Comprar a casa própria por meio de financiamento continua exigindo atenção redobrada aos juros. Em setembro, as taxas mínimas anunciadas pelos principais bancos nas linhas tradicionais ficam na casa dos 10% a 12% ao ano, além da Taxa Referencial (TR), segundo levantamento da MySide.
A Caixa aparece com a menor taxa inicial entre as instituições comparadas, de 10,26% ao ano + TR. Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú têm condições iniciais superiores a 11% ao ano. Os valores, porém, são referências mínimas: a taxa efetivamente oferecida depende do perfil do cliente, renda, relacionamento com a instituição, prazo e análise de crédito.
Veja os juros para financiar um imóvel em setembro
No levantamento, a Caixa aparece com taxa a partir de 10,26% ao ano + TR. O Bradesco parte de 11,45% ao ano + TR, enquanto o Banco do Brasil tem taxa mínima de 11,60% ao ano + TR.
No Santander, a taxa parte de 11,69% ao ano + TR. Já o Itaú aparece com juros a partir de 11,99% ao ano + TR.
A comparação considera linhas com juros fixos acrescidos da Taxa Referencial. As condições podem mudar de acordo com as características da operação e do comprador.
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Diferença entre bancos pesa no valor final
Uma diferença que parece pequena na taxa anual pode ganhar peso quando aplicada a um financiamento de centenas de milhares de reais por 20, 30 ou até 35 anos.
Por isso, a taxa mínima anunciada não deve ser o único elemento considerado na comparação. O consumidor precisa observar também o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros e outros custos associados à operação.
O valor da entrada, o sistema de amortização, o prazo escolhido e a possibilidade de utilizar recursos do FGTS também podem modificar significativamente a operação.
Caixa tem menor taxa entre os bancos comparados
Considerando as taxas mínimas das linhas tradicionais analisadas, a Caixa apresenta o menor percentual, de 10,26% ao ano + TR.
Isso não significa, porém, que a instituição necessariamente terá o financiamento de menor custo para todos os compradores. As condições finais dependem da análise individual de crédito e das características do imóvel e da operação.
Da mesma forma, clientes podem receber condições diferentes das taxas mínimas divulgadas pelos bancos. A recomendação é realizar simulações em mais de uma instituição antes de contratar o financiamento.
Minha Casa, Minha Vida pode ter juros a partir de 4%
Para quem atende aos critérios do Minha Casa, Minha Vida, as condições podem ser diferentes das linhas tradicionais oferecidas pelos grandes bancos.
Nas faixas de menor renda, os juros podem começar em aproximadamente 4% ao ano, dependendo da renda familiar e das demais regras aplicáveis ao comprador.
A Faixa 4 do programa atende famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e permite financiar imóveis de até R$ 600 mil. Nessa modalidade, as taxas ficam próximas de 10% ao ano e o prazo pode chegar a 420 meses.
Pró-cotista oferece taxas menores para quem tem FGTS
Outra possibilidade é a linha pró-cotista, voltada a trabalhadores que atendem às condições relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
Nessa modalidade, o Banco do Brasil apresenta taxa de 9% ao ano + TR, enquanto a Caixa parte de 9,01% ao ano + TR, conforme o levantamento.
O FGTS também pode ser utilizado, dentro das regras aplicáveis, para compor a entrada ou amortizar o saldo devedor do financiamento.
Selic caiu, mas financiamento não fica mais barato imediatamente
O cenário dos juros ganhou um elemento novo em setembro. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano no dia 16.
A redução da taxa básica melhora a perspectiva para o crédito, mas não significa que os bancos diminuam imediatamente e na mesma proporção os juros dos financiamentos imobiliários.
O crédito habitacional também depende da disponibilidade de recursos de fontes como a poupança e o FGTS, além das condições financeiras de cada instituição.
Por isso, o impacto de um ciclo de redução da Selic tende a chegar gradualmente às condições oferecidas aos compradores.
Simulação precisa considerar mais do que a taxa de juros
Antes de contratar um financiamento, comparar propostas pode fazer uma diferença relevante no orçamento de longo prazo.
Além da taxa nominal, o comprador deve observar o CET, o valor das prestações, o prazo, o total financiado, o sistema de amortização, seguros e demais despesas previstas na operação.
Também é importante avaliar quanto da renda ficará comprometida mensalmente. Uma prestação que cabe no orçamento hoje precisa continuar sustentável durante um contrato que pode atravessar décadas.
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Entenda o contexto
O financiamento imobiliário atravessa um período de juros elevados. Mesmo com o início de um ciclo de redução da Selic, o custo do crédito habitacional não acompanha automaticamente cada decisão do Banco Central.
A poupança é uma das principais fontes de recursos para o financiamento habitacional no país, ao lado do FGTS. A disponibilidade desses recursos, o custo de captação dos bancos e o risco de cada operação ajudam a determinar as condições oferecidas ao consumidor.
Em setembro, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano. O movimento pode abrir espaço para uma redução gradual do custo do crédito, mas especialistas do mercado imobiliário avaliam que o repasse tende a ocorrer ao longo do tempo.
Para quem pretende comprar agora, a principal estratégia continua sendo comparar propostas e modalidades. Dependendo da renda e das condições do trabalhador, programas habitacionais ou linhas vinculadas ao FGTS podem oferecer taxas menores do que o financiamento imobiliário tradicional.
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