Flávio Bolsonaro é alvo de segundo inquérito no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro
Nova investigação envolve a relação do senador com o advogado Willer Tomaz e será relatada por Alexandre de Moraes; outro procedimento apura o financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser investigado em um segundo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O novo procedimento, encaminhado pela Polícia Federal (PF), apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à proximidade do parlamentar com o advogado Willer Tomaz e a movimentações financeiras identificadas em investigações sobre o setor de apostas.
Segundo informações divulgadas neste domingo (18), o inquérito chegou ao Supremo há pelo menos uma semana e foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes. A investigação se soma a outra apuração envolvendo Flávio Bolsonaro, sob relatoria de André Mendonça, sobre o financiamento do filme “Dark Horse“, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.
O novo caso envolve registros de encontros, viagens e documentos bancários que, segundo a PF, indicam uma relação próxima entre o senador e Willer Tomaz. As informações ainda estão sob investigação e não representam comprovação de irregularidades.
Como surgiu o novo inquérito contra Flávio Bolsonaro?
A investigação teve origem em um procedimento da Polícia Federal que tramitava na primeira instância da Justiça Federal, no Rio Grande do Sul. Inicialmente, os agentes apuravam suspeitas envolvendo plataformas de pagamentos digitais e empresas do setor de apostas esportivas.
Durante as diligências, os investigadores encontraram indícios de que Willer Tomaz poderia exercer controle indireto sobre a Rede Loto, empresa autorizada a explorar apostas esportivas no estado do Rio de Janeiro. Segundo a PF, os sócios formalmente registrados na companhia mantêm vínculos com o advogado.
A análise de dados obtidos após a quebra de sigilo da conta em nuvem de Willer revelou documentos e registros relacionados a Flávio Bolsonaro. Como o senador possui foro por prerrogativa de função, o material foi encaminhado ao STF para aprofundamento das investigações.
O senador Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal que apuram suspeitas envolvendo movimentações financeiras.
PF identifica viagens, encontros e vínculos bancários
Entre os elementos reunidos pela Polícia Federal estão registros de festas, reuniões e viagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Os investigadores também identificaram documentos pessoais do parlamentar armazenados na conta em nuvem do advogado.
Outro ponto analisado é a ligação do senador com uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa offshore sediada em Portugal. Documentos obtidos pelos investigadores mencionam Flávio como “usuário master”, modalidade de acesso que pode permitir operações administrativas na conta.
O vínculo bancário já havia sido revelado anteriormente e foi objeto de reportagem do NC News. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negaram a existência de relação financeira ou societária entre eles. A documentação divulgada não comprova que o senador seja proprietário da empresa ou tenha realizado movimentações irregulares.
Conta ligada ao advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões
A Polícia Federal também identificou que uma das contas bancárias de Willer Tomaz movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Para os investigadores, é necessário aprofundar a análise sobre a origem e o destino desses recursos.
O volume financeiro integra o conjunto de informações examinadas na investigação, mas não significa que os valores tenham sido movimentados por Flávio Bolsonaro ou que estejam comprovadamente associados a crimes.
Willer Tomaz também foi alvo de uma operação da Polícia Federal em agosto, no âmbito de outra investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Flávio Bolsonaro não era investigado naquele procedimento.
Segundo inquérito envolve financiamento de filme sobre Bolsonaro
Além da investigação relatada por Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro é alvo de outro inquérito no Supremo, conduzido pelo ministro André Mendonça, sobre a captação de recursos para o filme “Dark Horse”.
A apuração examina negociações envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. Os investigadores procuram esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos relacionados à produção cinematográfica.
Na sexta-feira (16), a Polícia Federal solicitou a prorrogação desse inquérito por mais 90 dias. O pedido foi justificado pela necessidade de concluir perícias contábeis e obter informações financeiras por meio de cooperação internacional com os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades no financiamento do filme e sustenta que a captação de recursos ocorreu no âmbito de um projeto privado.
Sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, onde tramitam os inquéritos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?
Na reportagem divulgada neste domingo, as defesas dos envolvidos haviam sido procuradas, mas ainda não tinham apresentado manifestação específica sobre o novo inquérito.
Em manifestações anteriores sobre os documentos bancários, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negaram qualquer sociedade ou vínculo financeiro entre eles. O senador também contestou a divulgação das suspeitas durante o período eleitoral.
As investigações seguem em andamento e buscam esclarecer se houve movimentações financeiras ilícitas ou participação do parlamentar em eventuais irregularidades. Até o momento, não há conclusão judicial que estabeleça responsabilidade criminal de Flávio Bolsonaro nos casos mencionados.
O senador Flávio Bolsonaro negou anteriormente a existência de vínculo financeiro ou societário com o advogado Willer Tomaz; as investigações seguem em andamento.