Biscoitos, pães de forma, cereais matinais, iogurtes adoçados e refeições prontas fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Muitos desses produtos entram na categoria dos ultraprocessados, mas avaliar a qualidade da alimentação exige observar não apenas um item isolado, e sim o conjunto do que é consumido ao longo do dia.
A discussão ganhou força à medida que pesquisas passaram a associar dietas com grande participação de ultraprocessados a diferentes problemas de saúde. Ao mesmo tempo, especialistas ainda investigam quanto desse risco está relacionado ao processamento industrial em si e quanto pode ser explicado pela composição nutricional, pelo excesso de calorias e pelo padrão alimentar de quem consome esses produtos com frequência.
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O que torna um alimento ultraprocessado?
A classificação NOVA, adotada como referência pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, divide os alimentos de acordo com a natureza, a finalidade e a extensão do processamento. Os ultraprocessados são formulações industriais produzidas principalmente a partir de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos e podem conter ingredientes e aditivos pouco utilizados na cozinha doméstica.
Refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos, cereais matinais, macarrão instantâneo, determinados pães industrializados, refeições congeladas, nuggets, salsichas e algumas bebidas lácteas estão entre os exemplos citados pelo Ministério da Saúde.
Isso significa que nem todo alimento que passou por algum processamento industrial é ultraprocessado. Leite pasteurizado, arroz, feijão seco, carnes congeladas sem adição de outros ingredientes e frutas congeladas, por exemplo, podem ser classificados como alimentos in natura ou minimamente processados.
Por que os ultraprocessados preocupam?
O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda evitar o consumo de ultraprocessados e fazer dos alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação. Entre os motivos está o fato de muitos desses produtos apresentarem composição nutricional desfavorável e serem formulados de maneira a facilitar o consumo em grandes quantidades.
Outro problema é a substituição. Quando refrigerantes, biscoitos, salgadinhos e refeições prontas ocupam grande espaço na dieta, eles podem tomar o lugar de frutas, verduras, legumes, feijão e preparações feitas com alimentos menos processados.
Um produto isolado define se a dieta é saudável?
Não necessariamente. A análise nutricional precisa considerar frequência, quantidade e o restante da alimentação. Um produto classificado como ultraprocessado não transforma sozinho toda a dieta de uma pessoa em inadequada, da mesma forma que consumir ocasionalmente um alimento considerado saudável não compensa um padrão alimentar desequilibrado.
Também existem diferenças importantes dentro da própria categoria. Produtos classificados como ultraprocessados podem apresentar quantidades bastante diferentes de açúcar, gordura, sódio, fibras, proteínas e calorias. Por isso, especialistas ouvidos na reportagem que originou a discussão defendem que a avaliação não seja feita apenas pelo rótulo de “ultraprocessado”, embora as evidências sobre os riscos associados ao consumo elevado desses alimentos não devam ser ignoradas.
O que observar no supermercado
A lista de ingredientes pode ajudar a identificar o grau de processamento. O Ministério da Saúde orienta atenção especialmente à presença de substâncias pouco utilizadas em preparações domésticas, como gorduras hidrogenadas, amidos modificados, isolados proteicos, emulsificantes, corantes, aromatizantes e realçadores de sabor.
A quantidade de ingredientes, porém, não deve ser analisada sozinha. O tipo de substância utilizada e a forma como o produto foi formulado também são considerados na classificação. Comparar a tabela nutricional entre produtos semelhantes ainda permite verificar diferenças nas quantidades de sódio, açúcar, gorduras, fibras e outros nutrientes.
Equilíbrio continua sendo a principal referência
Na prática, uma alimentação saudável não depende da eliminação de um único produto, mas da composição geral das refeições e dos hábitos mantidos ao longo do tempo. A orientação oficial brasileira é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias feitas a partir deles.
Para pessoas que precisam de orientações específicas, especialmente diante de doenças ou necessidades nutricionais particulares, a avaliação deve ser individualizada e realizada por profissional de saúde habilitado.
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