Minas Gerais registra 140 acidentes aéreos e 71 mortes em 10 anos, aponta Cenipa

Levantamento do órgão de investigação aeronáutica expõe a dimensão das ocorrências no estado e reforça a importância da prevenção na aviação.
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Minas Gerais registrou 140 acidentes aéreos e 71 mortes nos últimos dez anos, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O levantamento ganhou destaque neste domingo (11), após duas quedas de aeronaves registradas na sexta-feira (9), em um intervalo inferior a cinco horas, deixarem quatro mortos no estado.

Os acidentes ocorreram em Belo Horizonte e Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço. Na capital, um monomotor caiu sobre uma área de manutenção do metrô e matou o piloto. Horas depois, uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) caiu durante um voo de treinamento, provocando a morte de três militares. As causas das duas ocorrências ainda são investigadas.

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Dois acidentes deixam quatro mortos em Minas Gerais

O primeiro acidente aconteceu na manhã de sexta-feira (9), quando um avião monomotor caiu pouco depois de decolar do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.

A aeronave atingiu estruturas próximas à estação São Gabriel e caiu sobre uma linha ferroviária utilizada para manobras e manutenção do metrô. O piloto, único ocupante, morreu no local.

Segundo as autoridades, o avião estava em situação regular. A queda provocou um incêndio, controlado pelo Corpo de Bombeiros, mas não deixou feridos entre funcionários do sistema metroviário.

O segundo acidente ocorreu no período da tarde, em Santana do Paraíso, nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço.

O avião da Polícia Militar realizava um voo relacionado à rechecagem de habilitação dos pilotos quando caiu em uma área de mata. Três integrantes da corporação morreram.

As vítimas foram o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre e as tenentes Alice Almeida e Gabriela Resende. O Cenipa iniciou os trabalhos para esclarecer as circunstâncias da queda.

Aeroporto da Pampulha concentra parte das ocorrências

O levantamento aponta que 13 acidentes registrados nos últimos dez anos envolveram aeronaves que partiram do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Essas ocorrências deixaram 12 mortos.

Em maio de 2026, um monomotor caiu sobre um prédio residencial no bairro Silveira, na Região Nordeste da capital mineira, aproximadamente três minutos depois da decolagem.

O acidente deixou três mortos e dois feridos. Imagens registraram o momento em que a aeronave perdeu altitude antes de atingir o imóvel.

Em agosto, outro avião de pequeno porte que havia decolado de Belo Horizonte caiu na região de Mateus Leme, na Região Metropolitana. O piloto conseguiu acionar o sistema de paraquedas da aeronave e sobreviveu.

Falhas no motor e perda de controle aparecem entre as ocorrências

Entre os tipos de acidentes registrados em Minas Gerais desde 2019 estão a perda de controle em voo, falhas ou mau funcionamento do motor e excursões de pista, situação em que a aeronave ultrapassa os limites da área destinada à decolagem ou ao pouso.

Especialistas em segurança aeronáutica destacam que fatores humanos, condições meteorológicas, manutenção e características operacionais podem contribuir para acidentes.

Entretanto, a identificação das causas depende de investigações individuais. A ocorrência de uma falha mecânica ou a participação de fatores humanos não pode ser presumida sem a análise técnica de cada caso.

Queda de helicóptero dos bombeiros completa dois anos

O levantamento também relembra a queda do helicóptero Arcanjo 4, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, que completa dois anos neste domingo (11).

O acidente ocorreu em outubro de 2024, em uma região de serra de Ouro Preto, na Região Central do estado, durante uma operação de buscas relacionada à queda de outra aeronave.

Seis pessoas morreram: quatro bombeiros militares, um médico e um enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A tragédia marcou a aviação de segurança pública em Minas Gerais e reforçou a importância dos protocolos de segurança em operações de resgate realizadas em áreas de difícil acesso.

Como funciona a investigação de acidentes aéreos?

O Cenipa é um órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos.

Seu trabalho busca identificar fatores que contribuíram para as ocorrências e produzir recomendações capazes de reduzir os riscos de novos acidentes.

As investigações podem incluir análise dos destroços, histórico de manutenção, condições meteorológicas, registros de voo e informações prestadas por testemunhas.

Os dados de Minas Gerais ajudam a dimensionar o histórico de acidentes no estado, mas não permitem estabelecer uma causa única para as ocorrências.

As investigações das duas quedas registradas na sexta-feira continuam em andamento, e as conclusões técnicas ainda não foram divulgadas.

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