Polícia descobre como funcionava esquema para desviar milhões de idosos em banco

Polícia aponta que investigada conquistava a confiança de clientes com pouca familiaridade com aplicativos bancários e fazia saques, empréstimos e transferências sem autorização; namorado também foi preso
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Uma funcionária do Santander é investigada por suspeita de usar o acesso às contas de clientes para desviar mais de R$ 2 milhões entre 2024 e 2026 em Miguelópolis, no interior de São Paulo. Segundo a Polícia Civil, os principais alvos eram pessoas consideradas vulneráveis, especialmente idosos com dificuldade para utilizar aplicativos bancários.

Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, e o namorado, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56, foram presos preventivamente na segunda-feira (28). A investigação aponta que ela teria feito saques indevidos, contratado empréstimos fraudulentos, realizado transferências sem autorização e resgatado aplicações financeiras de correntistas.

De acordo com a apuração, Vanessa trabalhava havia mais de 12 anos na agência e se aproximava dos clientes até conquistar a confiança deles. A partir do acesso obtido por causa da função, teria identificado vítimas e movimentado as contas sem o conhecimento dos titulares.

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Segundo a investigação, a suspeita priorizava correntistas que tinham dificuldade para acompanhar as movimentações pelo celular. Isso teria permitido que operações fossem realizadas durante um período prolongado sem que algumas vítimas percebessem imediatamente os desvios.

Depois de movimentar as contas, Vanessa também teria realizado saques em nome dos clientes. A Polícia Civil investiga a suspeita de que parte desse dinheiro fosse entregue a Adilson, que tinha acesso frequente à agência.

O boletim de ocorrência aponta ainda que contas pessoais e empresariais ligadas ao dentista teriam sido utilizadas para receber e movimentar valores. A investigação identificou operações como transferências entre diferentes contas, supostos pagamentos por serviços e saques elevados em espécie.

Em um dos casos investigados, o prejuízo atribuído às movimentações suspeitas ultrapassa R$ 1,7 milhão.

Vanessa e Adilson são investigados por furtos contra idosos. Foto ilustrativa. | Foto: Reprodução

Casas de apostas teriam sido usadas para movimentar dinheiro

A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro. Parte dos recursos teria circulado por diferentes contas antes de retornar aos investigados.

Casas de jogos e plataformas de apostas também aparecem na investigação. Segundo a apuração policial, valores eram enviados às plataformas e depois retornavam às contas dos suspeitos como se fossem provenientes de ganhos em apostas.

A defesa de Vanessa afirmou anteriormente que ela teria desenvolvido dependência em jogos de azar, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”. O advogado Laudemiro Neto disse que ainda aguardava acesso integral ao processo para apresentar uma manifestação detalhada sobre as acusações.

A alegação da defesa sobre uma eventual dependência em jogos não representa conclusão da investigação sobre o destino dos recursos nem afasta a apuração das movimentações financeiras atribuídas aos suspeitos.

Polícia apreendeu celulares, cartões e documentos bancários

Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, policiais encontraram notebooks, tablets, celulares, cartões bancários, documentos contendo informações financeiras, anotações, carimbo e bilhetes de loteria.

Também foram apreendidos valores em espécie. Em uma residência, os agentes localizaram R$ 252. Com Adilson, foram encontrados R$ 4.332, além de cartão bancário e telefone celular.

Os mandados foram expedidos pela Vara Regional das Garantias da 6ª Região Administrativa Judiciária, em Ribeirão Preto, e cumpridos por policiais civis de Miguelópolis com apoio de equipes da Seccional de Franca.

Casal permanece preso preventivamente

Vanessa e Adilson passaram por audiência de custódia na terça-feira (29). Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram constatadas irregularidades no cumprimento dos mandados e as prisões preventivas foram mantidas.

Os dois são investigados por suspeitas relacionadas a furtos mediante abuso de confiança contra pessoas idosas e vulneráveis e lavagem de dinheiro.

As vítimas começaram a procurar a polícia depois de identificarem movimentações que não reconheciam nas próprias contas. A partir desses registros, os investigadores passaram a analisar as operações financeiras e chegaram aos suspeitos.

Santander diz que clientes não terão prejuízo

O Santander informou que sua área de Inteligência coopera com a Polícia Civil de São Paulo desde o início da investigação para esclarecer os fatos e auxiliar na responsabilização dos envolvidos.

“A Instituição informa que sua área de Inteligência tem cooperado com a Polícia Civil de São Paulo desde o início da investigação para apurar os fatos e responsabilizar os autores, e ressalta que nenhum cliente sofreu prejuízo financeiro.”

O banco também afirmou possuir mecanismos de prevenção e identificação de fraudes e declarou que os clientes afetados não terão prejuízo financeiro.

Próximos passos

A Polícia Civil deve continuar analisando os equipamentos, documentos e registros bancários apreendidos para determinar a extensão das movimentações, identificar todas as vítimas e rastrear o destino do dinheiro.

A investigação também deverá esclarecer a participação atribuída a cada suspeito e como os recursos teriam circulado entre contas bancárias e plataformas de apostas. As prisões são preventivas e não representam condenação.

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