Réu por lavagem e acusado de ligação com PCC é eleito deputado; TSE pode barrar mandato

Ex-prefeito de Embu das Artes, Ney Santos recebeu 118,5 mil votos para deputado federal por São Paulo, mas Ministério Público Eleitoral tenta derrubar seu registro
Redação NC News
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O ex-prefeito de Embu das Artes Ney Santos (Republicanos) foi eleito deputado federal por São Paulo com 118.566 votos, mas ainda depende de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se poderá assumir o mandato. O Ministério Público Eleitoral (MPE) recorreu contra o registro da candidatura e cita suspeitas de envolvimento do político com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ney Santos é réu em uma ação penal por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O processo eleitoral, no entanto, é independente da ação criminal e discute se o histórico apontado pelo Ministério Público é suficiente para impedir sua candidatura.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) autorizou o registro de Ney Santos em 15 de setembro, por três votos a dois. O Ministério Público Eleitoral recorreu da decisão e levou o caso ao TSE, onde o processo aguarda julgamento.

Ao menos 15 eleitos têm candidatura indefinida e podem ter votos anulados

MPE cita suspeita de ligação com o PCC

No pedido para impedir a candidatura, o Ministério Público Eleitoral afirma que existem elementos que indicariam uma possível ligação de Ney Santos com o crime organizado.

A Procuradoria cita o fato de o político ser réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro e menciona ainda suspeitas de enriquecimento ilícito.

As acusações não representam condenação definitiva. A eventual participação de Ney Santos em organização criminosa é discutida judicialmente, e a responsabilidade penal do político não pode ser considerada estabelecida enquanto os processos ainda estão em andamento.

O MPE sustenta, no processo eleitoral, que elementos relacionados à possível vinculação de candidatos com facções criminosas podem justificar o indeferimento do registro mesmo sem condenação penal definitiva.

Ney Santos já teve outros processos

Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos, comandou a Prefeitura de Embu das Artes entre 2017 e 2024.

Antes da carreira política, ele chegou a ser preso em flagrante em um caso de roubo a banco e foi condenado em primeira instância, mas posteriormente acabou absolvido por falta de provas.

Ney Santos também teve condenações relacionadas a receptação e formação de quadrilha e respondeu a processo por crime contra a ordem econômica.

Em outro processo, foi condenado em primeira instância por porte de arma de fogo com numeração raspada.

O histórico judicial foi utilizado pelo Ministério Público Eleitoral como parte da argumentação apresentada contra o registro da candidatura.

Vitória nas urnas ainda pode perder validade

A decisão tomada pelo TRE-SP permitiu que Ney Santos participasse normalmente das eleições. No domingo (4), ele conquistou 118.566 votos e obteve uma das vagas de São Paulo na Câmara dos Deputados.

O resultado eleitoral, porém, não encerra a discussão judicial sobre sua candidatura.

O recurso está sob relatoria do ministro Floriano de Azevedo Marques no TSE. Caso o tribunal mantenha a decisão do TRE-SP, o registro permanece válido.

Se o TSE acolher o recurso do Ministério Público Eleitoral e indeferir definitivamente a candidatura, a decisão poderá produzir efeitos sobre os votos recebidos e sobre o mandato conquistado nas urnas.

Outros eleitos também aguardam decisões

O caso de Ney Santos integra um cenário mais amplo das eleições de 2026. Ao menos 15 candidatos escolhidos nas urnas para governos estaduais e para o Congresso chegaram ao período pós-eleição com alguma discussão judicial ainda pendente sobre seus registros.

As situações não são iguais e cada processo possui fundamentos próprios. A existência de recurso ou questionamento judicial também não significa, por si só, que o candidato perderá o mandato.

No caso de Ney Santos, caberá ao TSE decidir se mantém a autorização concedida pelo TRE-SP ou se aceita os argumentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral.

Procurado pela reportagem que revelou a situação nesta quarta-feira (7), Ney Santos não havia se manifestado até a última atualização.

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