O Bank of America (BofA) revisou para cima suas projeções para a JBS diante de sinais de recuperação das operações de carne bovina nos Estados Unidos e da expectativa de redução da alavancagem da companhia. O banco mantém recomendação de compra para os papéis da empresa.
A nova avaliação foi divulgada após encontros de analistas do BofA com executivos e representantes de relações com investidores de empresas brasileiras do setor de proteínas. No caso da JBS, a instituição avalia que o pior momento das margens da carne bovina nos Estados Unidos pode ter ficado para trás.
A operação americana tem sido um dos principais pontos de pressão sobre os resultados recentes da companhia. No segundo trimestre de 2026, a JBS registrou receita líquida global de US$ 23,9 bilhões, mas encerrou o período com prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 102 milhões.
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BofA vê recuperação das margens nos Estados Unidos
Um dos principais fatores considerados pelo BofA é a perspectiva para a divisão de carne bovina da JBS na América do Norte. A escassez de gado nos Estados Unidos elevou os custos de aquisição dos animais e pressionou as margens dos frigoríficos ao longo do atual ciclo pecuário.
No primeiro trimestre, a JBS Beef North America registrou EBITDA negativo de US$ 267 milhões e margem de -3,7%. A própria companhia atribuiu o desempenho à menor disponibilidade de gado e ao aumento dos custos de aquisição nos Estados Unidos.
Agora, o BofA avalia que as margens do setor começam a apresentar sinais de recuperação. Em relatório divulgado nesta semana, as analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo apontaram melhora nas perspectivas para o mercado americano depois dos resultados mais pressionados observados anteriormente.
Dívida entra no radar dos analistas
Outro ponto considerado na avaliação é a estrutura financeira da JBS. A companhia vem adotando medidas para administrar o endividamento e alongar os vencimentos.
Ao fim de junho, a dívida financeira total da JBS era de aproximadamente US$ 22,65 bilhões. A companhia também mantinha cerca de US$ 3,69 bilhões entre caixa, equivalentes, depósitos de margem e investimentos de longo prazo.
A empresa já havia anunciado uma redução de aproximadamente US$ 400 milhões nos investimentos previstos para 2026, dentro de uma estratégia de maior disciplina na alocação de capital e controle da alavancagem.
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Recomendação para as ações
O BofA mantém recomendação de compra para a JBS. Na página de cobertura de analistas disponibilizada pela própria companhia, a instituição aparece com preço-alvo de US$ 19 para as ações Classe A e R$ 95 para o BDR, conforme a última revisão registrada em agosto.
A avaliação do banco considera que uma recuperação das margens nos Estados Unidos, combinada à geração de caixa e ao controle da alavancagem, pode melhorar o cenário operacional da companhia.
As projeções de instituições financeiras, porém, representam estimativas baseadas em premissas econômicas e operacionais e não garantem o desempenho futuro das ações.
Próximos passos
O mercado acompanha agora a evolução da oferta de gado nos Estados Unidos e o comportamento das margens da divisão de carne bovina norte-americana. Esses fatores continuarão entre os principais pontos de atenção para os próximos resultados da JBS.
Também estará no radar a trajetória da dívida e da geração de caixa. A companhia vem destacando disciplina financeira e investimentos mais seletivos como parte da estratégia para atravessar o período de maior pressão no ciclo pecuário americano.