A China está acelerando sua estratégia para transformar a inteligência artificial em um dos motores de sua economia e ampliar sua influência na corrida tecnológica mundial. O movimento ganha ainda mais importância durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos para novos encontros com o presidente americano, Donald Trump.
Pequim quer ampliar o uso da IA na indústria, desenvolver tecnologias consideradas estratégicas e fortalecer empresas nacionais em uma área que se tornou um dos principais pontos da competição entre as duas maiores economias do mundo.
Ao mesmo tempo, a China tenta assumir maior protagonismo na criação de regras internacionais para inteligência artificial e apresenta sua estratégia como uma alternativa baseada em cooperação, acesso à tecnologia e participação de países em desenvolvimento.
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O que a China pretende fazer com inteligência artificial?
Um dos principais objetivos chineses é levar a inteligência artificial para setores concretos da economia. A estratégia vai além do desenvolvimento de grandes modelos capazes de gerar textos, imagens e vídeos.
O governo quer integrar IA à manufatura, robótica, saúde, transporte, serviços públicos e outras atividades econômicas, usando a tecnologia para aumentar produtividade e acelerar a modernização industrial.
Em setembro, o primeiro-ministro Li Qiang voltou a defender a iniciativa conhecida como “IA + manufatura”, que busca combinar a capacidade industrial chinesa com tecnologias digitais e sistemas inteligentes.
IA está no centro do novo plano econômico chinês
A estratégia coincide com o início do 15º Plano Quinquenal da China, que cobre o período de 2026 a 2030.
O país pretende utilizar novas tecnologias para modernizar a indústria e reduzir vulnerabilidades em áreas consideradas estratégicas.
Além da inteligência artificial, setores como semicondutores, computação quântica, interfaces cérebro-computador e robótica estão entre as áreas acompanhadas de perto pelo governo chinês.
China tem uma vantagem que vai além dos modelos de IA
Uma das principais características da estratégia chinesa está na combinação entre inteligência artificial e uma enorme estrutura industrial.
A China possui cadeias de produção extensas em áreas como eletrônicos, veículos elétricos, baterias, drones, telecomunicações e robótica. A intenção é utilizar a IA para tornar essas fábricas e produtos cada vez mais automatizados e eficientes.
Essa abordagem ajuda a explicar por que robôs humanoides e sistemas de automação ganharam tanta importância no país: a inteligência artificial pode deixar de existir apenas dentro de computadores e passar a controlar equipamentos capazes de executar tarefas no mundo físico.
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Chips continuam sendo um ponto sensível
Apesar do avanço chinês, semicondutores de alto desempenho continuam no centro da disputa tecnológica com os Estados Unidos.
Washington utiliza controles de exportação e outras restrições para limitar o acesso chinês a determinadas tecnologias consideradas sensíveis. Pequim critica essas medidas e afirma que restrições tecnológicas são utilizadas pelos Estados Unidos para tentar preservar sua vantagem.
O cenário incentivou empresas chinesas a buscar alternativas domésticas para componentes, infraestrutura de computação e sistemas necessários ao treinamento e funcionamento de modelos de inteligência artificial.
China também quer influenciar as regras mundiais da IA
A estratégia chinesa não se limita ao desenvolvimento tecnológico. Pequim também tenta ampliar sua influência sobre a forma como a inteligência artificial será regulamentada internacionalmente.
Em julho, durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial realizada em Xangai, Xi Jinping defendeu a construção de um sistema internacional de governança da IA e afirmou que a tecnologia deve ser utilizada de maneira segura e controlável.
A China também anunciou iniciativas de cooperação em dados, capacidade computacional, modelos de código aberto, formação de profissionais, segurança e padrões internacionais.
Pequim mira países em desenvolvimento
Outra parte da estratégia é ampliar a presença tecnológica chinesa em países emergentes.
Xi anunciou que a China pretende oferecer, nos próximos cinco anos, 5 mil oportunidades de treinamento e seminários relacionados à inteligência artificial para países em desenvolvimento.
O governo chinês também planeja criar centros internacionais de cooperação em aplicações de IA junto a organizações e blocos que reúnem países da Ásia, África, Oriente Médio e América Latina.
Trump e Xi têm IA no radar
A expansão chinesa ocorre enquanto Xi Jinping visita os Estados Unidos entre 23 e 25 de setembro. O encontro com Donald Trump acontece em um momento de competição econômica e tecnológica, mas também de tentativa de manter canais de diálogo entre Washington e Pequim.
Inteligência artificial, comércio, minerais estratégicos e cadeias de suprimentos estão entre os assuntos que cercam a relação bilateral.
Os dois países também discutem os riscos provocados por sistemas avançados de inteligência artificial. Especialistas americanos e chineses vêm defendendo mecanismos de comunicação para evitar que incidentes envolvendo sistemas autônomos provoquem uma escalada entre as duas potências.
Competição deve continuar mesmo com diálogo
A retomada das conversas entre Trump e Xi não significa o fim da competição tecnológica.
Os Estados Unidos procuram preservar sua posição em áreas como chips avançados, infraestrutura computacional e modelos de inteligência artificial. A China, por outro lado, busca reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e acelerar o desenvolvimento de alternativas próprias.
Ao mesmo tempo, os dois governos têm razões para manter canais de comunicação sobre segurança, comércio e riscos associados às tecnologias mais avançadas.
Entenda O Contexto
A inteligência artificial se transformou em uma das áreas mais estratégicas da competição entre Estados Unidos e China.
Enquanto empresas americanas mantêm posições importantes no desenvolvimento de modelos e chips avançados, empresas chinesas ampliam modelos próprios, aplicações industriais, robótica e infraestrutura tecnológica.
Para Pequim, a disputa envolve mais do que produzir um chatbot competitivo. A ambição é incorporar inteligência artificial à economia, fortalecer a indústria nacional, reduzir dependências tecnológicas e aumentar a influência chinesa na definição das regras internacionais para a tecnologia.
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