BC mantém cautela após corte da Selic e alerta que cenário fiscal pode dificultar queda dos juros

Ata do Copom não indica qual será o próximo passo e reforça que inflação ainda exige política monetária restritiva; Selic está em 13,75% ao ano.
Redação NC News
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O Banco Central evitou indicar qual será o próximo passo para a taxa Selic e reforçou que os juros ainda precisam permanecer em patamar restritivo para garantir a convergência da inflação à meta. A avaliação consta na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (22), após o corte da taxa básica para 13,75% ao ano.

O documento também voltou a destacar as contas públicas como um dos pontos de atenção. Segundo o comitê, menor esforço em reformas e disciplina fiscal, expansão do crédito direcionado e dúvidas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia e tornar o processo de controle da inflação mais custoso.

Copom não antecipa próximo movimento da Selic

Na reunião encerrada em 16 de setembro, o Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual.

Apesar da redução, a ata não sinaliza de forma antecipada se haverá um novo corte na próxima reunião. O Copom afirma que a extensão do atual ciclo será definida de acordo com a evolução do cenário econômico.

Na prática, o comitê pretende acompanhar novos dados de inflação, atividade econômica, expectativas, política fiscal e ambiente internacional antes de decidir os próximos passos.

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Inflação ainda exige juros restritivos

O Copom avalia que a inflação continua pressionada por fatores ligados à demanda, mesmo com sinais recentes de melhora nos índices de preços e desaceleração da economia.

Por isso, a redução da Selic não significa que a política monetária tenha deixado de ser restritiva. O objetivo do Banco Central continua sendo manter condições financeiras suficientemente apertadas para levar a inflação à meta.

A projeção do Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, está em 3,2% no cenário de referência.

Fiscal volta ao centro das preocupações

A ata reforça a avaliação do Banco Central de que a política fiscal pode influenciar diretamente o comportamento dos juros e da inflação.

Segundo o comitê, dúvidas sobre a trajetória da dívida pública, menor disciplina fiscal e aumento do crédito direcionado podem elevar a chamada taxa de juros neutra.

A taxa neutra é aquela que, em tese, não estimula nem desacelera a economia. Quanto maior for esse nível, maior pode ser a necessidade de manter a Selic elevada para controlar a inflação.

O Banco Central defende que as políticas fiscal e monetária atuem de maneira harmoniosa, com medidas previsíveis e capazes de reduzir incertezas sobre as contas públicas.

Economia mostra sinais de desaceleração

A cautela do Copom ocorre em meio a sinais de perda de ritmo da atividade econômica.

O Produto Interno Bruto cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano. O consumo das famílias caiu 0,4% no período.

A indústria também mostrou fraqueza mais recentemente. Em agosto, o índice de evolução da produção calculado pela Confederação Nacional da Indústria caiu para 46,3 pontos, o pior resultado para o mês desde 2015.

Choques externos continuam no radar

O cenário internacional também permanece como uma fonte de incerteza para o Banco Central.

O Copom voltou a mencionar os conflitos no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre preços de commodities, ativos financeiros e expectativas de inflação.

Choques de oferta, como altas abruptas no preço de petróleo ou de outros produtos importantes, podem pressionar temporariamente os índices de preços. O Banco Central afirma que monitora principalmente a possibilidade de esses aumentos se espalharem para outros setores da economia.

Próxima reunião será em novembro

O próximo encontro do Copom está previsto para os dias 3 e 4 de novembro.

Até lá, o Banco Central terá novos dados sobre inflação, emprego, atividade econômica, contas públicas e expectativas do mercado.

A decisão dependerá desse conjunto de informações. A ata reforça que não existe, neste momento, um compromisso antecipado com determinado ritmo ou tamanho de novos cortes.

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Entenda o contexto

O Banco Central iniciou o atual ciclo de redução dos juros em março de 2026. Desde então, a Selic caiu gradualmente até chegar aos atuais 13,75% ao ano.

O movimento ocorre em meio à desaceleração da inflação e da atividade econômica, mas o Copom continua apontando riscos que podem dificultar cortes mais rápidos, entre eles as expectativas de preços, o cenário internacional e a situação fiscal.

A Selic é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a reduzir consumo, crédito e investimentos, enquanto cortes podem estimular a economia, embora os efeitos apareçam de forma gradual.

A ata divulgada nesta terça-feira reforça que o ciclo de redução continuará condicionado aos dados. Assim, novos cortes não estão garantidos nem descartados e dependerão da evolução do cenário até as próximas reuniões.

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