Luiza Brunet, de 64 anos, criticou nesta terça-feira (13) o valor de R$ 150 mil estabelecido pela Justiça como indenização por danos morais pelas agressões sofridas de seu ex-companheiro, o empresário Lírio Parisotto, em 2016. Em uma publicação nas redes sociais, a modelo afirmou que a sentença representa uma vitória pelo reconhecimento da violência, mas questionou se a quantia é suficiente para responsabilizar alguém com patrimônio bilionário.
A manifestação ocorreu após a Justiça de São Paulo condenar Parisotto ao pagamento da indenização. Embora considere o reconhecimento judicial importante, Luiza destacou que o valor representa uma parcela pequena da fortuna do empresário, estimada pela revista Forbes em aproximadamente R$ 14,2 bilhões. Para ela, a reparação financeira precisa considerar não apenas a gravidade da violência, mas também a capacidade econômica de quem foi condenado.
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Luiza Brunet questiona valor da indenização
Ao comentar a sentença, Luiza afirmou que o reconhecimento da violência não significa necessariamente que a reparação tenha sido justa. A modelo relembrou os dez anos de exposição pública, sofrimento e disputa judicial desde as agressões.
“Depois de tantos anos, finalmente saiu a sentença que condenou meu agressor a me indenizar pelos danos morais que me causou. A Justiça reconheceu a violência que sofri. Mas reconhecer o dano não significa, necessariamente, repará-lo de maneira justa”, escreveu.
Luiza reconheceu que R$ 150 mil é uma quantia significativa para grande parte da população brasileira. No entanto, afirmou que o valor tem impacto limitado diante da situação financeira de Parisotto.
“Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?”, questionou a modelo.
Para ela, a indenização não deve ser entendida como um preço atribuído à dor, mas como uma forma de responsabilização que também tenha significado para o condenado. A modelo ressaltou que nenhuma compensação financeira é capaz de apagar completamente as consequências físicas e emocionais da violência.
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Agressões aconteceram durante viagem a Nova York
O episódio que originou o processo ocorreu em 22 de maio de 2016, quando Luiza Brunet e Lírio Parisotto ainda mantinham um relacionamento. Durante uma viagem a Nova York, nos Estados Unidos, a modelo foi agredida e sofreu quatro fraturas nas costelas, além de hematomas no rosto e no corpo.
O empresário foi condenado criminalmente em 2017 por lesão corporal no contexto de violência doméstica. A condenação tornou-se definitiva em fevereiro de 2021, após o encerramento das possibilidades de recurso naquela ação.
A nova decisão, assinada em 8 de outubro de 2026 pelo juiz Renan Teruo Suzuki Kito, da 36ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, trata especificamente da reparação financeira pelos danos causados à modelo.
Justiça rejeitou indenização por perdas profissionais
Apesar de determinar o pagamento de R$ 150 mil por danos morais, a Justiça rejeitou os pedidos de indenização por danos materiais e lucros cessantes apresentados por Luiza Brunet.
A modelo alegou que as agressões também prejudicaram sua carreira e provocaram a perda de oportunidades profissionais. Entretanto, o magistrado considerou que não havia provas suficientes para estabelecer uma relação direta entre a violência e os prejuízos financeiros apontados.
A sentença também determinou que as custas processuais sejam divididas igualmente entre as partes. Cada uma deverá pagar honorários advocatícios aos representantes da outra, calculados conforme os pedidos acolhidos e rejeitados. A decisão ainda pode ser contestada por recurso.
Modelo transformou experiência em luta contra violência doméstica
Desde que denunciou as agressões, Luiza Brunet passou a utilizar sua visibilidade para defender os direitos das mulheres e incentivar vítimas de violência doméstica a buscar ajuda.
Ao comentar a indenização, ela reforçou que a discussão ultrapassa seu caso pessoal e envolve a necessidade de decisões judiciais capazes de produzir efeitos concretos na responsabilização de agressores.
O episódio reacende o debate sobre os critérios utilizados para estabelecer indenizações por violência doméstica, especialmente quando existe grande diferença entre a capacidade econômica das partes envolvidas.