobrir origem de mais de R$ 2 milhões
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e busca reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro, identificar sua origem e determinar quem receberia os valores.
Segundo o delegado Estéfano Santos, a polícia monitora as movimentações investigadas desde maio de 2025. A apuração foi intensificada nas últimas semanas depois que foram identificados saques de valores elevados realizados por uma das empresas acompanhadas pelos investigadores.
A apreensão é apontada pela Polícia Civil como a maior quantidade de dinheiro em espécie já recolhida pela corporação no Amapá.
Dinheiro veio de Santarém escondido em caixas
Segundo a investigação, os mais de R$ 2 milhões teriam saído de Santarém, no Pará, e chegado ao Amapá por meio de embarcações.
As cédulas estavam escondidas dentro de caixas identificadas como embalagens de peças e acessórios para motocicletas. Capas de chuva eram colocadas sobre o dinheiro para dificultar a identificação do conteúdo.
O material acabou localizado em um imóvel dentro de um condomínio na região do Marabaixo, em Macapá.
Empresa investigada estava registrada como loja de motos aquáticas
A Operação Testa de Ferro investiga um possível esquema de lavagem de dinheiro relacionado a uma organização criminosa com atuação no Amapá.
De acordo com a polícia, empresas teriam sido utilizadas para receber e movimentar recursos provenientes de atividades ilícitas. Uma das empresas investigadas estava registrada como estabelecimento ligado à venda de motos aquáticas.
Os investigadores constataram, porém, que o endereço informado como sede correspondia a uma casa abandonada em Macapá.
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Polícia analisa possível destinação eleitoral
Uma das linhas agora analisadas pelos investigadores é a possibilidade de que parte do dinheiro tivesse destinação eleitoral. Segundo o delegado responsável pelo caso, anotações apreendidas durante a operação levantaram essa hipótese.
A polícia também aguarda a análise de dispositivos eletrônicos recolhidos durante as diligências para verificar se existem elementos capazes de confirmar ou afastar essa possibilidade.
A eventual destinação eleitoral dos valores ainda não foi comprovada. A investigação continua para determinar a origem, o destino e a finalidade do dinheiro.
Draco havia esclarecido foco inicial da investigação
Quando a apreensão foi realizada, a Draco e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) informaram que o procedimento investigativo tinha como objeto suspeitas relacionadas ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, e não a apuração de crime eleitoral.
Na ocasião, os órgãos também afirmaram que referências públicas a crimes como compra de votos não correspondiam ao objeto original da investigação.
Posteriormente, com a análise do material encontrado na operação, a Polícia Civil informou ter identificado indícios que levaram os investigadores a verificar uma eventual destinação eleitoral dos recursos. Essa possibilidade permanece em apuração e não representa uma conclusão sobre a finalidade do dinheiro.
Dois homens tiveram prisão convertida em preventiva
Caio César Santos Pereira e Luis Felipe Amorim Ferreira foram presos em flagrante durante a operação. Posteriormente, as prisões foram convertidas em preventivas.
Os investigadores também apreenderam dois veículos durante as diligências.
A investigação busca esclarecer a participação individual de cada pessoa envolvida. As prisões e os elementos reunidos até agora não equivalem a uma condenação definitiva.
Justiça bloqueou outros R$ 3 milhões
Além do dinheiro encontrado fisicamente no condomínio, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3 milhões em contas relacionadas aos alvos da investigação.
Somados aos valores em espécie, os recursos atingidos pelas medidas chegam a cerca de R$ 5 milhões.
A estratégia dos investigadores é rastrear as movimentações financeiras e verificar se empresas e contas bancárias eram utilizadas para ocultar ou movimentar recursos de origem ilícita.
Investigação começou após movimentações suspeitas
A apuração que resultou na Operação Testa de Ferro começou a partir de investigações anteriores sobre empresas que, segundo a polícia, recebiam valores relacionados ao tráfico de drogas.
A partir dessas informações, os investigadores passaram a acompanhar movimentações financeiras consideradas atípicas. Nos últimos dias, saques elevados feitos por uma das empresas monitoradas chamaram a atenção da equipe.
A Draco agora pretende analisar celulares, documentos, anotações e outros materiais apreendidos para reconstruir todo o fluxo financeiro.
Entenda o contexto
Mais de R$ 2 milhões em espécie foram encontrados na sexta-feira (18) em um imóvel dentro de um condomínio no bairro Marabaixo, na Zona Oeste de Macapá.
Segundo a investigação, o dinheiro teria sido transportado de Santarém, no Pará, em embarcações e escondido em caixas identificadas como produtos para motocicletas.
A Operação Testa de Ferro apura um possível esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao crime organizado. Dois homens foram presos, dois veículos foram apreendidos e outros R$ 3 milhões tiveram bloqueio determinado pela Justiça.
A Polícia Civil também passou a analisar indícios sobre uma eventual destinação eleitoral de parte dos valores. Essa hipótese ainda depende da análise dos materiais apreendidos e não foi confirmada como destino efetivo do dinheiro.
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