O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final do segundo turno presidencial numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto, com vantagem de três pontos percentuais em cenário nacional, enquanto um novo levantamento do Datafolha entra em campo nesta semana para medir em detalhe o humor do eleitorado.
Flávio lidera, mas disputa segue aberta
Dados consolidados pelo Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, atualizados até a manhã de 9 de outubro, indicam Flávio Bolsonaro com três pontos percentuais de vantagem sobre Lula nas últimas pesquisas para presidente 2026 em cenário de segundo turno. O modelo estatístico combina levantamentos nacionais registrados no TSE desde o início do ano, de institutos como Datafolha, PoderData, AtlasIntel, Vox Brasil, Quaest, Paraná Pesquisas e outros.
Segundo a metodologia do agregador, “há 95% de chance de que a intenção de voto real para cada político, neste momento, esteja dentro do intervalo mostrado no gráfico”. Na prática, isso significa uma liderança, mas dentro de um quadro ainda competitivo, em que oscilações de poucos pontos podem alterar o desenho da disputa até a votação marcada para 25 de outubro.
O próprio sistema enfatiza que não se trata de previsão de resultado, mas de uma fotografia do momento. O cálculo funciona como uma espécie de média ponderada das pesquisas, atribuindo pesos diferentes a cada instituto e suavizando variações de curto prazo, para captar tendências mais amplas do eleitorado.
Datafolha entra em campo com 2.520 entrevistas
Enquanto o agregador aponta vantagem de Flávio, a pesquisa Datafolha para presidente 2026 hoje ainda não está divulgada, mas já tem desenho definido. O instituto faz, entre os dias 13 e 15 de outubro, 2.520 entrevistas presenciais em todo o país para medir o cenário do segundo turno da pesquisa para presidente 2026 entre Flávio Bolsonaro e Lula.
O levantamento, registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-00466/2026 e contratado pela Folha de S.Paulo, trabalha com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. “A margem de erro máxima informada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%”, registra o instituto.
Além da pergunta estimulada sobre o confronto direto, o questionário trará uma questão espontânea – “Se o segundo turno da eleição fosse hoje, em quem você pretende votar para presidente da República?” – e buscará identificar se o eleitor vota por convicção ou apenas para derrotar o adversário.
Rejeição e voto definido entram no radar
O Datafolha também vai medir o grau de definição do voto, ponto crucial num cenário de vantagem apertada como o de agora. Os entrevistados serão questionados se a escolha está totalmente decidida ou se ainda pode mudar, além da disposição de votar em cada candidato: se votaria com certeza, poderia votar ou não votaria de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro e em Lula.
Essas respostas devem ajudar a calibrar as estratégias de campanha nos últimos dias antes do pleito, mostrando onde há espaço para virada ou consolidação. Em disputas anteriores, faixas do eleitorado que declaravam voto pouco decidido foram alvo prioritário de propaganda segmentada, visitas e alianças regionais.
O questionário inclui ainda a percepção sobre quem o eleitor acredita que vencerá a eleição, independentemente da preferência pessoal. Esse tipo de pergunta capta o chamado “voto útil”, quando parte do eleitorado muda de lado para apoiar quem considera mais competitivo.
Governo Lula sob avaliação
A nova pesquisa Datafolha hoje também aferirá a avaliação do governo Lula, em escala que vai de ótimo a péssimo, e perguntará se os entrevistados aprovam ou desaprovam o trabalho do presidente. Esse indicador é visto como um dos motores da disputa: governos bem avaliados tendem a fortalecer seus candidatos; gestões mal avaliadas alimentam votos de mudança.
O Datafolha ainda vai perguntar qual é, na visão dos brasileiros, o principal problema do país – saúde, educação, economia, desemprego, fome e miséria, violência e segurança pública, inflação, salários, habitação, corrupção e questões sociais, entre outros. A hierarquia dessas preocupações costuma orientar tanto o tom quanto as promessas das campanhas no horário eleitoral e nas redes.
Temas sensíveis: STF, maioridade penal e foro
Além da corrida presidencial, o levantamento entra em temas centrais do debate político e jurídico. Entre eles, a proposta de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, a criação de mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a exigência de decisões colegiadas para temas relevantes na Corte.
O instituto também sondará a opinião da população sobre a redução do foro privilegiado para autoridades e políticos acusados de crimes. Em todos os casos, os entrevistados dirão se são favoráveis, contrários ou indiferentes a cada proposta.
As respostas podem indicar em que medida bandeiras associadas à pauta de segurança pública e reformas institucionais favorecem mais o campo de Flávio Bolsonaro, identificado com o eleitorado conservador, ou o de Lula, que busca reequilibrar sua base entre beneficiários de programas sociais, centro político e parte da classe média.
Democracia, polarização e abstenção
Outro bloco da pesquisa trata da percepção sobre a qualidade da democracia no Brasil. Os entrevistados serão convidados a classificar o país como democracia plena, democracia com pequenos problemas, democracia com grandes problemas ou não democracia, além de avaliar se o ambiente político é marcado por polarização ou por diálogo entre diferentes posições.
O Datafolha ainda medirá a intenção de comparecer às urnas no segundo turno, perguntando se o eleitor pretende votar, se não deve ir ou se ainda está indeciso. Para quem cogita se abster, o questionário mapeia os motivos – cansaço com a política, descrença nos candidatos ou dificuldades práticas, por exemplo. Em uma eleição apertada, a taxa de abstenção é vista como fator decisivo.
O histórico de voto também entra na amostra: o instituto vai registrar o voto no primeiro turno de 2026 e, entre entrevistados com 20 anos ou mais, a escolha no segundo turno presidencial de 2022. Outra pergunta investiga se o entrevistado ou alguém da casa recebe o Bolsa Família e pede que ele se posicione em uma escala que vai de “bolsonarista” a “petista”.
Impacto nas campanhas e próximos movimentos
O quadro traçado até agora pelo agregador já movimenta os bastidores. A campanha de Lula tem buscado ajustar o tom da comunicação e reforçar a presença em segmentos em que perdeu terreno, enquanto Flávio Bolsonaro tenta capitalizar a liderança aparente para atrair apoios de governadores e candidatos derrotados do campo conservador.
Recentes declarações públicas de apoio ao senador por parte de figuras da direita e do centro, como o governador Ratinho Jr. e candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno, tendem a ser usadas por sua equipe como sinal de força. Do lado petista, a ordem é tentar reverter o favoritismo adversário nas regiões e faixas de renda em que Lula tradicionalmente performa melhor.
Os números detalhados da nova pesquisa Datafolha, previstos para divulgação após a conclusão das 2.520 entrevistas, serão acompanhados de perto por partidos, mercados e analistas. Eles podem redefinir alvos de campanha, concentrar viagens em estados-chave e reorientar discursos em temas como economia, segurança pública e democracia, na contagem regressiva para o segundo turno de 25 de outubro.