Minas Gerais registra 140 acidentes aéreos e 71 mortes em dez anos, aponta Cenipa

Estado teve nove ocorrências em 2026, segundo levantamento citado na reportagem; dois acidentes na última sexta-feira deixaram quatro mortos e reacenderam o alerta sobre a segurança aérea.
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Minas Gerais registrou 140 acidentes aéreos e 71 mortes nos últimos dez anos, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) citados em levantamento publicado neste domingo (11). Somente em 2026, foram contabilizadas nove ocorrências no estado, com quatro mortes.

O tema ganhou destaque após dois acidentes aéreos registrados na sexta-feira (9), em um intervalo de menos de cinco horas. Um monomotor caiu em Belo Horizonte, matando o piloto. Mais tarde, uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais caiu em Santana do Paraíso, no Vale do Aço, e provocou a morte de três militares.

Os episódios estão sob investigação. As causas das quedas ainda não foram determinadas pelas autoridades responsáveis.

Avião de pequeno porte cai e pega fogo em área de mata em Minas Gerais

Dois acidentes deixaram quatro mortos na sexta-feira

O primeiro acidente ocorreu no fim da manhã, pouco depois da decolagem do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. O monomotor caiu sobre a área de manutenção do metrô, atingiu a estrutura de um galpão e a rede elétrica antes de parar em uma linha ferroviária auxiliar. O piloto, único ocupante, morreu.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a aeronave estava em situação regular. O Cenipa e a Polícia Civil iniciaram os trabalhos para investigar o caso e identificar os fatores que contribuíram para a queda.

O segundo acidente aconteceu no período da tarde, em Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço. Um avião da Polícia Militar que havia saído de Belo Horizonte com destino a Ipatinga caiu durante um voo relacionado à rechecagem de habilitação dos pilotos. Três militares morreram.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da queda. A informação de que uma aeronave estava com a manutenção em dia, por exemplo, não determina por si só a causa de um acidente.

Aeroporto da Pampulha aparece em outros acidentes

O levantamento também aponta 13 acidentes envolvendo voos que partiram do Aeroporto da Pampulha nos últimos dez anos, com 12 mortes. Entre os casos citados está a queda de um monomotor em maio de 2026, que atingiu um prédio residencial em Belo Horizonte e deixou três mortos e dois feridos.

Em agosto, outra aeronave de pequeno porte que havia saído da capital caiu na região de Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na ocasião, o piloto conseguiu acionar o paraquedas instalado no avião e sobreviveu.

Os registros mostram que acidentes envolvendo diferentes tipos de aeronaves ocorreram no estado ao longo dos anos. Cada caso, porém, precisa ser analisado individualmente, conforme as condições do voo, da aeronave e os resultados das investigações.

Perda de controle e problemas no motor estão entre as ocorrências

Entre os tipos de ocorrência mais frequentes registrados em Minas Gerais desde 2019 estão a perda de controle em voo, falhas ou mau funcionamento do motor e excursões de pista — quando a aeronave ultrapassa os limites da pista durante a decolagem ou o pouso.

Em declaração reproduzida na reportagem, o professor de aviação da PUC Minas Kerley Oliveira destacou a participação do fator humano em acidentes aeronáuticos. A análise das causas, no entanto, depende da apuração técnica de cada ocorrência e não pode ser concluída apenas com base no tipo de acidente.

Queda de helicóptero completa dois anos

O domingo (11) também marca dois anos da queda do helicóptero Arcanjo 4, do Corpo de Bombeiros, em uma serra de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. Seis pessoas morreram: quatro bombeiros, um médico e um enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

A aeronave participava de uma operação de busca relacionada a outro acidente aéreo. O episódio está entre as tragédias que marcaram a aviação de segurança pública no estado.

Entenda o contexto

O Cenipa, órgão ligado à Força Aérea Brasileira, investiga ocorrências aeronáuticas para identificar fatores contribuintes e produzir informações que ajudem a prevenir novos acidentes. O trabalho pode envolver análise dos destroços, registros de voo, condições meteorológicas, manutenção e depoimentos.

Os números de acidentes e mortes ajudam a dimensionar o histórico de ocorrências em Minas Gerais, mas não explicam sozinhos os motivos de cada queda. Para apontar causas, é necessário aguardar as conclusões das investigações técnicas.

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