Um boto-cinza acompanhado por pesquisadores há 18 anos foi avistado com um ferimento na nadadeira dorsal na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O animal foi registrado nas proximidades da Ilha de Paquetá e chamou a atenção da equipe responsável pelo monitoramento da espécie.
O boto é conhecido por pesquisadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Maqua/Uerj), que acompanha o animal desde 2008. O novo registro foi feito na segunda-feira (28).
Ainda não há uma conclusão sobre o que provocou o machucado. Pesquisadores avaliam o ferimento e seguem acompanhando a população de botos-cinza que vive na Baía de Guanabara.
Boto é conhecido pelos pesquisadores desde 2008
O animal não é desconhecido dos especialistas. Ele integra a população de botos-cinza monitorada na Baía de Guanabara e já vinha sendo identificado pela equipe do Maqua há quase duas décadas.
O acompanhamento individual permite que pesquisadores observem mudanças físicas e comportamentais ao longo dos anos e identifiquem situações que possam representar riscos para os animais.
No registro mais recente, o ferimento na região da nadadeira dorsal chamou a atenção. A causa da lesão ainda não foi determinada.
Baía de Guanabara abriga população de botos-cinza
O boto-cinza, de nome científico Sotalia guianensis, ocorre em áreas costeiras e estuarinas da América do Sul. A espécie está presente na costa brasileira e a população encontrada na Baía de Guanabara é acompanhada regularmente por pesquisadores.
A região, porém, reúne fatores que podem representar riscos para os animais, como o intenso tráfego de embarcações e os impactos provocados historicamente pela poluição.
Por isso, o monitoramento ajuda os pesquisadores a avaliar a situação dos indivíduos que permanecem na baía e as mudanças observadas nessa população ao longo do tempo.
Origem do ferimento ainda é investigada
Não há confirmação sobre como o boto sofreu a lesão. Entre as possibilidades que podem ser analisadas pelos especialistas estão interações com atividades humanas e colisões, mas nenhuma causa havia sido estabelecida até a última atualização.
O animal segue sendo acompanhado pelos pesquisadores, que podem comparar o novo registro com imagens e informações acumuladas desde o início do monitoramento.
Rio tem biodiversidade marinha próxima à costa
O aparecimento do boto ocorre poucos dias depois de outra descoberta relacionada à biodiversidade marinha carioca. Como mostrou o NC News, pesquisadores identificaram bancos de rodolitos no mar em frente a Ipanema, próximos às Ilhas Cagarras.
As formações, compostas por algas calcárias, criam ambientes que servem de abrigo e alimentação para diferentes espécies de peixes, crustáceos e moluscos.
A descoberta reforçou a diversidade existente nas águas próximas a uma das áreas urbanas mais movimentadas do país e a importância do monitoramento dos ecossistemas costeiros.
O que fazer ao encontrar um animal marinho
A orientação de especialistas é evitar tocar, alimentar ou tentar conduzir animais marinhos por conta própria. A aproximação pode causar estresse e também representar riscos para as pessoas.
Em casos de animais encontrados encalhados ou aparentemente feridos, a recomendação é manter distância e comunicar equipes especializadas para que profissionais avaliem a situação.